A mensagem passada pelo Sepultura em "Roots", de acordo com Max Cavalera
Por Mateus Ribeiro
Postado em 14 de fevereiro de 2026
Lançado em 20 de fevereiro de 1996, "Roots" é o sexto disco de estúdio do Sepultura. Sucessor de "Chaos A.D." (1993), o álbum mescla a agressividade das guitarras distorcidas com elementos de música tribal. Parte dessa proposta ganhou forma quando integrantes da banda viajaram ao Mato Grosso para gravar com o povo Xavante. Mais do que um recurso estético, a iniciativa refletiu o interesse do grupo em estabelecer uma conexão direta com manifestações culturais brasileiras.

Iggor Cavalera, baterista original e um dos fundadores do Sepultura, afirmou que a incorporação de ritmos afro-brasileiros e elementos latinos exigiu cautela e pesquisa. Em entrevista concedida ao Nashville Scene em 2016, resgatada pela Metal Hammer, o músico explicou que a intenção era fazer com que essas influências soassem naturais, e não meramente decorativas.
"Eu sempre quis fazer algo com uma pegada mais latina. Eu já tinha tido contato com o samba e os ritmos afro-brasileiros antes de começar a tocar bateria, e sempre tive muita cautela em incorporá-los da maneira correta, sem fazer isso apenas por fazer. Dedicamos muito tempo e pesquisa para garantir que fizéssemos isso de uma forma que parecesse completamente natural."
A matéria também traz um depoimento de Max - ex-guitarrista e vocalista do Sepultura (e irmão de Iggor) - sobre "Roots". Ao Phoenix New Times, o lendário frontman comentou a mensagem transmitida pelo disco.
"Este disco é mais sobre pessoas do que sobre questões. Ainda existem missionários que vão até os Xavante, levam Bíblias e dizem para eles não viverem como animais, quando o mundo deveria simplesmente respeitar a cultura deles. Então, acho que este álbum tem uma mensagem, e essa mensagem é: 'Eles estão bem. Vamos deixá-los em paz.'"
Embora tenha se tornado o maior sucesso comercial do Sepultura, "Roots" também está associado ao período mais turbulento da trajetória do grupo. Foi durante a turnê de divulgação do disco que Max deixou a banda após desentendimentos com os demais integrantes, incluindo Iggor, que seguiu o mesmo caminho anos depois. Esse capítulo é detalhado na matéria a seguir.
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