Slash e Myles Kennedy: Uma noite cansativa mas também gratificante em Porto Alegre
Resenha - Slash (Pepsi On Stage, Porto Alegre, 04/02/2024)
Por Luciano Schneider
Postado em 08 de fevereiro de 2024
O primeiro domingo do mês de fevereiro encerrava uma semana típica em Porto Alegre, cidade em que o calor do verão é infernal mesmo durante as madrugadas. Típicas também eram as nuvens negras no horizonte, que prometiam a chegada de mais uma tempestade. Mas esse domingo tinha algo de atípico: o show do guitarrista Slash no palco do Pepsi on Stage. E nem a chuva que começava no final de tarde seria capaz de espantar os fãs que se amontoavam em frente ao local, em uma fila que dobrava a esquina mesmo antes da casa estar aberta ao público.
Fotos por: Liny Oliveira
Assim que as portas se abriram a frente do palco logo ficou lotada pelos fãs mais dedicados, muitos trajando a icônica cartola, visual pelo qual o guitarrista ficou conhecido. A animação era alta, com o público vibrando ao som de clássicos do rock apresentados pelo DJ Ricardo Finocchiaro. Todos estavam empolgados, na expectativa de uma grande noite de rock.

Eram 20hs quando sobe ao palco a primeira atração da noite, a banda Velvet Chains, que veio fazer a abertura dos shows de Slash na turnê pelo Brasil. A banda, que existe desde 2018, era desconhecida pela maior parte dos presentes. Apesar de ter uma boa presença de palco e um visual interessante, não conseguiram captar o coração do público. Suas músicas autorais eram um tanto genéricas e o cover de Suspicious Minds pode até agradar na cidade natal da banda, Las Vegas, cidade que tem uma forte ligação com o autor da canção, Elvis Presley, mas aqui foi totalmente desnecessária. Após cerca de 30 minutos de apresentação a banda se despede, pra não deixar saudades.

Um pouco antes das 21hs, o abaixar das luzes indica o início da apresentação principal. Ao mesmo tempo em que o tema soturno do filme clássico de horror The Thing toca na trilha,a banda de apoio de Slash sobe ao palco, acompanhados do vocalista Myles Kennedy. Finalmente Slash entra no palco sob uma enxurrada de aplausos. O show já começa no alto, com a belíssima The River is Rising.

Embora o guitarrista seja o destaque da noite, com seu visual inconfundível de cartola e óculos escuros, não se pode deixar de falar sobre a sua excelente banda de apoio. O vocalista Myles Kennedy é um outro veterano do rock, e tem uma voz poderosíssima. O baixista Todd Kerns também impressionou, fazendo belas harmonias de voz com Kennedy. Inclusive demonstrou não dever nada ao vocal principal, tendo assumido a frente da banda durante o cover de Always on the Run, de Lenny Kravitz - essa inclusive teve um solo ao final sobre a base da clássica Superstition, de Stevie Wonder. Momento raro onde o peso e o groove se encontram sem brigar pelo espaço.

Todd Kerns mais tarde assumiria de novo os vocais principais na única música do Guns´n´roses a ser executada nessa noite, Don't Damn Me. Talvez uma decepção para quem tenha ido esperando um dos grandes clássicos, mas para esses já existe o show do Guns. Apesar de que seria muito interessante ver Kerns cantando essas músicas, pois nesse momento do show o vocal dele lembrou muito o de Axl Rose.

O show seguiu com o que se espera de um show de um guitarrista: muitos e muitos solos. Em Wicked Stone, Myles Kennedy pega mais uma guitarra para engrossar a base enquanto Slash faz seus solos até não querer mais. É nesse ponto que pessoalmente comecei a achar o show um tanto cansativo. Certamente um show interessante para guitarristas, e para os fãs mais fanáticos de Slash, mas para o público em geral talvez fosse melhor um show mais enxuto. Já eram quase duas horas de apresentação quando encerraram o show após Slash vir ao microfone agradecer pela presença de todos e apresentar a banda.

Porém, um show assim sempre precisa de um bis. E esse foi para diminuir a intensidade da noite, com mais um cover, dessa vez de Rocketman, canção de Elton John, com direito a piano e Slide Guitar. Pra encerrar o show a emocionante Anastasia. E assim se encerrou a noite. Cansativa, mas também gratificante, onde veteranos do rock mostraram como ele deve ser feito.



















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