Belphegor, Krisiun, NervoChaos e Crypta em Belo Horizonte
Resenha - Bréa Extreme Tour (Mister Rock, Belo Horizonte, 26/05/2022)
Por Vitor Krohne
Postado em 05 de junho de 2022
Dia de metal extremo em Beagá. No Mister Rock reuniram-se Crypta e NervoChaos para prestigiar Krisiun e os austríacos do Belphegor. Noite fria, atmosfera quente, lentes de Iana Domingos.
Em seu primeiro lançamento, "Echoes of the Soul" (2021), as ex-Nervosa Fernanda Lira e Luana Dametto aliaram-se à dupla de guitarristas Sonia Anubis e Tainá Bergamaschi. Demonstram tamanha maturidade que o trabalho parece um clássico na primeira audição. Com a partida de Sonia, coube a Jéssica Falchi assumir o posto e estava visivelmente à vontade. O xodó do cenário do metal brasileiro começou pontualmente às 19 horas e 30 minutos. Com muito carisma e competência iniciaram a noite num set muito curto pro gosto de todos presentes. Passando por "Shadow Within" e "Dark Night of the Soul", quando percebi já era a saideira e primeiro single "From the Ashes". Em sua primeira tour como banda, confirmada no Wacken Open Air 2022 e próximo álbum em produção a expectativa é gigante. Estou ansioso para revê-las e que tenham um técnico de som dedicado.
NervoChaos subiu ao palco após curto break com sua atual formação que já dura dois lançamentos: "Dug Up… Diabolical Reincarnations" (2021) e "All Colors of Darkness" (2022). São dez trocas de titularidade em quase uma década. Sempre liderados por Eduardo Lane, agora acompanhado de Quinho (guitarra, vocais de apoio), Wesley Johann (guitarra, vocais de apoio), Pedro Lemes (baixo) e Brian Stone (vocais). Talvez seja culpa do tempo de palco curto, mas os caras não apresentaram o mesmo mojo da época de "Ablaze" (2019). Guitarras abafadas vindas de ambos JCM 2000 não atingiam a expectativa timbrística de um death metal fincado que escutamos nos consistentes lançamentos da banda. Tampouco a bateria ultratriggada de Edu Lane, usualmente a alma do grupo, soou bem. Nem boas músicas como "Pazuzu is Here" e "Feast of Cain" salvaram uma apresentação abaixo da média.

Quando os trigêmeos do Krisiun subiram ao palco, a galera já estava aquecida e besuntada. É palpável o controle e ritmo que os veteranos têm em suas apresentações. São mais de 30 anos e 12 full-lengths. Com extrema maestria os irmãos Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) acompanham o frontman Alex Camargo. Com muito carisma executaram "Combustion Inferno" e exaltaram nossa cidade como digno berço do metal extremo nacional, lá nos anos 80. Em "Vengeance's Revelation" era significativa a presença feminina no moshpit: com respeito e sem violência excessiva, é bom ver que todos podem se divertir. Após "Descending Abomination" Alex exaltou o metal nacional enquanto acompanhava o público em cântico em homenagem ao Poder Executivo. Então, o ponto alto do show é o grande hit da carreira "Blood of Lions". Houve grande quebra-quebra civilizado na pista ininterrupto quando a banda executou versão endiabrada de Ace of Spades.

O fim se aproximava com "Scars of Hatred" e com ele a certeza de quão sólida é a carreira e presença do Krisiun no cenário mundial de death metal. Moyses tem pegada absurda e timbre extremamente bem assentado no mix. Max é um baterista preciso e técnico, sem firula, que carrega a sonoridade da banda. Já Alex é o frontman perfeito para a banda, baixista competente e de grande carisma. Krisiun é a ponta da lança do death metal brasileiro. Há algum tempo.

Após atravessarmos o reino da morte, descendemos ao domínio das trevas.
Pontualmente o nevoeiro cadavérico avançou sobre os presentes. Helmuth e Serpenth, acompanhados de competentes músicos de turnê, vêm ao Brasil e América Latina prenunciando seu décimo segundo álbum "The Devils" com lançamento em Junho de 2022. Belphegor é como o AC/DC do blackened death metal, em atividade desde 1991 e debut em 1995. Cada lançamento é certeza de continuidade, peso e capirotagem.
A iluminação de palco, apesar de simplória, contribuia muito para o clima sombrio em que a banda trabalha. Tons azuis emanando de baixo contrapunham feixes vermelhos transformando o palco num cemitério macabro dos anos 80. Com poucas palavras e muitos olhares, parecem cadáveres há pouco ressuscitados em ritual necromante.

A banda é extremamente técnica: o líder Helmuth encarregado das linhas vocais graves sempre fez ótimo trabalho como guitarrista solo e base. Serpenth, baixista presente na formação desde o primeiro álbum numa grande gravadora, "Pestapokalypse VI" (2006) pela Nuclear Blast, provém vocais rasgados de black metal. Ambos músicos acompanhantes não tiveram seus nomes divulgados até o momento. Ao longo dos anos a banda contou com grandes bateristas do metal extremo, seja nas gravações ou apresentações, como James Stewart e Tony Laureano. Ambos músicos acompanhantes são extremamente competentes. O som da banda é muito técnico, guitarristas se revezam em solos rápidos e estavam todos claramente bem preparados para a turnê.

O set consistiu principalmente de faixas do último lançamento "Totenritual" (2017) e "Pestapokalypse VI". Foram executadas duas músicas do vindouro álbum: a inédita "Sanctus Diaboli Confidimus" e a cadenciada, e sensacional, "Virtus Asinaria - Prayer" disponibilizada no YouTube no dia anterior.

Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Após cerca de 60 minutos de muita intensidade, finale ritualístico. Os desavisados, pouco habituados com as práticas do gênero, viram a banda deixar o palco abruptamente enquanto preces em latim sussurravam até as luzes da casa se ascenderem. Ótima noite de metal extremo. Público respeitoso, forte presença feminina e cast talentoso.

Setlist Belphegor, Mister Rock, Belo Horizonte, 26 de maio de 2022:
1. Swinefever - Regent of Pigs
2. The Devil’s Son
3. Sanctus Diaboli Confidimus
4. Belphegor - Hell’s Ambassador
5. Stigma Diabolicum
6. Conjuring the Dead/Pactum in Aeternum
7. Lucifer Incestus
8. Virtus Asinaria - Prayer
9. Baphomet
10. Totentanz - Dance Macabre
11. Gasmask Terror




























































































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