Metallica: A primeira quinta-feira de maio foi muito especial para os headbanges do RS
Resenha - Metallica (Estacionamento da Fiergs, Porto Alegre - RS, 05/05/2022)
Por Guilherme Dias
Postado em 07 de maio de 2022
Fotos por Liny Oliveira
A primeira quinta-feira do mês de maio foi muito especial para os headbanges do Rio Grande do Sul. O Metallica se apresentou no estacionamento do Centro de Eventos da FIERGS para aproximadamente 40 mil fãs, um número histórico. Coincidências à parte, apenas um dia antes de completar 23 anos da primeira apresentação deles na capital gaúcha, em 6 de maio de 1999, no Jockey Club. Naquele ano, a cidade havia recebido o Kiss um mês depois. Dessa vez, o Metallica se apresentou uma semana depois dos seus conterrâneos maquiados.
Após dois anos de uma pandemia que parecia ser eterna, eventos culturais estão retornando para a realidade do nosso país. Depois de diversas remarcações de datas, finalmente foi a vez do Metallica apresentar o que tem de melhor para os gaúchos. A abertura ficou por conta do Ego Kill Talent, formada por Jonathan Dörr nos vocais e Theo van der Loo, Niper Boaventura, Raphael Miranda e Jean Dolabella nos demais instrumentos, fazendo a troca deles o tempo todo, conforme a necessidade de cada música. Os multi-instrumentistas apresentaram canções do seu álbum debut lançado em 2017 e do mais recente trabalho "The Dance Between Extremes" (2021). Entre elas, destaque para "Now!" (responsável por abrir os trabalhos) e "The Call", do último álbum, e "Last Ride", onde Jonathan teve a plateia em suas mãos. Jonathan é muito conhecido no sul, pelo seu trabalho na banda Reação em Cadeia, e se sentiu muito à vontade no palco, dizendo em diversos momentos que estava muito feliz em compartilhar a sua apresentação com o público e agradeceu imensamente ao Metallica e toda a sua produção ao término do show.

Como convidados especiais para a turnê, o Greta Van Fleet também teve a missão de mostrar o seu talento antes do Metallica. A sua formação conta com os gêmeos Josh Kiszka e Jake Kiszka (vocal e guitarra, respectivamente), com o irmão mais novo Sam Kiszka (baixo) e com o amigo de infância dos irmãos Kiszka, Daniel Wagner (bateria). A "Dreams in Gold Tour 2022" teve início nos Estados Unidos, passou pelo Chile e Argentina (como convidados do Metallica), e teve um show solo no Rio de Janeiro no último dia 3 de maio com o repertório completo.

Ao apagar das luzes, um belo e sonoro "Boa noite, Porto Alegre!" de Josh, abrindo o sorriso dos fãs que estavam espalhados pela pista. Os norte-americanos de Michigan iniciaram com "Built by Nations" do último disco "The Battle at Garden's Gate" (2021), seguida da animada e objetiva "Black Smoke Rising" (presente nos dois primeiros EP’s do grupo). Do álbum de estreia "Anthem of the Peaceful Army" (2018) apenas uma canção apresentada: "Lover, Leaver (Taker, Believer)", com direito a um incrível dueto entre os vocais de Josh e a guitarra de Jake no solo. O foco realmente estava no trabalho mais recente. A banda de hard rock com muita influência na década de 1970 encerrou a apresentação com "My Way, Soon", lembrando os primeiros anos do Rush e a longa, melancólica e pesada "The Weight of Dreams", onde o destaque foi para a ida de Sam aos teclados. A força de Daniel nos tambores, o feeling de Jake em um solo interminável e inspirado no que Jimmy Page fazia há décadas e o passeio de Josh pelo longo palco, distribuindo rosas para os espectadores mais próximos do palco. Greta Van Fleet representa o rock and roll melhor do que ninguém em pleno 2020's. Será que estarão lotando estádios pelo mundo daqui a alguns anos? Eu não tenho dúvidas disso. A escolha no repertório foi muito feliz para o que estava por vir em seguida, o poderoso heavy/ thrash metal do Metallica.

Um pouco depois das 21 horas, os estadunidenses do Metallica finalmente subiram ao simples e gigantesco palco montado no Estacionamento da FIERGS. A letra "M" do lado esquerdo do palco, a letra "A" do lado direito e os telões gigantescos no centro emolduravam o espetáculo. Poucos amplificadores, a bateria de Lars e diversos microfones ilustravam o campo de batalha da guerra metálica que estava por vir. Como de costume, vários artistas escolhem uma música para tocar no som mecânico antes das apresentações. Na "WorldWired Tour", a escolhida para tocar antes de todos os shows é "It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)" do AC/DC e "The Ecstasy of Gold" de Ennio Morricone e trilha de "The Good, The Bad, The Ugly". Nesse momento, com direito a imagens do filme no telão. O primeiro tiro veio com a arrasa quarteirão "Whiplash!", mostrando de cara a agressividade que o público receberia na noite. Seguida apenas por "Ride The Lightening", que dispensa comentários. Sem perder tempo, a sequência foi matadora com as inesperadas "Harvester of Sorrow" e "No Remorse". Entre elas, "Seek and Destroy", a mais "leve" entre as apresentadas, fazendo um passeio pelos primeiros anos da banda, onde a sonoridade era voltada exclusivamente para o thrash metal.

Uma pequena pausa no peso para o calmo início de "One", com imagens de soldados no telão e magníficos efeitos pirotécnicos, onde as explosões de tiros e bombas nas caixas de som eram ilustradas por fogos e chamas espalhados na frente e em cima do palco. Não apenas em "One", mas em diversas outras canções, como em "Moth in the Flame" e "Fuel", que funcionaram perfeitamente bem com todos os fogos aquecendo por alguns segundos quem estava na plateia.

Outro clássico absoluto muito bem recebido foi "For Whom The Bell Tolls". Entre fogos e chamas, a pirotecnia deu certo até quando não foi utilizada, quando no trecho "Take a look to the sky just before you die/ It is the last time you will" todas as luzes se apagaram, causando um lindo assustador apagão de 1 segundo. Muitos celulares apontando a câmera para o palco durante a balada "The Unforgiven", agradando quem conhece o Metallica pela rádio e pela TV, e muita surpresa no momento de "Welcome Home (Sanitarium)", que estava de fora do repertório nas últimas apresentações e que agradou aos fãs de carteirinha que colecionam camisetas, LPs e memórias de terem visto músicas lado B ao vivo.

Antes do bis, "Master of Puppets" gerou uma cantoria absurda. Que seguiu na parte final com "Blackened", "Nothing Else Matters" e "Enter Sandman". O final foi épico, com fogos de artifício lembrando as festas de virada de ano. Não deixa de ser um ano novo para os espectadores que sentirão uma falta absurda desse evento em suas vidas. Quando as luzes já estavam sendo apagadas, James Hetfield, Kirk Hammett, Lars Ulrich e Robert Trujillo voltaram para o palco e se despediram do público, um por vez, deixando um recado especial para quem já estava saindo pelos portões rumo a suas casas. O recado mais especial foi o de Trujillo, cantando: "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor".

Apesar de ser um show que será lembrado por anos, vale lembrar que o local escolhido primeiramente havia sido a Arena do Grêmio, local com diversos setores e uma infraestrutura muito superior ao Estacionamento da FIERGS que ofereceu apenas setores de pista e pista premium, prejudicando quem já havia comprado ingressos de cadeiras. O tamanho do Metallica sempre vai merecer locais como estádios e Arenas modernas para que os fãs tenham a melhor experiência possível. Esperamos que o Metallica faça o favor de voltar para Porto Alegre, porém, em um intervalo menor do que 12 anos na próxima vez.




















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