Metallica: o som pesado, de uma lenda viva, um monstro sagrado, sempre será bem-vindo
Resenha - Metallica (Estacionamento da Fiergs, Porto Alegre - RS, 05/05/2022)
Por Rudson Xaulin
Postado em 07 de maio de 2022
A capital gaúcha recebeu um dos maiores nomes do rock n’ roll mundial, e não fez feio, o público compareceu em massa na FIERGS, eu iria dizer em peso, mas o peso eu deixo para o que a banda mostrou no palco. O entorno do local do show já estava com o trânsito bem complicado logo após ao meio dia e já perto do horário da abertura dos portões, foi ficando ainda mais intenso, ou seja, tudo normal, o show seria grandioso. Muita gente vendendo souvenir da banda, muita gente colocando aquela peita da banda pela primeira vez na vida, alguns pelo show da vida, outros perdidos acompanhando alguém, mal eles sabiam que seriam espancados pela banda horas depois.
O palco era grandioso, grandes letras M e A, enormes, com mais de vinte metros de altura, enfeitavam cada extremidade do palco. Essas letras, serviram de fundo para inúmeras fotos de quem vinha chegando e se amontoando para o show. Os copos oficiais foram disputados, como sempre, uma pena que os da patrocinadora, eram ainda mais escassos e mal distribuídos pelos bares, que eram muitos, os bares foram alocados em formato de U, fechando o publicado, sendo rodeado por bares, lancherias e banheiros, mas mesmo assim, tais copos, eram difíceis de achar e todo mundo perguntava para todo mundo, onde achar, copos oficiais e copos da patrocinadora.
O METALLICA subiu ao palco até que pontual, e WHIPLASH foi a escolhida para abrir o show. Por ser a primeira faixa, a primeira aparição da banda, o público foi ao delírio e ali, a banda já mostrava que estava separando os homens dos meninos. Som violento, como previsto, te espancando do começo ao fim, que paulada! A banda oscilou bem o set em relação a shows anteriores, e isso foi legal. RIDE THE LIGHTING veio e logo depois HARVESTER OF SORROW, mas foi em SEEK & DESTROY, que se ouviu pela primeira vez, uma galera em uníssono, ali a FIERGS veio abaixo. Foi nela que os fogos apareceram pela primeira vez, e mesmo tão altos, além de iluminar a multidão, eles aqueciam seu rosto, naquela boa amostra grátis do inferno, pois o frio já havia predominado na capital. LARS ULRICH, o que sempre é malhado de maneira coesa por headbangers do mundo todo, brincou um pouco com a bateria aqui. É estranho, ele ser "tão ruim assim", e estar em uma das melhores bandas do mundo. Se ele fosse esse "descartável", que os bateristas de teclado tanto falam, porque diabos o METALLICA ainda o manteria? E por favor, sem teorias, sem porque ele é dono. Ele mandou bem e foi um show à parte, engraçado, fazendo caretas e se divertindo.
Corujas dividiam o céu noturno com aviões que não paravam de enfeitar a noite, de céu estrelado naquele momento e com uma bonita lua a nossa esquerda, além do grande bandeirão gaúcho bem iluminado, podendo ser visto com facilidade. Falando em aviões, acho que aquele piloto do Airbus da LATAM, era banger, pois aquela baixa curva a esquerda, ficou com cara de que mais alguém queria estar lá naquela noite. Muitas explosões dos fogos, nas altas torres dentro do público e em cima do palco, as labaredas eram enormes, iluminavam tudo, algumas explosões e até um helicóptero da polícia, que ia e vinha. Mais e mais aviões e o show seguia, com a icônica ONE e seus belos efeitos de luzes, que fez todo mundo, eu disse, todo mundo, cantar com JAMES HETFIELD, o guitarrista e vocalista, já com traços da idade, agradeceu bastante a "família Metallica", que demorou para o show acontecer, mas que eles estavam muito felizes de estarem de volta. Euforia geral, claro.
SAD BUT TRUE, que paulada, que paulada! O baixista ROBERT TRUJILLO, um animal feroz que sai da jaula quando está lá em cima, deu um peso enorme em MOTH INTO FLAME, e mais e mais fogos, muitas labaredas e TRUJILLO dando o suporte que JAMES precisa, aliado ao excêntrico guitarrista, KIRK HAMMETT, o cara que gosta do grotesco, dos filmes de terror clássico e coleciona coisas esquisitas, basicamente, é um personagem precioso da banda, e mais parece isso, que um personagem saiu de uma revista em quadrinhos, para subir naquele palco e esmerilhar aquela guitarra sem dó. JAMES HETFIELD pegou um violão e era hora de THE UNFORGIVEN, um dos pontos altos do show, um belo momento e muitos, e desnecessários celulares, fizeram um mar de pequenas telinhas sem graça e sem resolução, enquanto a banda está diante dos seus olhos naquele momento único e mágico.
Outra que soou melhor ainda ao vivo, foi FOR WHOM THE BELL TOLLS, que mostrou um bom trabalho de telão com um corvo gigante, voando por todos os três enormes telões. Quando os sinos tocaram, o público já estava rendido, já era todo da banda, mas o METALLICA meteu ainda mais peso, mais força e era impressionante como a banda estava te surrando sem dó de cima daquele palco. O telão foi um bom aliado da banda com efeitos e introduções, mas para muitas pessoas da plateia, ele era baixo, deveria estar pelo menos uns dois metros mais alto, se não mais, ou bem mais, mas, é isso... FUEL veio como um cavalo a galope, onde JAMES deixou o público muitas vezes ecoar o refrão, e ela era tão, mas tão esperada, que a chão da FIERGS tremia.
O show começava a dar sinais de que estaria indo para o fim, em WELCOME HOME e MASTER OF PUPPETS, a banda já se despediu do público pela primeira vez e voltou na sequência, para BLACKENED e a tão esperada NOTHING ELSE MATTERS, que muita gente estava com medo de não tocarem, mas LARS & Cia, não decepcionaram. E por fim, onde os fracos precisam fugir para as colinas, era hora de ENTER SANDMAN, onde ninguém ficou parado. Que energia, que adrenalina e que banda! Essa fez o chão tremer muito, como um grande coração pulsante, bem debaixo dos seus pés. Ao final, mais despedida, algumas palavras com o público, algumas coisas jogadas e muitos fogos de artifício. O METALLICA saiu de cena ovacionado, muitos queriam mais, muitos gritaram por WHISKEY IN THE JAR, mas fica para a próxima. Que a banda não demore tanto a nos ver de novo, pois uma FIERGS lotada, mostrou que o som pesado, de uma lenda viva, um monstro sagrado, sempre será bem-vindo!
- Rudson Xaulin é escritor, autor e produtor.
- Mais de 130 livros escritos.
- Publicados em Portugal, Brasil, Argentina e Inglaterra.
http://www.rudsonxaulin.com
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