Barão Vermelho: um show pra se jogar de cabeça em São Paulo
Resenha - Barão Vermelho (Casa Natura, São Paulo, 24/08/2019)
Por Nelson de Souza Lima
Postado em 29 de agosto de 2019
Quando um jornalista vai conferir um espetáculo, quer seja show, peça de teatro, performance de dança ou exposição, passa por duas situações.
A primeira é acompanhar tudo de forma técnico/acadêmica, seguindo os rituais jornalísticos, se atendo aos detalhes, reparar se não houve falhas, esmiuçando o espetáculo de forma burocrática e rançosa.
Ou vai pelo segundo caminho: esquece tudo isso e curte como se não houvesse amanhã, se jogando de cabeça.
No show do Barão Vermelho que rolou no último sábado lá na Casa Natura Musical, zona oeste de São Paulo, optei pelo segundo.
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Curti, cantei, berrei e reverenciei os cariocas que estão em nova turnê, agora com Rodrigo Suricato muito mais à vontade empunhando o microfone. O cara que tirou dos ombros a carga de assumir o posto que já foi de Roberto Frejat e Cazuza tá descontraído, leve, e o mais importante, se divertindo à frente deste gigante do rock nacional que já passou dos 35 anos de carreira.
O Barão, que viveu momentos incertos nos últimos anos com a carreira paralela de Frejat, encarou sua saída de forma amigável e desde que Suricato assumiu de vez os vocais em 2016 voltou com tudo. Um momento especial, ainda mais que lançaram recentemente o álbum "Viva", décimo oitavo da carreira e o primeiro de inéditas desde 2004.
Atualmente a banda traz, além de Suricato, Maurício Barros (teclados), Guto Goffi (bateria), os dois únicos integrantes originais, Fernando Magalhães (guitarra) e Márcio Alencar (baixo) que substituiu Rodrigo Santos.
"Viva" foi totalmente concebido pela banda sem parcerias externas e isso reflete na unicidade que os caras mostram no palco. Orgânico, pesado e técnico.
Tudo muito bem dosado. Contudo os caras não tocaram muitas músicas novas. No show na Casa Natura Musical foram apenas duas: "Eu Não Estou Só" e "Jeito". O restante do repertório trouxe os clássicos de toda a trajetória do grupo, passando pelas fases Cazuza e Frejat, além de canções solo desses artistas, sendo completado por homenagens a Raul Seixas, Legião Urbana e Bezerra da Silva.
Já passava das 22 horas quando as luzes apagaram e o telão gigante no fundo do palco se iluminou, em seguida a banda entrou, um a um, sendo saldados pelos fãs.
De cara mandaram uma trinca sensacional: "Ponto Fraco", "Bete Balanço" e "Mais uma dose". Apresentação começou no gás. No telão imagens da banda, intercalando com cenas de clipes e um jogo de luzes inebriante.
Lógico que os fãs entraram no pique e foi assim até o final. Sem parada pra respirar. O mais legal é que Rodrigo Suricato, além de cantar bem, faz solos e riffs de maneira precisa. Muito simpático vai de um canto ao outro do palco, brinca com Fernando Magalhães, dobra as guitarras, evidente que tá feliz e comprova ter sido a escolha certa.
Por várias vezes enalteceu o fato de ser fã do Barão desde a adolescência e ter como base musical as canções do, agora, companheiros de banda.
O quinteto mostrou estar super ensaiado não dando brechas pra erros ou falhas. Todos muito técnicos detonando hit atrás de hit. "Eu queria Ter uma Bomba", "O Poeta está Vivo", "Meus Bons Amigos". Que sequência legal pro dia nascer realmente feliz.
Pra lembrar os 30 anos da morte de Raul Seixas mandaram "Tente Outra Vez", enquanto no telão rolavam imagens do Maluco Beleza. Da Legião mandaram "Quando o Sol Bater na Janela do seu Quarto".
Maurício Barros anunciou "Eu não Estou Só" e "Jeito", as novas mas que já fazem parte da história do Barão e não deixam a poeira baixar.
O tecladista mostrou também que manda bem nos vocais cantando "Cuidado" e "Pense e Dance" (na qual Márcio Alencar fez um solo de baixo interessante) e "Vou apertar, mas não vou acender agora", do grande Bezerra da Silva.
Por volta das 23h21 deixaram o palco voltando logo depois pra encerrar com mais alguns clássicos.
"Exagerado", do Cazuza, "Amor pra Recomeçar", parceria de Maurício Barros e Frejat, "O Tempo não Para" e o gran finale com "Pro Dia Nascer Feliz". Um set list de respeito, um show primoroso, com a plateia saudando e enaltecendo a volta do Barão Vermelho.
Grande apresentação.
Set list Barão Vermelho - Casa Natura Musical
Ponto Fraco
Bete Balanço
Mais uma dose
Eu queria ter uma bomba
Meus Bons Amigos
Tente Outra Vez - Cover do Raul Seixas
O Poeta Está Vivo
Eu Nunca Estou Só
Jeito
Por Você
Pense e Dance
Cuidado
Vou Apertar Mas não vou Acender Agora - Cover do Bezerra da Silva
Quando O Sol Bater na Janela do Seu Quarto - Cover da Legião Urbana
Puro Êxtase
Encore
Exagerado - Cover do Cazuza
Amor pra Recomeçar - Cover do Frejat
O Tempo não para - Cover do Cazuza
Pro Dia Nascer Feliz
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