Overload Beer Festival: Sonzeira, suor e cerveja
Resenha - Overload Beer Festival (Carioca Club, São Paulo, 03/02/2019)
Por Nelson de Souza Lima
Postado em 09 de fevereiro de 2019
Rolou no último domingo no Carioca Club, zona oeste de São Paulo, a 1ª Edição do Overload Beer Festival. Inspirado no antigo Overload Music Festival trouxe um line up duca com bandas que levaram o ótimo público ao êxtase coletivo, com pogos gigantes, stage dives e muita cerva.
Não à toa os grupos escalados pro evento são devotos fervorosos de Nossa Senhora do Malte, entre eles, os alemães cervejeiros do Tankard.
Além deles, outras cinco bandas provocaram ondas sísmicas bem próximas de nove na escala Richter. As brasileiras Blastrash, Surra, DFC e Ratos de Porão mostraram que quando o assunto é porradaria mandam bem.
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Blastrash e Surra são bastante promissoras, enquanto os veteranos DFC e Ratos de Porão já estão na estrada há mais de 25 anos. Fecharam a noite os cultuados americanos do Overkill. Foram mais de sete horas de sonzeira e uma casa absolutamente lotada levou a temperatura às alturas. Aliás, esse assunto foi recorrente nos últimos dias com média de 34 graus. No domingo uma frente fria derrubou a temperatura para "aprazíveis" 30 graus. Isso fez com que boa parte do público adiasse um pouco pra entrar preferindo se concentrar nos bares próximos à casa. Devo dizer que foram problemas técnicos/cervejeiros que fizeram com que eu perdesse os shows da Blastrash e do Surra. Não vou poder opinar muito sobre suas apresentações. Peço desculpas às bandas e seus fãs, contudo tenho certeza que foram grandes shows.
Quando entrei os roadies preparavam o palco pra receber o DFC. Os brasilienses entraram por volta das 16h50. Como eles mesmo dizem "estão há 25 anos se fodendo nas estradas do Brasil". A banda formada por Tulio (vocal), Miguel (guitarra), Leonardo (baixo) e Bruno (bateria) mandaram porradas singelas como "Vai se Foder no Inferno", "Vou chutar sua cara", "O Massacre da Serra Elétrica" e O Mal que vem para Pior". Tulio é um ótimo frontman. Sabe entreter a galera. Imita um locutor de rádio com ótimas tiradas. Uma de suas melhores canções é a homenagem a Brasília. "Cidade de Merda" que fala de toda a podridão da Capital do Brasil.
Por volta das 17h37 o quarteto encerrou sua apresentação ovacionado pelo público.
Cerram as cortinas e a galera espera por Ratos de Porão. Às 18h10 João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) entram pra iniciar sua avalanche sonora. É ótimo ver que os caras ainda têm fôlego, mesmo com mais de trinta anos de estrada. O vigor dos veteranos coloca muita banda nova no chinelo. O espólio sonoro do RDP é enorme sendo que o set list visitou discos clássicos. Do debute "Crucificados pelo Sistema", de 1984, mandaram a faixa-título, obrigatória. "Brasil", de 1989, foi o álbum que contribuiu com mais canções: "Amazônia Nunca Mais", "Lei do Silêncio" e "Farsa Nacionalista". Outras pancadas que integraram o set foram "Crianças Sem Futuro", "Testemunhas do Apocalipse" e "Crocodila". No encerramento mandaram "Crise Geral", do "Cada Dia Mais Sujo e Agressivo", de 1987.
Às 18h49 João Gordo e companhia deixaram o palco jogando "brindes" pros fãs. Jão e Boka tiraram suas camisetas suadas e jogaram pro público. Não sei se foi uma boa pra quem pegou. Enfim, hora de esperar pelo Tankard.
Rock e cerveja são uma combinação tão simbiótica quanto arroz com feijão e nenhuma banda é tão devota de brejas geladas quanto o Tankard. Como bons alemães o grupo surgido em Frankfurt em 1982 sabe enaltecer em suas músicas cerveja e mulherada. Liderada pelo gente boa Andreas "Gere" Geremia (vocal), o Tankard entrou no palco às 19h20. Os riffs matadores do guitarrista Andreas "Andy" Gutjahr fez a alegria dos banguers. Pescoços foram deslocados por porradas como "Zoombie Attack", do primeiro álbum dos caras de 1986, "Rules for Fools", do disco Vol(I)ume 14, de 2010 e "Rectifier", de 2012.
Completam a formação do Tankard o baixista Frank Thorwarth que não para no palco e o batera Olaf Zissel.
Como disse o Tankard é a banda que mais entende de cerveja no mundo. A bebida tá presente em letras de praticamente todos os discos. Vide a porradaça "Die With a Beer in Your Hand", do Beast Of Bourbon, de 2008, "A Girl Called Cerveza", do homônimo de 2012 e no mais recente One Foot in The Grave, de 2017 que contribuiu com a faixa-título e R.I.B (Rest In Beer). Desnecessário dizer que as brejas estavam presentes no palco para aplacar a sede de Geremia e sua turma. O cara até jogou algumas latas pra galera, além de ter feito uma chuva de gelo, jogando cubos e mais cubos no público pra amenizar o calor.
Uma festa total. A certa altura um cara tão gordo quanto Geremia subiu no palco pra um stage dive insano. Pena de quem tava embaixo.
Os alemães encerraram com "Empty", da coletânea de 2007. Deixaram o palco aos berros de Olê, Olê, Olê, Tankard, Tankard. Show de alto nível.
Pra fechar o Overload Beer Festival não poderia ter sido melhor escolha. Com quase 40 anos de estrada os americanos do Overkill são uma lenda do Trash metal com músicas que estão entre as mais significativas do gênero. O quinteto traz na atual formação Bobby "Blitz" Ellsworth (vocal), Carlo "D.D". Verni (baixo), Dave Linsk (guitarra),Derek Tailer (guitarra) e Jason Bittner (bateria) e mostraram um set que passeou por praticamente toda sua discografia iniciada em 1985 com "Feel The Fire". Aliás desse disco mandaram as porradas "Rotten to the Core" e "Hammerhead". Fizeram um repertório equilibrado abordando essas quase quatro décadas de trajetória. Do Taking Over, de 1987, mandaram "In Union We Stand" e "Wrecking Crew", do Under The Influence, de 1988, detonaram "Hello From The Gutter", do clássico álbum Horroscope, de 1991, tocaram "Infectious", enquanto do disco The Electric Age, de 2012, tiraram "Electric Rattlesnake".
O trabalho mais recente do Overkill é The Grinding Wheel, lançado em 2017. Desse álbum detonaram as porradas "Mean, Green, Killing Machine" e "Goddamn Trouble". Um cara que assistia o show atrás de mim praticamente foi às lágrimas com tamanha precisão com que as músicas foram executadas. Os americanos têm bagagem. E claro que as coisas que os gringos mais gostam de aprender no nosso idioma são os palavrões. Bobby "Blitz" mostrou que aprendeu bem ao chamar a plateia de "Filhos da Puta" mandar todo mundo se foder quando interpretaram "Fuck You", dos ingleses do Subhumans. Dedos em riste e a música foi reprisada no encore.
Por volta das 22h30 o Overkill encerrou um festival que teve de tudo principalmente suor, cerveja e uma sonzeira boa pra cacete.
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Overload Beer Festival
Set List - Ratos de Porão
Crocodila
Òdio
Amazônia Nunca Mais
Lei do Silêncio
Testemunhas do apocalipse
Crianças Sem Futuro
Farsa Nacionalista
Crucificados Pelo Sistema
Beber Até Morrer
Crise Geral
Set List - Tankard
One Foot in The Grave
The Morning After
Zombie Attack
Not One Day Dead (But Mad One Day)
Rapid Fire (A Tyrant's Elegy)
Rules for Fools
Die with a Beer in Your hand
Minds on The Moon
Intro: R.I.B (Rest in Beer)
R.I.B. (Rest in Beer)
Pay to Pray
Rectifier
Chemical Invasion
A Girl Called Cerveza
(Empty) Tankard
Set List - Overkill
Mean, Green, Killing Machine
Rotten to the Core
Electric Rattesnake
Hello From The Gutter
In Union We Stand
Coma
Infectious
Goddamn Trouble
Wrecking Crew
Head Of a Pin
Hammerhead
Ironbound
Encore
Elimination
Fuck You - The Subhumans Cover
Sonic Reducer - Dead Boys Cover
Fuck You - Reprise - The Subhumans Cover
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