O encontro digno de quinta série de João Gordo e Clemente com um diretor da Rede Globo
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de outubro de 2025
Os bastidores do rock brasileiro dos anos 1980 estão cheios de histórias inusitadas, mas poucas são tão surreais quanto a participação de João Gordo e Clemente Nascimento (dos Inocentes) em uma novela da Rede Globo. O episódio, lembrado com humor pelo próprio Clemente em entrevista ao jornalista André Barcinski, aconteceu durante as gravações de Eu Prometo (1983), a última novela escrita por Janete Clair.

Na época, a emissora buscava jovens com visual punk para participarem de uma cena de festa que envolvia a atriz Fernanda Torres e o ator Ney Latorraca. O vocalista do Ratos de Porão, João Gordo, relembrou também em entrevista a Barcinski que tudo começou quando um produtor apareceu em uma loja de discos na Rua Augusta convidando os punks para fazer figuração. "A Globo alugou um ônibus, pagou cachê pra todo mundo - tava todo mundo desempregado", contou Clemente, rindo da situação. "Fomos eu, o Gordo e mais uns 40 punks de São Paulo."
O diretor responsável pela gravação era ninguém menos que Denis Carvalho, um dos nomes mais respeitados da dramaturgia brasileira. Mas o respeito não impediu a turma punk de agir como se estivesse em um recreio da quinta série. Segundo Clemente, eles começaram a brincar com o nome do diretor, trocando as letras e o apelidando de "Seu Pênis Caralho". "A gente ficava chamando ele disso o tempo todo", contou entre risadas. "Imagina o cara, um diretor da Globo, tentando gravar com quarenta punks rindo e zoando o tempo inteiro."
O caos só aumentou durante a gravação da cena de festa. Os figurantes receberam copos cenográficos - cheios de uma falsa cerveja - e foram instruídos a parecer animados diante das câmeras. "Não tinha como! Aquela bebida cenográfica não dava pra enganar", disse Clemente. "Aí eu fui até o Denis e falei: 'Ô, seu Pênis, com essa cerveja aqui não dá pra ter animação nenhuma!'." O pedido foi atendido: a produção mandou servir cerveja e vodca de verdade. "Aí sim a festa começou de verdade. Os punks chaparam o coco, e a cena ficou melhor do que antes", relembrou.
O episódio também ficou marcado pela cena bizarra em que João Gordo, segundo relato, acabou bebendo champanhe no sapato de Fernanda Torres. O momento foi tão absurdo que virou lenda urbana do rock nacional. "A novela era Eu Prometo, com o Francisco Cuoco fazendo um deputado e a Fernanda Torres como filha dele. Ela dava uma festinha e chamava uns punks. Lembro que bebi champanhe no sapato dela", disse Gordo, em tom de deboche.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ritchie Blackmore fala sobre saúde e atual relação com membros do Deep Purple
"A maioria dos guitarrista não são boas pessoas mesmo", admite Ritchie Blackmore
Dennis Stratton se manifesta sobre entrada do Iron Maiden no Hall of Fame
Regis Tadeu se manifesta sobre os problemas da turnê de reunião do Kid Abelha
A reação de George Israel ao retorno do Kid Abelha
Rafael Bittencourt usa Garrincha e Pelé para explicar diferença em relação a Kiko e Marcelo
Os 10 músicos do Iron Maiden indicados ao Rock and Roll Hall of Fame
O melhor riff de guitarra criado pelo Metallica, segundo a Metal Hammer
Steve Harris esclarece que Iron Maiden não participou da produção de documentário
Hamburgueria que atendeu o Guns N' Roses em Porto Alegre fixa pedido da banda no cardápio
O conselho que Aquiles Priester deu a Ricardo Confessori na época do "Fireworks"
O maior disco do metal para James Hetfield; "Nada se comparava a ele"
Dave Mustaine diz que influenciou todas as bandas do Big Four do thrash metal
Iron Maiden é confirmado no Hall da Fama do Rock; Bruce Dickinson vai aceitar a homenagem?
O bizarro dia que João Gordo tomou champagne no sapato da atriz Fernanda Torres
Inocentes em Sorocaba - Autenticidade em estado bruto - Uma noite nada inocente para se lembrar
Punk: como eles fizeram o rock retomar rebeldia após o prog "chato", segundo Clemente
Por que Ratos de Porão e Cólera saíam do Brasil e Inocentes não, segundo Clemente


