Queremos: resenha e fotos do festival do Rio de Janeiro
Resenha - Queremos Festival (Marina da Glória, Rio de Janeiro, 25/08/2018)
Por Gabriel von Borell
Postado em 30 de agosto de 2018
Oito anos depois de seu surgimento, a plataforma de financiamento coletivo Queremos! ganhou seu primeiro festival, realizado no último sábado (25) na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Com atrações nacionais e internacionais que estão em voga na cena alternativa, o evento reuniu um ótimo público que aproveitou 14 horas de música em dois palcos não simultâneos, para todo mundo curtir cada apresentação.
Apesar do tempo fechado na cidade, os cariocas estavam animados para os shows. Depois da abertura com o DJ Nepal, às 14h, os fãs de Letrux receberam com entusiasmo a vocalista Letícia Novaes e o restante da banda. No repertório, o grupo apresentou canções do álbum "Letrux em Noite de Climão" (2017), como "Vai Render", "Que Estrago", "Ninguém Perguntou por Você" e "Coisa Banho de Mar". Ainda se destacaram o cover de "Unchained Melody", da dupla The Righteous Brothers, canção eternizada pelo filme "Ghost: Do Outro Lado da Vida", de 1990, e a faixa em inglês de Letícia "5 Years Old".
Após a apresentação da Letrux, era vez de Rubel subir ao palco para embalar o público com suas composições calmas e cheias de poesia. O repertório do cantor, que vestia uma camisa da seleção argentina mas não foi hostilizado, trouxe músicas de seu EP de estreia, "Pearl" (2013), como "Quando Bate Aquela Saudade", "O Velho e o Mar" e "Ben", e também do disco lançado neste ano "Casas", como "Partilhar".
Na sequência do line-up, veio a cantora Xênia França, uma das revelações da música brasileira em 2017. A artista mostrou as faixas presentes no seu primeiro álbum, "Xênia", lançado no ano passado e que traz o single "Pra que me chamas?". A próxima banda a dar às caras no festival foi o Boogarins, com sua vibe psicodélica a la Os Mutantes.
Competentíssimo, o quarteto prendeu a atenção da plateia com as canções do CD de estreia "As Plantas que Curam" (2013), como "Doce", do segundo álbum, "Manual" (2015), como "6000 Dias" e "Benzin", e do recente EP "Lá Vem a Morte" (2017), como "Foimal", "Onda Negra", "Lá Vem a Morte, Pt 2" e "Corredor Polonês".
Mais tarde, a cantora sueca ionnalee começou sua apresentação quando a noite chegou. Animada ao ver tanta gente ali na sua frente, a loira estava toda performática, com ventiladores direcionados para suas longas madeixas (no melhor estilo Beyoncé do indie), enquanto cantava seus hits com pegada pop eletrônica, como "Samaritan", "Gone" e "Blazing".
O festival continuou com Father John Misty, que veio em turnê ao Brasil com o elogiado álbum "God's Favorite Costumer" (2018). Do disco, o cantor e compositor norte-americano Josh Tillman tocou a música que dá nome ao disco, "Disappointing Diamonds are the Rarest of Them All", "Please Don' Die" e "Mr. Tillman". O artista folk também cantou sucessos como "Nancy From Now On" e "I'm Writting a Novel", do álbum "Fear Fun" (2012), e "I Love You, Honeybear", "Strange Encounter" e "Boredin the USA", do disco "I Love You, Honeybear" (2014).
Na hora do show do Animal Collective, ficou claro que muita gente não sabia que a apresentação seria dedicada ao experimental disco "Sung Tongs" (2004), ao invés de contar com hits como "My Girls", do disco "Merriweather Post Pavilion" (2009), ou "FloriDada", do "Painting With" (2016). Por isso, parte da plateia dispersou para as áreas de entretenimento do festival e outra começou a bater papo no meio da multidão, o que foi bastante incômodo para quem queria curtir o show.
Em seguida, a temperatura esquentou com a apresentação de Rincon Sapiência. O rapper paulista sacudiu o público com canções do seu álbum de estreia "Galanga Livre" (2017), como a faixa-título do trabalho, "A Coisa Tá Preta", "Crime Bárbaro" e "Ostentação à Pobreza".
O evento seguiu aquecido com a atração que estava por vir: BaianaSystem. Super bombado no país inteiro e com música na novela das nove global "O Segundo Sol", o grupo da Bahia era o show mais aguardado da noite, sem dúvidas. E foi merecido.
Durante mais de uma hora, o Baianasystem botou a Marina da Glória para cantar, dançar e pular até o corpo inteiro ficar suado. Não faltaram hits do aclamado disco "Duas Cidades" (2016), como "Lucro: Descomprimindo", "Bala na Agulha", "Playsom" e "Mercado", além das clássicas rodinhas, com direito à varias figuras do elenco da Globo.
Para fechar o line-up, antes da festa Selvagem, apareceram em cena os australianos do Cut Copy. Sem deixar a peteca cair, o grupo, que bebe deveras da fonte do New Order, segurou a animação do público com hits da sua carreira. Entre os destaques estavam "Need You Now", do álbum "Zonoscope" (2011), "Standing in the Middle of the Field", do recente "Haiku From Zero" (2017), e "Lights & Music", do CD "In Ghost Colours" (2008).
Embora alguns pequenos problemas, como falta de informação na entrada (pelo menos no início do dia), o Queremos Festival! foi uma grata surpresa. Toda a arena estava muito bem estruturada. E o Rio de Janeiro precisava (muito) de um espaço para a música alternativa. É reconfortante perceber que tal lacuna parece estar preenchida, pois o Queremos! já confirmou a segunda edição do evento. Que a iniciativa abra a mente de mais amantes da música em 2019.
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