A banda amada pelo Ira! que irritou o produtor, que mandou ouvirem Rush para se inspirar
Por Bruce William
Postado em 22 de junho de 2023
O jornalista e historiador do rock nacional Júlio Ettore conta, em vídeo, a história de "Envelheço na Cidade", uma icônica música do Ira! que foi escrita em um banco de concreto de um terminal de ônibus em São Paulo, tornando-se uma poderosa reflexão sobre a vida adulta e as complexidades da metrópole. A canção foi lançada no segundo álbum da banda, intitulado "Vivendo e não Aprendendo", de 1986.
Júlio conta que o Ira! havia surpreendido a gravadora WEA após conseguir vender 60 mil cópias do seu primeiro LP, "Mudança de Comportamento", que contém vários clássicos da banda como "Núcleo Base". O Ira! conseguiu provar que não precisava se vender ao mainstream para se promover, participando de programas de auditório e coisas assim. Isso significava que a música deles tinha qualidade e que o público por si só conseguia fazer com que ela fosse bem recebida, sem que precisassem da máquina de divulgação da indústria fonográfica.
Com isso, a banda ganhou moral com a gravadora e a oportunidade de gravar um segundo álbum. No entanto, eles achavam que podiam mais do que efetivamente podiam e se deixaram levar pela arrogância. Pediram um dos produtores mais renomados do Brasil naquele ano de 1986, que era o Liminha. Ele já havia produzido, entre outros, Os Paralamas do Sucesso e o álbum "Cabeça Dinossauro" dos Titãs, ambos grandes sucessos naquele ano. Então, os quatro membros da banda foram para o estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro.
Chegando lá, eles demonstraram uma certa superioridade, como conta Nasi em sua autobiografia, "A Ira de Nasi". Entraram no estúdio com a atitude de que já sabiam o que queriam, apenas pedindo comandos e ajustes. Porém, Liminha não trabalhava dessa forma. Ele era um produtor ativo, que se envolvia no processo produtivo da banda, pois entendia que o resultado crescia com essa abordagem.
O problema começou a surgir quando o Ira! queria um som mais cru, com baixo, bateria e guitarras, com apenas alguns efeitos básicos de mixagem. Enquanto isso, Liminha estava imerso no mundo dos sintetizadores, que estavam se tornando uma febre na época. Bandas como RPM eram grandes exemplos do uso desses sons eletrônicos. Quando o Ira! chegou ao estúdio, Liminha perguntou qual era a referência musical da banda.
"Daí eles entregaram discos das bandas britânicas The Jam e The Who. Mas ele ouviu The Jam e rebateu: 'Que coisa ruim que é essa banda, parece que eles estão desafinados! Vocês precisam fazer isso daqui', e colocou pra tocar um disco do Rush, uma banda progressiva, totalmente diferente da pegada mod que tinha o Ira!", conta Júlio, relatando que foi nesse contexto que gravaram a canção "Envelheço na Cidade" e outras que entraram no álbum.

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