Bon Jovi: Espantando a nhaca do Rock in Rio no São Paulo Trip

Resenha - Bon Jovi (Allianz Parque, São Paulo Trip, 23/09/2017)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Fotos: Ricardo Matsukawa/Mercury Concerts

Recebi com grande apreensão algumas notícias de amigos que viram o show do Bon Jovi no Rock in Rio. Muitos reclamaram da capacidade vocal de Jon, que não soava tão bem tanto para os que estavam presentes no Palco Mundo quanto aos que assistiam pela TV. A idade chega para todos, e é natural que um vocalista não consiga cantar da mesma maneira aos 50, 60 ou 70 anos como quando cantava na casa dos seus 20 ou 30. Porém, qualificar o que é desleixo ou falência de mero envelhecimento natural é importante para que não se cometa o erro de desqualificar um profissional. E o que vimos em São Paulo foi, claramente, a segunda opção. Confiram abaixo os principais detalhes do show, com as todos de Ricardo Matsukawa, cedidas gentilmente pela Mercury Concerts.

O show começou cedo, com 10 minutos de antecedência, surpreendendo o público presente. O show iria ser longo, então, qualquer minuto de graça é sempre positivo. A banda abriu o show com "This House is Not for Sale", do seu ultimo disco, lançado ano passado. A mulherada foi a loucura, os gritos da plateia eram altos e ensurdecedores, enchendo o estádio. As guitarras soavam muito bem, e os vocais não decepcionaram no geral. O som, porém, pareceu um pouco baixo no geral se comparado ao THE WHO, dois dias antes.

"Raise Your Hands" veio logo em seguida, mostrando a belíssima interação do público, levantando as mãos em cada vez que o refrão era recitado por Jon. O vocal aqui estava bastante baixo, sendo eclipsado pela força das linhas de guitarra, e o ótimo trabalho na bateria de Tico Torres, um dos grandes destaques do show. Em seguida, mais uma das novas: "Knockout". Essa foi mais puxada nos vocais, e o show parecia por agora bastante promissor. Jon prometeu, inclusive, uma apresentação melhor no São Paulo Trip do que a feita no Rio de Janeiro.

A banda sacou uma porrada de sucessos de sua época de ouro, entrelaçadas por algumas músicas novas. "You Give Love a Bad Name" foi mais movimentada, com Bon Jovi utilizando a passarela e se aproximando mais do público. Mostrou fôlego e boa performance, alavancado pelo sucesso avassalador com os fãs. Tanto sucesso, que teceu elogios para as garotas brasileiras, arrancando suspiro das suas fãs por todo o estádio. Na sequência, arrancou outro ótimo momento em "Lay Your Hands On Me", como grande frontman que é, desceu para o pit e saiu interagindo com os fãs na grade, que se apertaram o máximo que podiam para agarrar sua mão e cumprimenta-lo.

Outro dos momentos que merece ser notado foi em "Bed of Roses", em outra emocionante e arrepiante performance, Bon Jovi convidou uma fã para o palco que, alvo de uma centena de flashes de celular, interagiu com ele durante toda a música, de maneira bastante insinuante. O público foi a loucura com a apresentação, e a garota parecia ali, estática, não acreditando no que claramente foi um sonho tornado realidade para a sortuda fã.

Os melhores momentos, porém, ficaram para o final com uma belíssima sequência de grandes sucessos no fechamento do show. Destaque para "Wanted Dead of Alive", em outra belíssima performance instrumental da banda, com um solo de guitarra brilhante de Phil X, que deixa o público extasiado mais uma vez. Logo em seguida, com "Keep the Faith", o baixo brilhou na abertura da música. A apresentação estava tão satisfatória para os fãs, que muitos pareceram ignorar o apagão momentâneo dos três telões do palco. A apresentação continuou normalmente até que o problema técnico fosse rapidamente resolvido.

Para fechar a parte principal da apresentação, a banda sacou "Bad Medicine", que fez o publico cantar a plenos pulmões. A voz de Bon Jovi aqui praticamente desapareceu, sendo eclipsada pelos microfones altos dos vocais de apoio da banda e do coro emocionante do público, que não cedeu um minuto sequer, enchendo o estádio.

Para o bis, a banda não só tocou "Always" - a principal reclamação do público no Rock in Rio, que demonstrou grande insatisfação nas redes sociais pelo "esquecimento" da música, como tocou com propriedade. O público cantou muito alto, tornando quase impossível ouvir os vocais de Bon Jovi. O lindíssimo solo de guitarra coroou esta música também, emocionando todo o público. O grande sucesso da banda "Livin'", veio logo em seguida, com o público tirando de letra e cantando sozinhos toda a introdução.

O resultado do show, em seu geral, foi bastante positivo, e muito diferente do que o que foi vociferado pelos críticos de plantão. Jon Bon Jovi esta sim velho, a idade chega para todos os que ainda estão vivos, mas sua performance no palco, ainda bastante elétrica, mostra que ele ainda tem muita lenha para queimar como o frontman que é. O público, e o resultado no rosto dos fãs no final do show, mostram exatamente isto.

Setlist:
1. This House Is Not for Sale
2. Raise Your Hands
3. Knockout
4. You Give Love a Bad Name
5. Born to Be My Baby
6. Lost Highway
7. We Weren't Born to Follow
8. Lay Your Hands On Me
9. In These Arms
10. New Year's Day
11. (You Want to) Make a Memory
12. Bed of Roses
13. It's My Life
14. Someday I'll Be Saturday Night
15. Wanted Dead or Alive
16. I'll Sleep When I'm Dead
17. Have a Nice Day
18. Keep the Faith
19. Bad Medicine

Bis:
20. Always
21. Livin' on a Prayer

Bis 2:
22. These Days

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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