Renaissance: a raiz do rock progressivo, pela 1ª vez, em POA
Resenha - Renaissance (Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre, 27/05/2017)
Por Karen Waleria
Postado em 06 de junho de 2017
A RENAISSANCE, para quem não sabe, nasceu no final dos anos 60, quando a então YARDBIRDS, se dissolveu dando origem a duas bandas - o LED ZEPPELIN, que nos primórdios chegou a se apresentar como "New Yardbirds" e a própria RENAISSANCE.
E no último sábado, dia 27 de maio, finalmente, a emblemática banda de rock progressivo, se apresentou pela primeira vez em solo gaúcho.
O show aguardado pelos fãs por quase 50 anos, que integra a turnê "Songs For All Our Times", apresentou os maiores sucessos do grupo e aconteceu no Teatro do Bourbon Country em Porto Alegre.
Annie Haslam (vocais), Rave Tesar (teclados), Tom Brislin (teclados e voz), Mark Lambert (violão, guitarra e vocais), Charles Descarfino (bateria) e Leo Traversa (baixo e vocais) se apresentaram por quase duas horas ao público; a apresentação tinha a duração prevista de 1h30 e para alegria dos presentes teve 1h55 de duração.
A lider da banda e sua voz de cinco oitavas, uma das mais belas vozes do rock mundial, retifico, da música mundial, que traz na sua bagagem também uma carreira solo exitosa e participações em trabalhos de integrantes de bandas como GENESIS e YES, deixou o público petrificado com sua apresentação. Apresentação abrilhantada ainda mais pela performance ímpar dos músicos, todos instrumentistas da mais alta qualidade, que fazem parte da atual formação da RENAISSANCE. Banda na qual canta desde os seus 26 anos de idade, que mistura com total maestria o rock com folk, música erudita, lírica, jazz, blues, entre outros estilos, gêneros musicais.
A acústica perfeita do Teatro do Bourbon Country, tornou ainda mais fácil a apreciação da bela voz da cantora inglesa, que preenchia todos os espaços da casa de espetáculos de uma forma clara, límpida, com sua extensão vocal e timbres inconfundíveis.
Me pego pensando: como alguém pode cantar dessa forma, sem demonstrar nenhum esforço?
A perfeição da execução do set foi tamanha, que parecia que estávamos ouvindo um CD. Os belíssimos arranjos das músicas, os backing vocals de Mark Lambert e Leo Traversa, os teclados e sintetizadores tão importantes no estilo, cuja sonoridade meio que identificam o rock progressivo, também literalmente nas mãos de exímios profissionais, enfim, tudo perfeito.
A iluminação também contribuiu muito para a excelência do espetáculo.
Infelizmente o público que compareceu ao show não lotou as dependências do teatro, como deveria tê-lo feito, diante da grandeza da banda que alí se apresentava. Por outro lado o público presente era formado por legítimos fãs da banda. Se via fãs cantando tempo integral as músicas, se viam fãs emocionados, muitos aplausos e gritos.
Já no final do show, momento em que deveria ter o bis, a banda resolveu não fazê-lo, e tocaram o show direto, sem pausa.
Foi quando a banda homenageou o público tocando "Quiet Nights of Quiet Stars" (Corcovado) de Tom Jobim. Aliás Annie comentou que Jobim é o seu músico brasileiro preferido.
E encerraram o set com "Ashes Are Burning" e seus inúmeros solos, ao bom estilo do rock progressivo.
Foi um ótimo show que, com certeza, deixou todos os presentes mais do que satisfeitos.
Annie Haslam está conseguindo levar adiante, brilhantemente, o legado de Michael Dunford, seu parceiro musical, falecido em 2012, e lembrado antes de "Grandine Il Vento" durante o show.
Que bom para nós que a banda continua na estrada e, principalmente, produzindo material novo.
Setlist:
Prologue
Carpet of the Sun
Ocean Gypsy
Grandine Il Vento
Symphony of Light
Let it Grow
Mother Russia
The Mystic and the Muse
Sounds of the Sea
A Song For All Seasons
Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado)
Ashes Are Burning
A apresentação faz parte da programação da Top Cat Series, sequência de shows internacionais promovidos pelas produtoras Top Cat Estúdio, Opus Promoções e Branco Produções.
Agradecimentos à Agência Cigana
Crédito Fotos: Cris Moreira/ Opus Promoções
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