O maior cantor da história do rock progressivo, em lista de 11 vocalistas feita pela Loudwire
Por Bruce William
Postado em 21 de abril de 2026
Listas de melhores vocalistas sempre acabam arrumando confusão, ainda mais quando entram estilos em que os fãs costumam conhecer cada disco, cada fase e cada mudança de formação. No rock progressivo, isso fica ainda mais delicado, porque a voz muitas vezes não é apenas um instrumento de frente. Ela precisa atravessar músicas longas, mudanças de clima, letras cheias de imagens estranhas e arranjos que raramente ficam parados por muito tempo.
Melhores e Maiores - Mais Listas
A Loudwire resolveu comprar a briga e publicou uma lista com os 11 maiores cantores do rock progressivo em todos os tempos. A seleção deixou de fora nomes mais ligados ao metal progressivo, como Mikael Åkerfeldt, James LaBrie, Floor Jansen e Russell Allen, e concentrou a escolha em artistas associados ao prog rock, levando também em conta trabalhos solo quando fazia sentido.
Entre os nomes lembrados estão Peter Hammill, do Van der Graaf Generator, em 11º lugar, e Vincent Cavanagh, do Anathema, em 10º. Hammill foi destacado por sua forma teatral e angustiada de cantar, algo que sempre dividiu opiniões, enquanto Cavanagh apareceu como representante de uma melancolia mais quente e expansiva, especialmente pela fase mais atmosférica do Anathema.
Ian Anderson, do Jethro Tull, ficou em 9º lugar. A Loudwire reconheceu sua importância como compositor, flautista, violonista e figura central do grupo, mas também levou em conta o desgaste de sua voz nas últimas décadas. Steve Hogarth, vocalista do Marillion desde o fim dos anos 80, apareceu em 8º, acima de Fish, justamente pela avaliação de que manteve uma assinatura vocal forte e emotiva por um período muito longo.
A lista também colocou Steve Walsh, do Kansas, na 7ª posição, lembrando sua força em músicas como "Carry On Wayward Son" e sua capacidade de alternar intensidade e momentos mais delicados. Em 6º, entrou Anneke van Giersbergen, lembrada por sua trajetória com The Gathering, Anathema, Devin Townsend, Ayreon e outros projetos. Mesmo transitando entre rock, metal e trabalhos mais atmosféricos, ela foi tratada pela publicação como uma voz importante o bastante para aparecer nesse recorte.
Greg Lake ficou em 5º lugar, com peso duplo na história do estilo. Ele cantou nos dois primeiros álbuns do King Crimson e depois formou o Emerson, Lake & Palmer, levando uma voz mais limpa e humana para músicas que podiam ser grandiosas, agressivas ou melancólicas. Em 4º, a Loudwire colocou Rikard Sjöblom, do Beardfish, também conhecido por seus trabalhos com Gungfly e Big Big Train, destacando sua mistura de força, teatralidade e humor.
O pódio começou com Annie Haslam, do Renaissance, em 3º lugar. A publicação lembrou que o progressivo sempre foi dominado por homens, mas colocou Haslam como uma das grandes vozes do gênero, com timbre agudo, alcance amplo e forte ligação com a mistura de música clássica, folk, jazz e rock feita pelo Renaissance. Em 2º lugar veio Peter Gabriel, cuja fase no Genesis foi lembrada não apenas pela voz, mas pela maneira como ele interpretava personagens e transformava cada música em uma pequena cena.
O primeiro lugar ficou com Jon Anderson, do Yes. Para a Loudwire, ele representa de forma muito direta a voz do rock progressivo, especialmente pelo papel que teve em músicas como "Close to the Edge", "Roundabout", "I've Seen All Good People", "Awaken" e "The Gates of Delirium". A publicação destacou que sua voz atravessou mais de meio século ligada ao estilo, mantendo aquela sonoridade aguda, quase suspensa, que se tornou uma marca do Yes.
Como toda lista, essa também deixa margem para discussão. Fãs de Fish, Geddy Lee, John Wetton, Phil Collins, David Gilmour ou outros nomes podem reclamar, e provavelmente vão. Mas a escolha de Jon Anderson no topo não soa aleatória: sua voz ajudou a definir uma das bandas mais associadas ao progressivo, esteve presente em alguns dos discos centrais do gênero e virou uma espécie de assinatura sonora daquele mundo cheio de suítes, capas viajantes e letras que parecem escritas depois de meia garrafa de chá cósmico.
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