Kiss: uma banda que todo mundo deve assistir pelo menos uma vez
Resenha - Kiss (Shleyer-Halle, Stuttgart, 13/05/2017)
Por A. Krapmann
Postado em 30 de maio de 2017
KISS. Finalmente eu iria ver um show deles. É de certa forma meio curioso, pois eu fui uma daquelas crianças que viu na televisão a cobertura do primeiro show no Brasil, em 1983. De alguma maneira que eu não posso compreender eu fui hipnotizado pelo visual, e junto com a fita K7 do álbum "Creatures of the Night" (que tenho até hoje), fiz meu pai comprar um pôster gigante da antiga revista Som Três, sob protestos da minha mãe, que já tinha ouvido a história dos pintinhos esmagados no palco. Impressionante o poder de um boato, mal havia telefone naquela época e até hoje deve ter gente que ouviu esta história e ainda acredita nisso. Bom, se esse disco marcou a minha vida os outros lançamentos da banda não tiveram o mesmo efeito. Claro que os clássicos eu conheço mas o "Creatures of the Night" é o único álbum da banda que eu conheço a fundo. Quando eu passei a ter mais contato com a cena roqueira e metálica eu logo comecei a ouvir coisas mais agressivas, e com a onda de bandas clássicas do Thrash, o KISS de certa forma foi uma banda que para mim ficou de lado. Os shows que eles fizeram no Brasil passaram batido, e este em Stuttgart quase passou. Recebi um Email com a propaganda do show e acabei comprando um dos últimos ingressos disponíveis. A pista estava esgotada, então tive que comprar uma cadeira. O preço foi salgado, 80 Euros, mas se trata do melhor, como a própria banda diz, não é?
Eu não conhecia o local do show, a "Shleyer-Halle", que fica ao lado do estádio de futebol do Stuttgart, e como nas redondezas há mais locais de eventos, a infra estrutura da região está preparada para isso . Para estacionar foi relativamente tranquilo apesar da movimentação ser muito grande. Fui seguindo a galera e a primeira impressão é de que só teria tiozinho no show, o que de certa forma ia de acordo com a ideia que eu tinha. Chegando próximo à entrada comecei a perceber que a coisa não era bem assim. Muitas crianças e jovens também se somavam à massa que se aglomerava para passar pela segurança. A entrada foi um pouco tumultuada. O esquema de segurança estava bem rígido – não era permitido entrar com bolsas (maiores do que uma folha de papel A4 especificamente) e todos passavam pelo detector de metal, parecia aeroporto. Havia tempo ainda, então fui buscar minha cerveja, que também estava com um preço acima da média – 5 Euros por meio litro (para se ter uma ideia, no mercado uma garrafa de meio litro sai por menos de 1 Euro) e fiquei observando o público. Aí eu pude ter uma ideia da dimensão da banda. Muita gente maquiada, inclusive crianças. Famílias completas com pais filhos e avós, todos com a camiseta do KISS. Passou um cara com as quatro máscaras tatuadas, nas canelas e batatas da perna. É de certa forma impressionante o patamar que a banda alcançou. Segui para o meu lugar e mais uma vez foi um pouco estressante. A empresa de segurança responsável deve ter esquecido de informar os funcionários sobre a numeração dos setores e ninguém conseguia indicar com precisão como achar o seu local. Após conseguir desviar de um alemão que discutia com um segurança achei meu lugar.
Cinco para as oito da noite e de repente, sem muito alarde, a banda RAVEN EYE iniciou seu show e me pegou relativamente de surpresa. Eu nunca tinha ouvido falar sobre o grupo, que foi formado na Inglaterra em 2014. Eles lançaram apenas um EP em 2015 e no ano seguinte o primeiro álbum, "Nova", e mesmo com uma carreira extremamente curta já tocaram com nomes de peso, como JOE SATRIANI e SLASH. Agora com o KISS, o trio apresentou seu Rock sólido e muito bem executado, mas que no fim não trazia nada de novo. Imaginei eles como uma banda cover de luxo. Os músicos, muito profissionais e competentes nos seus instrumentos infelizmente não me convenceram com suas composições.
A Arena estava lotada, e mesmo com uma grande presença de jovens e crianças, era um mar de cabelos grisalhos que dominava a pista, já ansiosos pela atração principal. As cortinas estavam fechadas, e haviam nelas um enorme logo da banda pintado. O sistema de som começou a tocar "Rock and Roll" do Led Zepellin, o que imediatamente animou o público. Não sei se a maioria já sabia que o show estava pra começar e por isso se empolgou, mas eu não estava preparado. Assim que a música terminou as luzes se apagaram a já eternizada intro "You Wanted the Best..." foi tocada e após uma explosão as cortinas se abriram para que "o melhor show do mundo" pudesse começar.
Como eu disse antes, não sou um fã apaixonado da banda, mas não consegui deixar de abrir um largo sorriso ao ver Gene Simmons e companhia em cima do palco iniciando o set com "Deuce". A produção do show é impressionante e eu às vezes me sentia em um jogo de vídeo game e tinha também a impressão de que a música era apenas um fundo para todo o espetáculo que acontecia. "I Love It Loud", a quarta música do setlist foi a primeira que me tirou da cadeira, mesmo que por apenas alguns segundos, já que o público que estava à minha volta estava comportado demais e eu achei que era melhor voltar a sentar antes que alguém reclamasse. Sem que eu pudesse perceber o show foi se desdobrando rapidamente, com muitas explosões, um solo de guitarra que achei totalmente desnecessário, o Gene Simmons subindo uns 4 metros de altura, cuspindo sangue e desaparecendo no meio de uma fumaça para aparecer de repente novamente em cima do palco (este truque em especial quase me pegou – se eu não tivesse visto uma corda que subiu rapidamente nas estruturas eu iria ficar confuso). De repente "War Machine" foi apresentada, esta a minha preferida do setlist, já que é uma das músicas do KISS que mais gosto, e esse foi o momento em que mais me empolguei no show. Antes da música "Psycho Circus" o Paul Stanley passou pendurado em um cabo de aço sobre o público, com destino a uma plataforma no meio da arena, e eu fiquei impressionado com aquele senhor fazendo este tipo de coisa. "The show must go on", eles levam isso a sério mesmo.
Levei um grande susto quando eles terminaram de tocar a "Rock and Roll All Nite". O Paul Stanley agradeceu o público, eles tiraram a já obrigatória foto com o público de fundo e sairiam do palco. Eu só pude pensar "Como assim??? Já acabou???". Foi tudo tão rápido, e eu, que tinha a impressão de que o show estava apenas começando, fiquei em choque e talvez um pouco decepcionado pela rapidez como tudo passou. Claro que a banda faria o "Encore", e "I Was Made For Lovin`You" ( uma música que eu gosto, já cantei sozinho no meu quarto mas não conto para meus amigos) e "Detroit Rock City" fecharam a noite. Muitos fogos e um show de luzes muito caprichado, estes dois fatores que devem encarecer os ingressos em 40% provavelmente. Diversos clássicos executados por uma banda que preserva seus valores e que realmente procura oferecer o melhor. Apesar da idade a execução ainda é boa. O batera Eric Singer impõe um ritmo preciso, ele é um excelente músico. Gene Simmons ainda canta bem e o Paul Stanley também cantou com relativa segurança. Apenas sua interação com o público entre as musicas me soou afetado demais, mas no final das contas eu saí extremamente satisfeito e com a certeza de que o KISS é uma banda que teria que ter visto pelo menos uma vez na vida.
Setlist :
1. Deuce
2. Shout It Out Loud
3. Lick It Up
4. I Love It Loud
5. Firehouse
6. Shock Me
7. Guitar Solo
8. Flaming Youth
9. Bass Solo
10. God of Thunder
11. Crazy Crazy Nights
12. War Machine
13. Say Yeah
14. Psycho Circus
15. Black Diamond
16. Rock and Roll All Nite
Encore:
17. I Was Made for Lovin' You
18. Detroit Rock City
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