Violeta de Outono: Espetáculo digno no lançamento do novo disco
Resenha - Violeta de Outono (Sesc Belenzinho, São Paulo, 22/10/2016)
Por Diego Camara
Postado em 30 de outubro de 2016
No último dia 22 de outubro, a banda Violeta de Outono, um dos grandes expoentes nacionais do progressivo/psicodélico, apresentou pela primeira vez ao vivo o álbum "Spaces", lançado no último dia 14 de outubro. O local escolhido foi a Comedoria do Sesc Belenzinho, lugar bastante conhecido por receber diversos shows de música alternativa. O local ficou bem cheio, e uma hora antes do show um grande número de pessoas buscavam os assentos ou a frente do palco, onde foi aberta uma pista.
A banda subiu ao palco às 21h30m em ponto, sendo recepcionada com efusão pelo público presente. Abriram o show com "Noturno Deserto" e "Além do Sol". A primeira, clássico de 87, abriu muito bem o show, com uma qualidade de som perfeita, um primor onde cada instrumento estava em perfeita sintonia com seu todo. A base, feita de maneira excelente, foi o grande destaque. "Além do Sol", do "Volume 7", disco anterior da banda, veio em seguida. Com seu som que se aproxima dos grandes clássicos do progressivo e com um solo de guitarra ao melhor estilo rock clássico.
Em seguida, Golfetti e cia apresentaram "Spaces" na íntegra. A banda já começa por "Imagens", que sem dúvidas é a melhor música do disco. A música, por si só, é uma grande viagem. Nesta música esta todo o som da nova fase da banda, da fusão do progressivo com o space rock. A introdução, em um estilo de mais moderno, vai se fundindo com os elementos clássicos do gênero, como o baixo que se aproxima fortemente da formação clássica do Yes, e o uso dos sintetizadores que marcaram o gênero na década de 80.
Para não bastar, a música é genialmente interligada com "Kevinland" e "Parallax T-Blues", em uma viagem espacial de 20 minutos. Da simplicidade da primeira até os elementos complexos de piano da segunda, das variações que a banda faz entre os elementos eletrônicos e o som limpo, ouvir "Spaces" é como fazer uma longa viagem sem sair do lugar. É imaginar o infinito que se contém em cada nota tocada. O novo disco é um esplendor, e sendo tocado ao vivo ainda traz maior significância.
As músicas seguintes, apesar de não terem o mesmo impacto poderoso desta primeira parte do disco, ainda compõem muito bem a totalidade de "Spaces". "Flowers on the Moon" parece uma grande homenagem ao Yes, especialmente em seus elementos de teclado e um baixo sonoro e potente, que margeia toda a música. "Cidade Extinta", que fecha o disco, mostra ainda outro lado da banda, com uma guitarra límpida, mais potente, e elementos fortes de Jazz Fusion e Blues, que confluem muito bem com o progressivo e a voz de Golfetti, salpicada pela música.
A banda ainda voltaria ao palco - como se o que já tivessem feito não fosse o bastante - para agraciar seus fãs com alguns clássicos. Agradeceram ao público e toda a equipe da banda e do Sesc Belenzinho, que tornaram o show - impecável, diga-se de passagem - possível. Estes clássicos, marcados pelos elementos mais psicodélicos do início da carreira da banda, mostram a evolução e mudança do som do Violeta. As guitarras mais fortes e agressivas em músicas como "Dia Eterno", se contrastam com a sobriedade de "Spaces", mostrando o amadurecimento da banda.
Para quem é fã de progressivo, vale muito a pena dar uma chance para este novo disco. Confiram ele na íntegra no site da banda.
http://violetadeoutono.com/music/spaces/
Violeta de Outono é:
Fabio Golfetti - Guitarra e vocal
Gabriel Costa - Baixo
Fernando Cardoso - Teclas
José Luiz Dinóla - Baterias
Setlist:
Noturno Deserto
Além do Sol
Imagens
Kevinland
Parallax T-Blues
Imagens (reprise)
Flowers on the Moon (ft. Fernando Alge)
A Painter of the Mind
Cidade Extinta
Bis
Dia Eterno
Outono
Declínio de Maio
Tomorrow Never Knows
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