Festival Ruídos do Sertão: Atrações de qualidade
Resenha - Festival Ruídos do Sertão - 2ª Edição (Poções, Bahia, 18/01/2015)
Por Pablo Luz
Postado em 26 de janeiro de 2015
Ano passado estive na primeira edição do Festival Ruídos do Sertão, e apesar de ter sido realizado numa noite apenas, a atmosfera extremamente positiva e a qualidade das atrações deram pistas das proporções que tomaria nas edições seguintes. Mas o empenho e a persistência da Guerrilha Produções em consolidar o nome do Ruídos surpreenderam a todos com a confirmação de dois dias de festival na edição 2015 e ainda tendo como headliner a turnê METAL SINGERS, que reúne quatro nomes de peso do Metal mundial.
Quando adentrei o local, dessa vez uma arena ao ar livre, com stands da Aliança Underground e estrutura de primeira, percebi que estaria diante de um acontecimento histórico naquela cidadezinha que durante o fim dos 90’s e início dos 2000’s tive o privilégio de participar da maioria dos pequenos eventos ocorridos ali, que tanto movimentaram o sudoeste baiano naquele período. Poções estava prestes a consolidar-se como uma nova rota definitiva para o mundo banger.
A soteropolitana BATRÁKIA, que esteve já na primeira edição, dessa vez apesar de não ter assistido o show inteiro infelizmente (atrasos meus no percurso até o local), deu pra sentir que a pegada dos caras permanece fiel ao Hard oitentista, com o som autoral tendo maior destaque, abrindo o Festival num ótimo clima! Na sequência, a KETER trouxe seu som insano também direto da capital baiana, fazendo jus ao nome do seu último lançamento "Guerra contra tudo e contra todos". A BLACKCHEST retornou ao palco do Ruídos e fez um show impecável, com seu power/speed tradicional e com novo baixista, o público prestigiou a técnica e entrosamento dos caras do primeiro ao último acorde. Os sergipanos da BERZEKERS retomaram o caos e os moshings comeram soltos. Direto de Feira de Santana, a HUMAN repetiu a sua ótima performance da primeira edição, dessa vez contando com as prévias de seu esperado primeiro álbum "Sad Modern World". Fechando a primeira noite, a consagrada MALEFACTOR arrastou todos os presentes de forma quase hipnótica para colarem na grade com sua abertura arrebatadora e show idem.
Curando a ressaca no dia seguinte, nada melhor do que se deparar com o Hard direto de Itabuna e totalmente despojado da LOCOMOTIVA, mandando clássicos do estilo e seus sons autorais em português que farão parte de seu primeiro EP. Entra em cena o powertrio matador chamado NATURAL HATE! Impressionante como aqueles três conseguem preencher uma arena como aquela do início ao fim do show com um som bem definido e consistente. Fui surpreendido totalmente pelo som dos caras ao vivo! Já no entardecer, os conterrâneos da THE SAVAGE entraram com a energia empolgante do vocalista Breno Fernandes, detonando com a cover de ‘Hell Patrol’ do JUDAS PRIEST, e mandando muito bem na sequência com três sons autorais recém-lançados especialmente para a ocasião do Festival. Banda que rapidamente conquistou público fiel e a cada show mostra mais profissionalismo e uma construção autoral bastante original, pincelando ótimas influências.
Os anfitriões da SUFFOCATION OF SOUL, após a turnê do debut ‘First Attack’ e toda a correria para tornar possível essa segunda edição do Festival, o quarteto subiu no palco mostrando o amadurecimento que toda a experiência dentro e fora dos palcos proporcionou. Showzaço, com mosh pits e stage diving épicos!
Então, eis que após alguma espera, claro que totalmente aproveitada com bate-papo com os bangers de todas as gerações, em trocas riquíssimas de conhecimento e simpatia, a atmosfera aos poucos parecia sintonizar todos num mesmo clima de total ebulição para o que estaria por vir...
Com um set de tirar o fôlego, os veteranos MIKE VESCERA, BLAZE BAILEY, TIM "RIPPER" OWENS e UDO DIRKSCHNEIDER mostraram um carisma impressionante, acompanhados de músicos afiadíssimos, mandaram clássicos imortais gravados com suas ex-bandas como ‘Soldier of Fortune’, ‘The Clansman’, ‘Deathrow’ e ‘Princess of the Dawn’. Sendo de uma cidade do interior da Bahia, no Nordeste do país, esperei mais de vinte anos para ver aquele distinto senhor alemão, com sua voz peculiar, cantar na minha pequena cidade vizinha ‘Metal Heart’, e ouvir todos em uníssono acompanhar durante um minuto inteiro a melodia clássica do solo apenas com o bumbo da bateria, o que se repetiu em ‘Balls to the Wall’, esta já em dueto com a voz fantástica do ‘Ripper’ Owens. Músicas como ‘Fear of the Dark’, ‘Painkiller’ ou ‘Wrathchild’ foram entoadas como se não houvesse amanhã por muitos que esperaram pela oportunidade durante anos de ver ex-membros de bandas icônicas, ali ao lado de casa, provando que o circuito por onde passam a circular os grandes nomes do Metal mundial está cada vez mais se expandindo, dando o privilégio também àqueles inúmeros metalheads sedentos, que estão longe do eixo tradicional, de prestigiarem espetáculos como esse de forma mais barata e cômoda.
Parabéns à Guerrilha Produções e a todos que de uma forma ou de outra tornaram possível mais uma vez esse grande Festival! Aguardamos ansiosos por 2016! All Hail the Metallian!
Fotos: Christian Bernardis Mais fotos em:
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