Soil, Hed Pe, AMC e Wolfborn: show em Augsburg, Alemanha
Resenha - Soil (Kantine, Augsburg/Alemanha, 15/10/2014)
Por Karla Mustafa
Postado em 02 de novembro de 2014
Estava empolgadíssima pela minha primeira experiência em um show de metal na Alemanha. A cerveja eu já conhecia, mas... e como será o lugar? O público? A organização?
Quando planejei a viagem para Alemanha um dos meus primeiros pensamentos foi: tenho que achar um show de Heavy Metal, já que não consegui ir ao Wacken.
Quem me apresentou as músicas do SOIL foi meu filho Gabriel. Amor à primeira vista. E quando descobri que o SOIL faria um show em Augsburg em 15 de outubro exatamente quando eu iria estar lá, fiquei alucinada! Tenho que ir a este show!
Pela internet não consegui comprar o ingresso. Teria que tentar a sorte: comprar na hora do show! E lá fui eu procurar o Kantine, uma casa de shows localizada em um parque chamado Kulturpark West.
Felizmente consegui comprar o ingresso e fui desbravar o local.
Típico "inferninho". Pequeno e na penumbra, teto baixo, palco intimista. Não acreditei no que vi, pois para mim SOIL é uma banda para tocar em grandes estádios para um grande público, mas logo veio a explicação do meu filho que a banda é underground apesar do sucesso. E durante o show eu descobriria a razão.
Exatamente às 20h, horário marcado para o início do show entrou a banda de abertura. WOLFBORNE, vinda de Vancouver - Canadá que com seu estilo Hard Rock ganhou o público.
A acústica do local era incrível o que potencializou a qualidade da voz de Chris Witoski. Juntamente com Lanning Kann (guitarra), Brett Nussbaum (baixo) e Robbie Sheldrick (bateria). WOLFBORNE apresentou canções do seu primeiro CD lançado em setembro, "In the Beginning", com destaques para "Sex Sells" e "Let it Rain".
Conversei com os integrantes após o show e quando falei que era do Brasil empolgados disseram que são fãs do Sepultura.
Excelente aquecimento para a chegada de (HED)P.E, banda de New Metal norte-americana, formada em Huntington Beach, Califórnia em 1994.
A banda possui um estilo musical chamado de "G-punk" que é a fusão de Punk Rock e Hip Hop, mas tem também elementos de Heavy Metal e Reggae.
Em trinta minutos, a banda encabeçada por Jared Gomes, vocalista de descendência brasileira e que na verdade se chama Paulo Sérgio Gomes, levou o público ao delírio com muita presença de palco disparando hits como "Killing Time", "Bartender", "Blackout" e "Hold On".
"Levar o público ao delírio" foi algo que me fez refletir, pois foi inevitável não comparar com a reação do público brasileiro.
Os alemães são muito comportados, bem na deles e curtem o som com tranquilidade. Claro que headbanger que faz jus ao nome não pode deixar de bater a cabeça ou participar de um mosh, mesmo que timidamente, mas com muita energia e animação.
Destaque para o "muito obrigado" em português que certamente foi direcionado ao único trio brazuca que estava lá, ou seja, nós.
Com fortes influências de MUDVAYNE, SLAYER e MINISTRY, AMERICAN HEAD CHARGE fez um show com muita qualidade sonora e teatral.
Com aspecto sombrio, alguns de seus integrantes surgiram com capuz, pintura e muitas caras e bocas. Destaque para o guitarrista Karma Singh Cheema que interagiu com o público durante maior parte do show, bebendo, rindo e, claro, tocando.
Cameron Heacock (vocal), acompanhado de Chad Hanks (baixo) Chris Emery (bateria), Justin Fowler (teclado), e Ted Hallows (guitarra) tocaram as canções "Just So You Know" e "Seamless" do álbum The War of Art, "Writhe", do EP lançado em 2012 (Shoot) e "Dirty" do álbum "The Feeding", além de uma música do novo álbum previsto para ser lançado no fim deste ano.
Em meio as controvérsias sobre a presença de Justin Fowler, responsável pelo sampler, por sua pouca participação na banda ele provou justamente o contrário dando um show de técnica e no backing vocal em "Dirty" e em "Just So You Know".
Ao lado do palco havia um espaço para merchandising onde as bandas vendiam camisetas, cds autografados, pôsteres e baquetas. E quando eu falo "as bandas vendiam" é no sentido literal.
Com exceção do SOIL que vendeu um pacote com "Meet&Greet" (minha única reclamação diga-se de passagem) as outras três bandas ao final de cada apresentação iam ao espaço ajudar a vender seus produtos, dar autógrafos e serem fotografados com seus fãs.
Sem tumulto, com muita organização por parte dos fãs e simpatia dos integrantes das bandas.
"We Will Rock You", do QUEEN, sincronizada com luzes vermelhas no palco anunciava o que estava por vir. Nascida em 1997 em Chicago e atualmente formada por Ryan McCombs (vocal), Adam Zadel (guitarra) e Tim King (baixo), e com um baterista convidado, SOIL somente emergiu no mainstream em 2004 após o lançamento do cd "Scars" (2001) catapultados pelo sucessos "Halo", "Unreal" e "Breaking Me Down", sendo esta última mais conhecida pelos jogadores do RPG World of Warcraft.
Um McCombs que lembra muito Axl Rose fisicamente em seus tempos áureos interagiu o tempo todo com o público com várias pausas para conversas, cumprimentos, bebericagem em copos de fãs e muitos sorrisos.
Inclusive me surpreendi com o carisma não só do vocalista mas de todos da banda, pois nos flyers sempre os vejo sisudos.
SOIL fez um show impecável digno de grandes festivais. Apresentando canções de vários álbuns lançados, havia espaço para o lado B e para os hits que não poderiam faltar: "Deny Me", "Redefine", "Breaking Me Down" e "Halo" chegaram com força para levar o público à loucura. E de quebra ainda ganhamos um cover do AC/DC com It’s a Long Way to the Top.
O ponto alto foi quando em Halo não víamos mais McCombs no palco porque ele desceu e foi para o meio do público. E com seu microfone à la Hetfield encerrou um show memorável e mostrou o motivo de a banda preferir o cenário underground onde há contato e o retorno dos fãs de uma forma tão intensa que era visível a emoção da banda a cada momento.
Definitivamente um show para ser lembrado como um dos melhores que já fui e espero que tenhamos a oportunidade de ver essas quatro bandas em breve mostrando sua competência em solo brasileiro.
Setlist SOIL:
Loaded Gun (Whole – 2013)
Two Skins (Scars – 2001)
The Hate Song (Whole – 2013)
Deny Me (Redefine – 2004)
Need to Feel (Scars – 2001)
The One (Scars – 2001)
Long Way to the Top (AC/DC Cover)
Redefine (Redefine – 2004)
Unreal (Scars – 2001)
Breaking me Down (Scars – 2001)
Halo (Scars – 2001)
Colaborou Gabriel Motta
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