Selvagens à Procura de Lei: resenha da apresentação em Fortaleza

Resenha - Selvagens à Procura de Lei (Dragão do Mar, Fortaleza, 01/11/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Às 9 da noite, as luzes se acendem. A plateia que lota o anfiteatro levanta as mãos e grita "Selvagens, Selvagens, Selvagens". A maioria é de adolescentes. Apesar disso, os SELVAGENS À PROCURA DE LEI ainda demoram alguns minutos para subir ao palco, o que fez o público começar a cantar "Eu me acho condenado por não saber o que fazer para te esquecer", trecho de "Surpresas". Quando, finalmente, os quatro Selvagens, quase tão jovens quanto seu público, subiram ao palco, o anfiteatro, que já estava lotado, ficou pequeno para tantas mãos para cima. Após o grande sucesso do show de lançamento de seu segundo full-length, auto-intitulado, os SELVAGENS À PROCURA DE LEI retornam a Fortaleza. Confira abaixo como foi o show.

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Foto: Marcelo Sousa
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Dando início à apresentação, "Massarara" já serve como exemplo do que viria a seguir: músicas empolgantes, reflexivas e com conteúdo lírico acima da média (bem acima, para falar a verdade). A contestadora canção foi, inclusive, trilha sonora para um vídeo de protesto que repercutiu bastante nas redes sociais ultimamente. Gabriel Aragão (guitarra/voz), Rafael Martins (guitarra/voz), Caio Evangelista (baixo) e Nicholas Magalhães criaram sua banda há relativamente pouco tempo (2009), mas já lançaram o segundo álbum, além de vários EPs, tocaram em festivais importantes como o Ceará Music e o Porão do Rock (quando literalmente levaram ao Planalto Central as velas do Mucuripe), dividiram o palco com o CAPITAL INICIAL no VMB e receberam elogios de músicos de bandas icônicas do rock nacional e de boa parte da imprensa. Mas, mais importante que tudo isso, angariaram uma boa legião de fãs (ainda pequena, realmente, mas, ainda é cedo) capazes de soltar fogos diante do anúncio de um novo show e saber de cor todas as suas músicas. Gabriel, que divide os vocais e as guitarras com Rafael, canta sempre com os olhos fechados. Não vê, mas ouve todo o anfiteatro cantar as letras inteligentes de sua banda.

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Foto: Marcelo Sousa
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Entre outras, "Juventude Solitude", dedicada àqueles entre os presentes que estavam no terceiro ano, fez este redator velho se sentiu às vésperas do vestibular (ainda existe isso, ou só existe o Enem agora?).

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Foto: Marcelo Sousa
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Não importa se você é de Fortaleza, Sampa, Sanca, ou qualquer outra cidade. "051" é para você que depende ou já dependeu do transporte público, sempre ineficiente em qualquer lugar que se vá. Nota do redator: 051 é o número da linha Grande Circular, que em cerca de três horas dá a volta por toda Fortaleza. À frente do palco, o público se espremia como se estivesse mesmo no Grande Circular.

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Foto: Marcelo Sousa
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O show continua com canções que, se não primavam pelo virtuosismo, traziam arranjos bem encaixados, como, por exemplo, "Enquanto Eu Passar Na Sua Rua" uma das faixas com melhor instrumental, com ótimos sons saindo do baixo de Caio e guitarras com bons timbres, culminando em belo solo por Gabriel. A canção é seguida por "Surpresas" (aquela cantada pela plateia antes mesmo do show começar). E uma certa Cláudia, talvez namorada de um Selvagens, foi homenageada com palmas no ritmo de "Música de Amor Número Um", que, na prática, já atende mesmo é pelo nome da moça, até mesmo no setlist fixado no chão do palco.

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Foto: Marcelo Sousa
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Após "Ficando Velho" (que tem uma bela levada de baixo), dedicada aos pais de Gabriel (presentes e acompanhando o show) e a todos os pais de todos ali, Nicholas falou o quanto era bom estar em casa novamente, trocar energia com aquele público que foi o seu primeiro. O baterista também parabenizou aqueles que estão indo às ruas e lembrou das eleições
no ano que vem.

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Foto: Marcelo Sousa
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A parte mais bela do show ainda estava por vir. "Mar Fechado" fez com que os braços que já estavam para cima agora se transformassem em uma onda. Uma belíssima composição triste (triste e bela) que me fez pensar estar vendo um quarteto de quarentões ali no palco. Em seguida, Gabriel vai ao piano para "Crescer Dói" e o que se segue é a prova de que os quatro garotos, ou quatro velhos, merecem o sucesso que já alcançaram e ainda vão alcançar.

Foto: Marcelo Sousa
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"Sr. Coronel", "O Amor Existe Mas Não Querem Que Você Acredite" (a.k.a "Boiadeiro") são canções belíssimas e de uma maturidade que é difícil acreditar que tenha vindo mesmo desses caras que até bem pouco tempo atrás ainda deviam brincar de bila. Essa parte do set já valeria o preço do ingresso. Nota do redator: bila = bola de gude.

Gabriel (usando uma camisa com o nome de um bairro de Fortaleza na estampa, Aerolândia) volta à guitarra e o desfile de canções mais dançantes (ou melhor, pulantes) continua, sempre com a letra inteira, ou ao menos o refrão, cantada pelo público.

Foto: Marcelo Sousa
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Mais alguns hits e Rafael (que mais tarde me diria que lê o Whiplash.net desde que tinha quinze anos) anuncia que o show está chegando ao final e os músicos, um a um, agradecem pela presença do público, antes de seguirem com "Doce/Amargo", com paradinhas para que apenas o público cantasse.

Foto: Marcelo Sousa
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O que vem a seguir não deveria ser surpresa. Todos os presentes já sabiam disso, mas, a surpresa é inevitável. Anunciado como novo vocalista do SAPDL, Nicholas arrasa em "Despedida". Com um vozeirão digno de TIM MAIA, o ringo dos SELVAGENS faz da canção em que canta a cereja do bolo do show (e também do novo álbum). Ah, vale comentar que a música também é muito boa.

Foto: Marcelo Sousa
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"Brasileiro", carro chefe do novo álbum e canção mais politizada do lançamento, terminou com uma homenagem espontânea do público, ou pelo menos parte dele, ao governador do Ceará. Sem que a banda fizesse qualquer menção a isso, ao fim da música o público levantava as mãos e gritava "Ei, Cid, vai tomar no cu".

Foto: Marcelo Sousa
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"Mucambo Cafundó", o primeiro grande sucesso não poderia deixar de ser a música de encerramento daquela noite. E a música ganharia um novo clipe, gravado ali, naquele momento. A mucambada (nome pelo qual são conhecidos os fãs da banda) não se contém apenas na plateia. Alguns sobem ao palco, mas, registre-se que foram retirados com delicadeza pelo staff (pelo menos pelo que notei), ao contrário do que já vi em tantos outros eventos. Thumbs up para a produção do show. Ainda durante a música, todas as referências ao rock brasileiro dos anos 80 (ENGENHEIROS, LEGIÃO, etc) ficam ainda mais evidentes e são confirmados pelo trecho de "Geração Coca-Cola". Espero que o clipe tenha os solos do final.

Foto: Marcelo Sousa
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Não havia nenhuma outra banda no cast da noite. Ela pertencia apenas aos SAPDL e seus fãs (que foram recebidos por Rafael, Gabriel e Caio no backstage minutos após o show). Eu só poderia ir pra casa com uma certeza: eu tinha presenciado o show de uma banda que será muito grande, assinando embaixo do que disseram grandes nomes do rock nacional como Dinho Ouro Preto e Dado Villa-Lobos. Ter todas as suas letras cantadas por um anfiteatro lotado, mesmo com um CD novo na praça, com apenas quatro anos de existência não é pra qualquer um.

Foto: Marcelo Sousa
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Foto: Marcelo Sousa
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Agradecimentos: Denor Sousa, pela atenção e credenciamento.

Line Up

Gabriel Aragão - Vocal, Guitarra, Violão, Piano
Rafael Martins - Vocal, Guitarra
Caio Evangelista - Baixo elétrico, backing vocals
Nicholas Magalhães - Bateria, vocal

Set List

Massarara
Amigos Libertinos
Casona
Juventude Solitude
Carrossel em Câmera Lenta
051
Enquanto Eu Passar Na Sua Rua
Adeus É Tudo Que Eu Preciso Ouvir De Você
Surpresas
Música de Amor Número Um (Cláudia)
Ficando Velho
Mar Fechado
Crescer Dói
Sr. Coronel
O Amor Existe Mas Não Querem Que Você Acredite (Boiadeiro)
Mais Um Palhaço No Seu Carnaval
Sobre Meninos Elétricos e Mães Solteiras
Semana Passada
Jamoga
Doce/Amargo
Despedida
Brasileiro
Mucambo Cafundó

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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