Black Sabbath: a história acontecendo em São Paulo

Resenha - Black Sabbath, Megadeth (Campo de Marte, São Paulo, 11/10/2013)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Hugo Alves
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Eis que chegou o grande dia. Para alguns, passaram-se décadas até que isso finalmente viesse a acontecer. Para outros, assim como este que vos escreve, passou-se, no máximo, uma década – o que já é bastante. O fato é que o BLACK SABBATH finalmente pousou em terras brasileiras para a primeira turnê tupiniquim de sua história. O povo de Porto Alegre já havia aproveitado essa oportunidade única dois dias antes, e desta feita os “tiozões” chegaram à cidade de São Paulo para o que provavelmente seria um dos maiores shows de sua turnê (e de sua carreira). No Campo de Marte – um local muito bem escolhido para o evento, mas péssimo no que diz respeito ao acesso –, havia nada menos do que 70.000 pessoas ávidas por este show que, de qualquer modo, estaria a fazer história.

154 acessosFuturo Headbanger: Pai homenageia Lemmy e Mustaine em nome do Filho5000 acessosMetallica: gosto musical impediu que se tornassem um Maiden

Gostaria, antes de tudo, de deixar algumas críticas. Novamente, ressalto o despreparo dos organizadores em relação ao acesso ao Campo de Marte. A avenida ficou entupida de gente, gerando problemas no trânsito, e na saída do local, era absurdo ver que as pessoas simplesmente entupiram o trânsito novamente, mas ao ponto de realmente fazer os motoristas desligarem seus veículos e esperar até que o fluxo pudesse ser seguido novamente. É claro, ainda “passa batido” porque foi o primeiro evento desse porte ocorrido no local, então com certeza haverá aprendizado após esse erro. Outra coisa lamentável foi o baixíssimo estoque de camisetas oficiais nas duas estandes (uma para os clientes da pista premium e outra para os da pista comum). Já nos primeiros cinco minutos após o show, só era possível encontrar as camisetas no tamanho “extra large”, o que fez com que muitos fãs fossem embora decepcionados por não conseguirem uma camiseta oficial de algo tão histórico – e olha que poucas vezes se viu tanta gente disposta a desembolsar R$70,00 por uma camiseta num show.

O ponto mais negativo, entretanto, vai para a Tickets for Fun. Não bastasse a demora em enviar os ingressos via Correios alguns meses atrás – o que deixou muita gente, incluindo este que vos escreve, muito apreensiva –, um fato no mínimo ridículo, chamou a atenção: um amigo optou por retirar o ingresso na bilheteria (que, aliás, ficou à parte do Campo de Marte, numa praça à frente, o que foi uma decisão acertada, para não misturar com as filas de entrada) e, ao chegar, mesmo apresentando seus documentos, e mesmo após o atendente comprovar a compra do ingresso, por pouco não perdeu seu direito de entrar e assistir o espetáculo, apenas porque não havia levado consigo o cartão de crédito usado no ato da compra do ingresso (cartão de crédito este que ele usufruiu após emprestar de outro amigo). Ainda foi necessário ligar para o dono do cartão, para que este ligasse na central de atendimento de sua operadora do cartão, e então autorizasse a liberação do ingresso. É óbvio que o atendente não tinha culpa de nada, estava ali apenas fazendo aquilo que foi orientado e pago para fazer, mas – e por mais que me expliquem, eu nunca concordarei com isso – trata-se de um procedimento ridículo, desnecessário e que pôs em cheque a entrada de um cliente que pagou R$300 numa meia-entrada para ter o direito de ver seus artistas de gosto de perto (e olha que isso é preço para estudante), além de R$60,00 de uma taxa de conveniência (conveniência por comprar via internet, como se pagar a conta já não bastasse) que na verdade se mostrou bem inconveniente. Até que a empresa se torne mais responsável e bem menos burocrática nesse sentido, fica aqui a expressa não-recomendação por esta modalidade. Se for comprar, e por mais que isso vá encarecer ainda mais o preço final do ingresso, compre e opte por receber em casa; a dor de cabeça será zilhões de vezes menor ao chegar no local do evento já com o ingresso em mãos e sem precisar passar por tal humilhação.

Já dentro do local, o que se via – ao menos na área “premium” do local – era um clima de respeito e amistosidade. Mesmo entre aqueles que nem se conheciam, fazia-se ali uma espécie de “amizade momentânea”, até uma certa “irmandade”, algo muito bonito de se ver. Exceto por alguns pouquíssimos mal-educados que só faltavam arrancar cabeças de tanto que empurraram para conseguir ficar mais perto (“Amigo, pagar R$600 no seu ingresso já não foi suficiente?!”), as pessoas pulavam, se abraçavam e cantavam juntas, uma das cenas mais bonitas já presenciadas num show de Heavy Metal. Apenas fica aqui o pedido aos organizadores para que, pelo amor de Deus, aumentem sua coleção de CDs, que ouvir o “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” do AC/DC inteiro por dez vezes seguidas, por mais que seja AC/DC, acho que nem o próprio Angus Young aguentaria. Por outro lado, foi bonito ver a galera ansiosíssima entoando o riff principal de “Iron Man” quando este servia de fundo para os avisos de segurança, e foi também muito engraçado quando a galera vaiou a plenos pulmões a propaganda da operadora de TV por assinatura que patrocinou o evento, quando nesta apareceram Cláudia Leite e Jota Quest.

Enfim, com incríveis 35 minutos de atraso – no ingresso estava marcado que seria às 19 horas, mas eles entraram às 19h35 – subia ao palco o MEGADETH, uma escolha mais que bem-sucedida para a abertura do show principal. Eles criaram a expectativa com sua introdução “Prince of Darkness” e um telão que mostrava o logo da banda sendo construído por máquinas futurísticas. O show, entretanto, foi iniciado com os pés na porta: “Hangar 18”, do clássico disco “Rust in Peace”, de 1990, ditou as regras do jogo. Já nesta canção houve um momentâneo estranhamento, já que mr. Dave Mustaine baixou os tons originais das músicas para um tom abaixo, já que andava se esforçando demais e entregando “de menos” nos últimos tempos. Uma boa decisão, que o manterá no jogo fazendo as coisas direito por mais um bom período na carreira. Além disso, as canções naturalmente ficaram mais pesadas. De qualquer modo, “Wake up Dead”, com sua entrada de baixo violenta, e a arrastada “In My Darkest Hour”, deram sequência ao show, num esquema “clássico-após-clássico” de fazer qualquer um sentir orgulho e emoção em estar ali. E, meu amigo, como foi bonito ouvir o refrão de “She Wolf”, quarta música do (curto) setlist do MEGADETH, sendo cantado por tanta gente. Confesso que, por animado que eu tenha ficado em ve-los, senti certo receio por não saber como seria recebida a banda, mas eles ficaram satisfeitos, já que uma parte considerável dos presentes simplesmente gritava as letras das canções. Épico!

O MEGADETH tem comemorado em seus shows os vinte anos do lançamento do disco “Countdown to Extinction”, quinto disco de sua discografia, o que resultou no DVD “Countdown to Extinction Live”. Esse é um fato para o qual todos foram remetidos durante a brilhante execução de “Sweating Bullets”, outra que foi urrada pelos presentes. A enxurrada de clássicos foi brevemente interrompida por “Kingmaker”, única representante do último disco da banda, o mediano “Super Collider”. Uma faixa interessante, mas que dificilmente figurará na lista de clássicos da trupe de Mr. Mustaine; não obstante, o momento menos “quente” do show. Isso foi logo solucionado quando soaram nos PAs instalados no Campo de Marte as primeiras notas de “Tornado of Souls”, que iniciou uma nova saraivada de canções clássicas da banda. Em sequência, outra representante de “Countdown to Extinction”, o mega-sucesso “Symphony of Destruction” que, se não teve toda a sua letra cantada pelos fãs, ao menos teve seus riffs cantados (“me-ga-deth, me-ga-deth...” – cante o riff dessa canção assim que você vai entender). Um momento memorável, mas não mais do que a bigorna que é “Peace Sells”, uma canção curta, mas com letra forte e inteligente, e um instrumental arrasador. No fim, uma rápida saída para a tradicional volta e o “bis”, que se deu com somente uma música (e não poderia ser outra senão): “Holy Wars... The Punishment Due!”, que foi muito pedida pelos presentes. Uma execução perfeita, para dizer o mínimo. Ver que tudo ficou bem entre Dave Mustaine e David Ellefson e que novamente se deu a união de uma das duplas mais famosas do Metal é emocionante; Chris Broderick é um dos guitarristas mais assustadores do planeta, dada a perfeição com que executa os solos, sem no entanto soar “mecânico”. Shawn Drover não se mostrou tão animado, mas cumpriu de maneira eficaz o seu papel.

A comunicação entre banda e público entre as músicas foi escassa, mas é compreensível, já que normalmente as bandas de abertura têm pouco tempo para tocar, e o que o MEGADETH fez foi se esforçar para entregar sua música, que foi pelo que os fãs pagaram. Uma pena que tenha sido tão curtinho o setlist deles (como fã, penso que “Trust”, “Skin o’ My Teeth” e “A Tout le Monde” teriam dado um brilho a mais ao que já foi sensacional), mas ainda assim eles deram conta do recado. O som estava perfeito, não há crítica alguma a fazer nesse sentido, e a produção de palco dos caras, apesar de simples, estava bem bonita: três telões, sendo um de fundo e dois nos lados do palco, “espremendo” a bateria – além dos dois telões que quase sempre são instalados fora do palco, um de cada lado. Os telões exibiam um misto do show e de imagens que complementam o que é cantado nas letras das canções. Eficaz e bonito, no mínimo, e um “senhor” show de abertura.

Há de se dizer que as produções das duas bandas foram extremamente competentes. A produção do MEGADETH foi rápida ao desmontar aquilo que foi usado exclusivamente pela banda, e a do BLACK SABBATH foi tão rápida quanto, ao montar aquilo que seria necessário para o show principal. Confesso que, entretanto, senti falta daquela coisa esquisita que eles andaram usando como fundo de palco para cobrir os telões – custava tanto trazer só mais aquilo, Tony? – mas isso jamais tiraria sequer 0,00001% do brilho do espetáculo.

Considerando que o show principal estava marcado para as 21 horas, a banda entrou levemente atrasada. O palco estava coberto por um fino pano preto e era possível ver aquele clássico demônio que sempre figurou nos discos clássicos da banda em dois pontos do telão de fundo. Sem aviso para a maioria – mas eu vi os caras passando atrás do palco numa “brecha” que tinha por ali –, Ozzy gritou um “o-ô-o-ô-o-ô” que fez a galera ir à loucura. Era a deixa para um momento histórico na vida de todos os presentes, que foi confirmado quando as sirenes começaram a soar. Em cima delas, as batidas de Tommy Clufetos deram a deixa para que Geezer Butler (baixo), Tony Iommi (guitarra) e Ozzy Osbourne (voz) dessem início ao show, com o mega-clássico-arrasa-quarteirão “War Pigs”, que também inicia o disco “Paranoid”, de 1970. É claro que todos cantaram junto – inclusive as notas de guitarra –, e era possível ver, quase que ininterruptamente, muitas pessoas chorando. Os mais velhos talvez tivessem perdido as esperanças, e os mais novos provavelmente nunca tiveram, mas o fato é que tudo foi embora, porque estávamos todos vendo o Black Sabbath ao vivo, bem ali, nas nossas caras!!!

Ozzy imediatamente agradeceu a plateia e, como não poderia deixar de ser, cometeu sua gafe da noite, saudando a galera do “Rio”. Enfim, Ozzy está perdoado, afinal, estamos falando de um cara que já admitiu que nunca sabe onde está quando sai em turnê. Ele anunciou “Into the Void”, com seu primeiro riff macabro e o segundo que provavelmente é um dos embriões do Thrash Metal. Outra que foi cantada com gosto pelos fãs – e era possível ver que não haviam curiosos ou sortudos ali; quem estava no Campo de Marte naquela noite eram pessoas que cresceram ouvindo o baixo pulsante e incrível de Geezer, os riffs históricos e colossais de Tony, a maravilhosa horrível voz de Ozzy e a bateria, jazzy mas pesada, de Bill Ward – o único da formação original que não se faz presente na turnê, já que houve problemas contratuais no início de tudo. A primeira trinca de clássicos finalizou com “Under the Sun”, um dos riffs mais pesados de que se tem notícia.

Foi então que Ozzy Osbourne parou para finalmente se comunicar efetivamente com a plateia. Era nítida a alegria do Madman e de seus colegas de banda em tocar em São Paulo – Dave Mustaine havia dito, uma hora antes, que São Paulo foi a plateia mais barulhenta que eles tiveram na turnê até agora, o que certamente se refletiu, muito mais ainda, no show do BLACK SABBATH. E novamente o que se via era uma plateia indo às lágrimas quando deu-se a execução de “Snowblind”, que apresenta um dos melhores riffs já compostos por Tony Iommi. Foi inenarrável o sentimento de gritar “COCAINE!!!” num show do Black Sabbath, e aquele solo, meu amigo, com a Gibson SG fluindo loucamente, efeito de delay sobre o som distorcido... Não teria mesmo como não chorar. Histórico!

Veio então a primeira música do novo disco da banda, “13”, lançado no meio deste ano: “Age of Reason”, uma das melhores do álbum, que se encaixou perfeitamente no setlist recheado de clássicos. Os mais desavisados diriam que é uma música dos anos 1970, porque existe o estilo Heavy Metal, e existe o estilo Tony Iommi – e ninguém faz Heavy Metal como esse senhor fez ou faz. Ele é o mestre, e todos os outros são discípulos. Discípulos dos bons, mas discípulos. A prova disso foi a música seguinte, a síntese do Heavy Metal: “Black Sabbath”, que causou forte comoção, até por ter sido precedida pelos barulhos de chuva, trovão e sinos, assim como na gravação original do disco de estreia da banda. A parte mais lenta causava arrepios, e quando ficou pesado só era possível pular no ritmo da canção, de alegria, de extrema felicidade por poder presenciar o que talvez tenha sido a única oportunidade de ver o Black Sabbath (quase) original reunido uma vez mais. Ainda lembrando o primeiro disco, veio “Behind the Wall of Sleep” com seu riff groveado e sensacional e, mais uma vez como no disco, a canção foi emendada com o curto, mas histórico, solo “Bassically”, de Geezer Butler. Aliás, nessa parte, no “miolo” do show, o baixo de Geezer estava até mais alto, com um timbre não menos que poderoso, e realmente pulsava no coração cada nota grave que saía de seu instrumento, que no fim do solo levou os presentes a “N.I.B.”, provavelmente a segunda canção mais amada do primeiro disco da banda. Com certeza, essa foi a canção mais celebrada de forma física durante todo o espetáculo, visto que até os mais velhos arriscaram pular e berrar, de cabo a rabo, a letra da música.

Veio então “End of the Beginning”, música de abertura do novo disco da banda. A canção parece um misto de três clássicos: “Black Sabbath” no começo, “Dirty Women” no meio e “Snowblind” no final. Tudo certo, melhor que eles se “copiem” do que façam besteira – e besteira foi a única coisa que eles não fizeram em “13”, um disco tão histórico quanto qualquer outro que a formação clássica tenha lançado, por diferentes motivos. Muito bem recebida e já mais cantada do que “Age of Reason”, ela foi sucedida por “Fairies Wear Boots”, outra de “Paranoid”, de 1970. Um descanso foi dado para Ozzy quando a banda começou a instrumental “Rat Salad”, também de “Paranoid”, e então Geezer e Tony também resolveram tirar alguns minutos de repouso, restando para Tommy Clufetos entreter as 70.000 pessoas enlouquecidas. E ele fez isso de maneira brilhante, executando um solo de bateria que atingiu as raias da perfeição de tão técnico e cheio de musicalidade e feeling ao mesmo tempo. A única impressão que deu é que ele talvez possa ter estendido esse solo mais do que realmente deveria ou gostaria, visto que pareceu encerra-lo por quatro vezes. É, o descanso para os senhores com quem toca parece ser necessário, mas sem problemas, ele é um baterista fenomenal e seu solo foi um show à parte. Ozzy fez muito bem em “emprestar” o baterista de sua carreira solo ao BLACK SABBATH; o músico mostrou-se uma escolha mais que certeira nas duas bandas. Brad Wilk, o baterista do RAGE AGAINST THE MACHINE e do AUDIOSLAVE, e que foi o escolhido para gravar “13” junto à banda, é um ótimo baterista, mas provavelmente não faria tão bem quanto Tommy Clufetos, que – e me desculpem os mais saudosistas – não permitiu que ninguém sentisse saudades de Bill Ward. É claro que, pelo significado e pelo valor que isso teria, ver Bill Ward sentado ali, na bateria, teria sido inexplicavelmente lindo, mas qualquer um que tenha o mínimo de senso crítico sabe que ele não tem mais vitalidade para fazer o que Clufetos fez. Uma pena, mas é a verdade.

O solo de Clufetos culminou num dos riffs mais emblemáticos da história do Rock e do Metal: “Iron Man”, que não deu espaço para ninguém respirar, já que o povo cantava tanto os riffs quanto a letra. Mais um pedaço da história sendo vivido ali, naquele momento. E foi interessante notar o contraste entre o primeiro e o último anos da banda, visto que a canção seguinte foi o carro-chefe do último disco: “God is Dead?”, com uma bateria não menos que sensacional, seguida pelo baixo metálico de Geezer e os riffs mais que certeiros de Tony, além do vocal soturno de Ozzy. Essa canção, surpreendentemente, foi tão cantada quanto qualquer outro clássico no show – podemos considera-la um novo clássico, então? Essa canção é a síntese da ideia de que “13” é um disco sensacional, um autêntico disco do BLACK SABBATH, que faz jus e em nenhum momento mancha o que eles fizeram em seu período considerado clássico.

Talvez mais para rir do que para chorar durante o show, Ozzy anunciou “Dirty Women” e complementou com a agora célebre frase “I like dirty women, hahaha!”, arrancando risos dos presentes. Os risos voltaram quando Ozzy, no meio da canção e às voltas com as imagens de mulheres – e belos peitos sendo exibidos – no telão, simulou masturbação e fez cara de safado. É, mesmo corcunda e molenga, o Madman ainda é um baita frontman e entertainer. Em seguida, o riff destruidor de “Children of the Grave” chegou anunciando que o show estava perto do fim. E é lógico que a partir dali todos resolveram esgotar suas energias, pulando, cantando, se abraçando, sorrindo e chorando. Só quem sabe o que significa o Black Sabbath para o Heavy Metal entende essas emoções, e ver esses “vovozinhos” tocando mais esse clássico foi outro momento sublime. Ozzy havia dito que, se todos fossem realmente à loucura, eles voltariam.

Houve a saída para o retorno e o fim do show, e Tony Iommi assustou a todos com o riff demoníaco de “Sabbath Bloody Sabbath”, inesperado pela galera. Infelizmente, ficou só na introdução, que foi emendada rapidamente a “Paranoid”, onde todos realmente foram à loucura, pulando e empurrando, berrando e bradando os versos da canção. Era o ponto final de um show irretocável, e restaram os aplausos da plateia, os agradecimentos da banda e um Geezer Butler maluco dando um “banho de palhetas”, infelizmente, somente no lado esquerdo da plateia. Deve-se dizer, a tempo, que Ozzy Osbourne surpreendeu mais que positivamente. Nos últimos meses, ele andava preocupando os fãs que estavam esperando pelos shows do BLACK SABBATH, já que estava cantando pessimamente, fora do tom, descaracterizando todas as músicas. Para o espanto geral, ele deu um show de canto nesta noite, e observou-se que “Under the Sun” e “Children of the Grave” foram executadas nos tons originais das gravações do início dos anos 1970, e ele deu conta do recado de forma magistral!

Resta agradecer até o último dia de vida pela oportunidade de ter vivido para ver o BLACK SABBATH reunido. A lista de músicas que os fãs sentiram falta é imensa, mas isso em nenhum momento comprometeu o espetáculo. Há quem tenha esperado quarenta anos por isso, e pode-se dizer que valeu cada centavo, gota de suor e energia. Se você esteve presente, você viu a história acontecendo; você viu BLACK SABBATH na sua frente! Se você não esteve presente, por favor, lamente-se pelo resto de sua vida, pois você perdeu o show que nenhum fã de Heavy Metal poderia ter perdido. Não restam esperanças de que a banda volte a tocar no Brasil um dia, dada a avançada idade dos músicos e também o estado de saúde de Tony Iommi. Mas, se acontecer, com certeza todos estaremos lá, celebrando o Heavy Metal de maneira tão perfeita como foi a noite de sexta-feira, 11 de Outubro de 2013.

Setlist MEGADETH:

01. Prince Of Darkness (Intro)
02. Hangar 18
03. Wake Up Dead
04. In My Darkest Hour
05. She Wolf
06. Sweating Bullets
07. Kingmaker
08. Tornado Of Souls
09. Symphony Of Destruction
10. Peace Sells
11. Holy Wars... The Punishment Due!
12. My Way (Sid Vicious’ Song) (Outro)

Setlist BLACK SABBATH:

01. War Pigs
02. Into The Void
03. Under The Sun
04. Snowblind
05. Age Of Reason
06. Black Sabbath
07. Behind The Wall Of Sleep
08. Bassically (Geezer Butler’s Solo)
09. N.I.B.
10. End Of The Beginning
11. Fairies Wear Boots
12. Rat Salad
13. Drums Solo (Tommy Clufetos’ Solo)
14. Iron Man
15. God Is Dead?
16. Dirty Women
17. Children Of The Grave
18. Sabbath Bloody Sabbath (Intro)/ Paranoid
19. Zeitgeist (Outro)

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Black Sabbath, Megadeth (Campo de Marte, São Paulo, 11/10/2013)

3616 acessosBlack Sabbath: A História finalmente acontece em São Paulo4851 acessosBlack Sabbath: a frase "Os bons morrem jovens" tem suas exceções5000 acessosBlack Sabbath: os pais do heavy metal de volta a SP5000 acessosBlack Sabbath: Show de clássicos em São Paulo5000 acessosBlack Sabbath: o emocionante show da banda em São Paulo


MegadethMegadeth
Para cumprir tabela, banda faz um show curto em São Paulo

154 acessosFuturo Headbanger: Pai homenageia Lemmy e Mustaine em nome do Filho21 acessosEm 01/12/1957: Nasce Chris Poland (Megadeth)2501 acessosMarty Friedman: por que ele prefere comer vidro que ouvir Hendrix?39 acessosEm 23/11/1972: Chris Adler (Lamb Of God, Megadeth)3441 acessosNando Moura: a trolagem do Megadeth e o Top 5 do Kiko Loureiro0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Megadeth"

Dave MustaineDave Mustaine
Existe uma música do Led Zeppelin que ele não suporta

MetallicaMetallica
"Master of Puppets" é eleito o álbum de metal mais influente

Kiko LoureiroKiko Loureiro
Ele intimidou Chris Adler quando mostrou CD solo

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Black Sabbath"0 acessosTodas as matérias sobre "Ozzy Osbourne"0 acessosTodas as matérias sobre "Megadeth"


MetallicaMetallica
Gosto musical impediu que se tornassem um Maiden

Bruce DickinsonBruce Dickinson
Use Your Illusions? Aquele formato é uma bosta!

Led ZeppelinLed Zeppelin
Plágios, homenagens ou mera coincidência?

5000 acessosIron Maiden: como soa a voz de Bruce Dickinson isolada?5000 acessosRoqueiro poser: 100 regras essenciais para se tornar um5000 acessosTreta: Zakk Wylde cuspiu cerveja em James Hetfield?5000 acessosScorpions: "algumas bandas já deveriam ter parado"5000 acessosPeppa Pig: "Eu gosto disso! É muito adulto!"5000 acessosAerosmith: a história do roubo da canção do filme "Armageddon"

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.


Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

Mais matérias de Hugo Alves no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online