A banda dos EUA que já tinha "Black Sabbath" no repertório e Oz Osborne como baixista em 1969
Por Bruce William
Postado em 22 de fevereiro de 2026
Quando se fala em ocultismo no rock, muita gente vai direto ao Black Sabbath. Só que existe um capítulo anterior nessa história, e ele passa por uma banda de Chicago chamada Coven. O grupo lançou o álbum "Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls" em 1969, com elementos que hoje parecem até "avançados" demais para a época: cruzes invertidas, clima ritualístico, "Hail Satan!" em contexto rock e até uma faixa chamada "Black Sabbath". Para completar a coincidência, o baixista se chamava Oz Osborne.
Black Sabbath - Mais Novidades
A comparação com o Sabbath acaba vindo automática, mas o som do Coven seguia outro caminho. Em vez daquele peso arrastado e denso que ficou associado ao metal britânico, a banda trabalhava uma linha mais psicodélica e teatral. Ainda assim, havia uma ligação evidente no magnetismo sombrio e no uso de temas que, naquele fim dos anos 1960, ainda causavam reação forte - inclusive dentro da própria indústria.
No centro disso tudo estava Jinx Dawson, vocalista do Coven, que tinha só 18 anos quando a banda entrou em estúdio. E, pelo que ela conta, o ocultismo não era apenas uma estética escolhida para chamar atenção. Em entrevista ao Louder Sound, Jinx disse: "Eu sempre estive envolvida com a Magia da família desde criança, e isso sempre girou ao meu redor como um amigo caloroso." Ela também afirmou ter crescido perto de parentes ligados à chamada "Left Hand Path" (mão esquerda), e que absorveu esse universo muito cedo.
Jinx descreve essa formação de maneira bem franca: "Eu cresci rapidamente perto dos Olde Ones - minhas duas tias-avós, que eram adeptas da Left Hand Path. Eu ficava e aprendia na mansão delas o máximo que me permitiam. Eu absorvia tudo e isso virou uma paixão. A Magia delas era contagiante e poderosa." Ou seja, na visão dela, o conteúdo que o Coven levou para a música nasceu de algo que já fazia parte de sua vida.
Esse ponto fica ainda mais claro quando ela fala sobre a origem da primeira música da banda. Ao lembrar dos primeiros passos do Coven, Jinx disse: "Ela foi escrita durante um ritual e manifestação que foram realizados depois que decidi dar à banda o nome Coven, em 1966." E completou com um tom que mostra como ela enxerga aquilo até hoje: "Tinha que haver a consumação de um pacto de sangue que fizemos para liberar certas informações esotéricas através da música. Essa música foi 'Wicked Woman'."
O texto do Louder destaca também uma pressão que a banda recebeu para suavizar justamente esse lado. A lógica era simples: sem largar a bruxaria e a simbologia ocultista, seria difícil conseguir contrato. Jinx diz que ouviu isso de todo lado, mas recusou. É aí que o Coven ganha força como pauta histórica: não é só uma curiosidade de "olha essa coincidência com o Sabbath", mas um grupo que bancou uma identidade quando isso ainda era visto como risco comercial.
Também chama atenção o contexto em que o disco surgiu. O fim dos anos 1960 já tinha aberto espaço para temas "satânicos" e esotéricos na cultura pop, com cinema, psicodelia e bandas flertando com esse imaginário. O Coven entrou nesse ambiente levando a coisa para um nível mais explícito, com símbolos, linguagem e encenação ritual que depois seriam reaproveitados, reinterpretados ou diluídos por vários nomes do rock pesado.
A história serve justamente para separar coincidência de influência automática. Coven não era o Black Sabbath antes do Black Sabbath, nem tocava o mesmo tipo de som. Mas o grupo ocupa um lugar importante nessa pré-história do oculto no rock, porque colocou esse tema na vitrine de forma frontal e assumida, quando muita gente ainda estava testando até onde dava para ir sem perder o contrato no caminho.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
Moyses Kolesne manda recado a quem reproduz discursos de Lemmy sobre política
Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
Devido à demanda, U2 anuncia data extra no Brasil
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Overkill é anunciado como headliner do Overload Beer Fest, que será realizado em março
Slayer toca "Reign in Blood" na íntegra no México; confira setlist e vídeos
O astro do country de quem Dave Mustaine tem mágoa até hoje: "É uma implicância minha?"
"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
A humilhação que Ozzy Osbourne sofreu num show e Tony Iommi jamais esqueceu
Metallica divulga versão ao vivo de "Welcome Home (Sanitarium)"
A música que Paul McCartney escreveu para fazer pazes com John Lennon depois dos Beatles
Os três melhores solos do Rush segundo Alex Lifeson, incluindo um que até ele acha difícil

Ozzy sabia que estava morrendo, segundo Sharon Osbourne
O erro de Bill Ward que o Black Sabbath manteve em um clássico
A banda que Ozzy venerava, James Hetfield odiava e Bruce Dickinson ridicularizava
O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
O álbum que Geezer Butler ajudou a batizar, mas cuja capa achou satânica demais
As 5 melhores músicas que começam com bateria, segundo Gastão
Dia Mundial do Rock: 50 músicas para apresentar rock e metal para quem não é muito fã
Bruce Dickinson e seu álbum preferido do Black Sabbath; "um dos melhores de todos os tempos"


