Rock Day Eusébio: Darkside num verdadeiro liquidificador humano
Resenha - Darkside (Rock Day Eusébio 2013, Eusébio, CE, 27/07/2013)
Por Leonardo M. Brauna
Postado em 31 de julho de 2013
"Quero ver todo mundo jorrando sangue pelos ouvidos nessa porra!" Assim começava mais uma apresentação da DARKSIDE que tornou a arena coberta do polo de lazer de Eusébio (CE) num verdadeiro liquidificador humano. Além dos seus integrantes, Marcelo Falcão (vocal), Tales Groo (guitarra, backing vocal), Renato Filtro (baixo, backing vocal) e Richardson Lucena (bateria) ainda subiu ao palco Helder Jackson, guitarrista que gravou ‘Prayers in Doomsday’ e que está "ausente" da banda desde abril desse ano. O show foi parte do festival ‘Rock Day Eusébio 2013’realizado pela ‘Hellsébio Produções’ que contou com o apoio da secretaria de cultura daquela cidade e da ‘Gino Production’.
A moçada banger de Eusébio esteve de parabéns, pois compareceu em peso naquela tarde de domingo. Ao todo foram nove bandas da cena cearense que atraíram até mesmo caravanas ao local. Archard, Gorewar, Dynamite, Warbiff, Thunda, D.E.P., Morddor e Catholic Youth contribuíram para o grande sucesso desse festival que já completou a quarta edição. O evento que teve como tema "Liberdade, Música e Desenvolvimento" provou que o rock pesado além de arte é um grande agregador da atitude pacífica de protesto, onde pessoas tiveram a oportunidade de "rasgar o verbo" com relação ao descumprimento de alguns setores de suporte à população.
Já passando das 19:00h Gorewar cede o palco para Darkside. Depois do pronunciamento do excêntrico locutor Vansmacy Vangleuson a banda segue explodindo nos PAs a introdução ‘The Apocalypse Bell pt. II, novo tema de abertura de shows que o grupo vem utilizando desde o ForCaos 2013. A nova canção ‘Legacy of Sadows’ é emendada e mais uma vez mostra para a banda que pelo menos ao vivo ela funciona perfeitamente. Esses dois temas já estão escalados para o próximo trabalho da banda.
Quem ainda não estava em frente ao palco foi puxado pelos riffs de ‘Sicrificed Parasites’, primeira execução do álbum ‘Prayers in Doomsday’ (2012), a emoção de quem não havia conferido a banda tocar com Helder foi nítida e assim foi notada a satisfação do guitarrista em estar mais uma vez lado a lado dos seus "ex-colegas". A melhor parte da música que é o seu refrão grudento ganha mais força cantado ao vivo com os backings de Renato e Tales. Destaque para as bases rasgadas que elevam os alto-falantes ao limite, antecedendo o "grito de guerra".
Quando o primeiro clássico do set, ‘Born for War’ é tocado, o espaço se torna num imenso coral. O despejo de riffs thrash atirados às pessoas amplia a razão para tantas rodas, sem falar na "covardia" dos ataques de Richardson que parece montar em uma metralhadora, não numa bateria. A platéia em peso massacrante anula por completo a audição dos PAs cantando o seu refrão, um momento glorioso para público e banda, assustador para quem não entende a força do Metal!
Hora do resgate de velhos clássicos e digo mais, hora de chamar um velho amigo, Ricardo Silveira, guitarrista da Frozen Fire, banda que fez muito banger entortar a cervical nos anos noventa é convidado a participar na música ‘Fragments of Time’. O guitarrista deu um show à parte e mostrou pra todos nós que a lenha continua queimando. Enquanto isso a turma lá em baixo não parava de agitar ao som desses veteranos. Cumprimentos e agradecimentos feitos, Ricardo se despede, terminando o momento nostálgico da apresentação ovacionado pelos presentes.
Mais uma vez Helder assume a guitarra para dar continuidade à pancadaria que veio através de ‘Anticitzen One’, a essa altura os moshes já dominavam o palco fazendo chover headbangers de cima. Homens e mulheres se amontoavam na festa enquanto a banda riscava no ar os riffs violentos do Metal. Outro destaque do evento foi o companheirismo de cada pessoa na festa, algo comum entre fãs de som pesado.
Com a poeira da pista ainda suspensa (afinal o local é realmente uma arena com solo coberto por minúsculas rochas) e um breve comentário do vocalista Marcelo sobre a sua renite, eis que o frontman manda se foder a sua alergia e chama o clássico maior da banda, ‘Bubonic’! Renato não economiza nas cordas do baixo e Tales com a sua inquietante performance sempre convidava o público a cantar junto. Momento mágico com todos bangeando e fazendo ecoar o refrão.
O set segue com mais uma do álbum ‘Eclipsed Soul’ (2004) e executa ‘Shades of Decay’ que não deixa o "sangue parar de jorrar", por fim a banda termina com mais uma a figurar no próximo álbum, ‘Megashits on Microminds’, séria candidata a clássico tocada pela primeira vez com duas guitarras, a canção nem foi lançada ainda oficialmente e o público já surpreende os músicos cantando algumas partes. Ao final da apresentação, Tales Groo não segura a emoção e se lança no meio da multidão enquanto o restante do grupo é aplaudido pelos fãs.
Não se tem certeza que Helder Jackson retornará definitivamente à banda, mas pelo que o guitarrista me passou antes de começar o show é que "existe o interesse de retornar ao time". Como espectador da banda não vejo o por quê dessa lacuna ainda existir, porém acredito que detalhes serão acertados e o Darkside nos brindará com grandes surpresas até a chegada do novo álbum. Até lá a multidão agradece por participar de festas como essa oferecida pelos irmãos de Eusébio. E que o Metal continue unindo forças pra vencer!
Set List:
The Apocalypse Bell Pt. II/Legacy of Shadows;
Sacrificed Parasites;
Born for War;
Fragments of Time;
Anticitzen One;
Bubonic;
Shades of Decay;
Megashits on Microminds.
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