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Barão Vermelho: chegou a ser chamado de Rolling Stones brasileiro

Resenha - Barão Vermelho (Barraca Biruta, Fortaleza, 12/01/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O BARÃO VERMELHO já chegou a ser chamado de "Os ROLLING STONES brasileiros". Bem, guardadas as devidas proporções, não há como negar que esta é uma das maiores bandas do rock nacional, graças principalmente a um de seus membros fundadores e autor de alguns de seus maiores sucessos, o inesquecível CAZUZA. A banda, formada por Roberto Frejat (guitarra e vocal), Guto Goffi (bateria), Peninha (percussão), Rodrigo Santos (baixo) e Fernando Magalhães (guitarra), além de Maurício Barros, tecladista da formação original que, na nova formação, aparece apenas como músico convidado (ausente inclusive dos materiais de divulgação do show).

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Os shows começaram cedo naquele sábado. À tarde ainda, com o surfista californiano Donavon Frankenreiter fazendo um show gratuito na Barraca Guarderia, também na Praia do Futuro, em um evento patrocinado por uma marca de cerveja. Apesar de não conhecer muito da música do surfista foi interessante vê-lo ao vivo no pequeno palco montado e sua interação com a plateia (em "It don't matter" ele desce do palco, distribui cervejas (quentes, provavelmente) aos fãs junto à grade e até escolhe um gordinho para subir ao palco e dividir os vocais). Depois, uma passada no Rock Cordel para ver as bandas TREM DO FUTURO e DAGO RED, quando já anoitecia.

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Antes do BARÃO, já em uma Biruta lotada, se apresentou a banda cearense REITE, que aqueceu a galera baladeira com algumas canções autorais (que inclusive tocam na rádio local, como o single ¨Eu Tô Louco¨), mas concentrando-se na maior parte do tempo em covers de outras bandas, como LEGIÃO URBANA. O pessoal na pista e no front stage demonstrou estar gostando, e até a insuportável ¨Moves Like Jagger¨ (MAROON FIVE) ficou mais digerível com o som alto das guitarras imposto pela REITE. Embora o vocalista Renato Mesquita e o baixista Iuri Menezes tenham boa presença de palco, o destaque da banda vai para o guitarrista/tecladista (João Paulo Taleires?). A banda também tinha tocado no dia anterior no Festival Rock Cordel 2013 (grande festival que ocorre anualmente em Fortaleza, promovido pelo Banco do Nordeste do Brasil). E por falar em Rock Cordel, foi muito bom encontrar n fila da cerveja Marcelo Leitão e Paulo Rossglow, guitarrista e vocalista da TREM DO FUTURO, que eu tinha acabado de ver no palco do Rock Cordel algumas horas antes. Agora estávamos todos ali para ver o BARÃO VERMELHO no palco da Biruta.

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O show mais esperado da noite começou pouco depois de 1H, quando Frejat subiu ao palco com seus cinco amigos do BARÃO VERMELHO. O show começa com "Por que a gente é assim" e a primeira frase dita é justamente o nome da turnê ("+1 dose"). O primeiro bloco, com exceção de "Cuidado" e "Pense e Dance" não teve hits radiofônicos, mas foram musicas importantes na carreira da banda. Foi interessante poder ouvir ao vivo músicas não tão frequentes nos setlists e nas rádios como "Menina Mimada" e a curta estória de "Billy Negão". Frejat e o guitarrista Fernando Magalhães se revezam nos solos até "Política Voz/Tão Longe de Tudo" quando chega a vez do solo de teclado de Maurício Barros.

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Embora muito gripado (e talvez por isso tenha optado por usar o primeiro casaco que encontrou pela frente para se proteger da brisa da Praia do Futuro - aquele casaco vermelho só pode ter sido um acidente), um sempre cortês Frejat mantem o espírito e a empolgação da plateia. E se a voz de Frejat não falhou, também não falhou a produção da Arte Produções, que garantiu um som sem defeitos perceptíveis ao longo de todo o show. E começam os hits que mais tocaram nas rádios, como "Por Você" (numa versão que começa mais acústica) e a necessária homenagem a CAZUZA "O Poeta Está Vivo".

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A banda inteira parecia se divertir bastante com o show, afinal, a turnê é uma comemoração a na da menos que trinta anos de estrada, trilhados juntos pela maioria ali desde o primeiro álbum. Isso ficava ainda mais evidente nos "Tchu Tchu" que faziam em "Bilhetinho Azul". E continua o desfile de sucessos, como o mais recente "Sorte e Azar", resgatada dos arquivos de estúdio para a reedição do disco "Barão Vermelho" (1982) e que já virou, como muitas outras músicas do BARÃO, tema de novela. "Pedra, Flor e Espinho", "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo", "Bete Balanço", "Puro Êxtase" e a cover da LEGIÃO URBANA "Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto" continuaram o clima de pura festa até um dos melhores momentos, na minha opinião, o duelo entre a bateria de Guto Goffi e a percussão de Peninha em "Declare Guerra". O acervo de Peninha merece também uma cuidadosa observação, com todo tipo de tranqueiras para tirar o seu som, como um címbalo em péssimas condições (mas que o percussionista demonstra conhecer como a palma de sua mão).

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Apesar de não prejudicar visivelmente a voz de Frejat, a gripe que ele carregava consigo pode ter sido a causa de uma drástica redução no setlist(comparando a outros shows da turnê), deixando de fora sucessos como "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", "Malandragem, Dá Um Tempo", "Codinome Beija-Flor" e "Satisfaction", cover dos ROLLING STONES que esperava-se que eles tocassem num segundo bis (que não existiu). Tudo bem, afinal tínhamos tido ali mais de vinte canções que fizeram parte da história do rock nacional, sem falar no grande tempero da turnê, a presença de músicas que raramente alguém ali já teria visto ao vivo ou teria oportunidade de ver novamente. Já podíamos voltar felizes para casa e o dia nasceria feliz.

Set List

Por Que a Gente é Assim
Ponto Fraco
Pense e Dance
Cuidado
Menina Mimada
Billy Negão
Carne de Pescoço
Meus Bons Amigos
Política Voz / Tão Longe de Tudo
Por Você
O Poeta Está Vivo
Bilhetinho Azul
Sorte e Azar
Pedra, Flor e Espinho
Vem Quente Que Eu Estou Fervendo
Bete Balanço / A Chave da Porta da Frente
Puro Êxtase
Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto
Declare Guerra
Maior Abandonado

1º Bis
Down em Mim
O Tempo Não Para
Tente Outra Vez
Pro Dia Nascer Feliz

Crédito das Fotos: Arte Produções


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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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