Creed: a espera dos fãs brasileiros finalmente acabou
Resenha - Creed (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 23/11/2012)
Por Gabriel von Borell
Postado em 27 de novembro de 2012
A espera dos fãs brasileiros por um show do Creed no país finalmente acabou. Depois da decepção de um hiato de cinco anos, a satisfação com um disco de inéditas e a frustração de uma turnê solo do vocalista Scott Stapp no Brasil cancelada em 2011, o Creed, enfim, trouxe sua turnê para cá.
E diante do fato inédito, o público tupiniquim de uma das bandas norte-americanas mais bem sucedidas comercialmente nos últimos 15 anos apresentou à banda aquela receptividade que deixa todo artista internacional perplexo durante o primeiro contato com uma plateia brasileira. O show no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (23) abriu a série de quatro apresentações do grupo no país.
Rejeitando rótulos como "pós-grunge" e "rock cristão", o que de fato não chega perto de definir o Creed, Stapp, junto com Mark Tremonti (guitarra), Brian Marshall (baixo), Scott Phillips (bateria) e Eric Friedman (guitarrista de turnê) iniciou o show, previsto para começar às 22h, no Citibank Hall, na Barra da Tijuca, com cerca de 12 minutos de atraso. "Are You Ready?", faixa escolhida para a abertura, parecia um aviso prévio para alertar sobre a noite insana que 4.500 cariocas iriam desfrutar. Empolgados com o barulho e com o comportamento, que beirava a loucura, vindo do público, Stapp cumprimentou os fãs com um "Como vocês estão?" e depois disse que "era muito bom estar ali".
Em seguida o Creed emendou a apresentação com "Torn", do álbum de estreia "My Own Prison" (1997) e "Wrong Way", do disco seguinte, "Human Clay" (1999). Volta e meia o vocalista abria uma garrafa d’água e jogava o líquido em cima dos fãs, que aplaudiam a atitude do cantor. Já "What If", também do segundo CD, foi responsável pelo momento mais caótico de todo o show e a plateia parecia possuída diante dos fortes versos da canção. Enquanto isso, Stapp, que sempre teve seu timbre comparado ao do vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, impressionava com sua excelente performance vocal e entrega no palco. A qualidade técnica de seus companheiros, principalmente Tremonti, também precisa ser ressaltada aqui. "Unforgiven", outra disco de 1997, não contagiou tanto o público, que voltou a vibrar com um dos principais hits de toda a carreira do Creed: "My Own Prison".
Depois veio a primeira música do álbum mais recente, "Full Circle" (2009), a entrar no repertório, "A Thousand Faces", que também animou os fãs cariocas, embora o coro da plateia tivesse diminuído. Mas eis que chegava a hora de "Bullets", do terceiro CD, "Weathered" (2001), e as coisas no Citibank Hall ficaram descontroladas de novo. O comportamento do público se acalmou, relativamente, com "Say I", e na sequência "Faceless Man" emocionou a plateia do Rio de Janeiro. Scott, ao final da canção, reagiu com palmas e depois soltou um grito de "yeah" enquanto mantinha os punhos fechados, em um claro sinal de aprovação. "What’s This Life For?", "One" e "Higher" fecharam a apresentação antes do bis, por volta de 23h30, e era praticamente impossível destacar qual das três causou maior comoção entre os fãs da banda.
O que é possível dizer é que a sequência final foi digna de reverência. Reunindo talvez os maiores sucessos dentre os singles do Creed, no bis os fãs cantaram a plenos pulmões "With Arms Wide Open", "One Last Breath" e "My Sacrifice". Pouco antes de o relógio marcar 00h, com 1h40 de apresentação, o Creed encerrava o seu primeiro show no Brasil, com direito a mais palmas e gritos de punhos fechados de Stapp.
Mesmo tendo faltado alguns hits como "Don’t Stop Dancing" e "Rain", os fãs podem, inclusive, reclamar da ausência de faixas do último disco, o público carioca, que provavelmente ficou sem voz no dia seguinte, deixava o Citibank Hall em estado de graça, aparentemente entorpecido diante da presença de uma banda que, em outros momentos, parecia tão distante do Brasil. Depois disso, o retorno do Creed ao país soa como algo mais natural do que qualquer fã poderia supor. Veremos.
Set list:
1- Are You ready?
2- Torn
3- Wrong Way
4- What If
5- Unforgiven
6- My Own Prison
7- A Thousand Faces
8- Bullets
9- Say I
10- Faceless Man
11- What’s This Life For?
12- One
13- Higher
Bis:
14- With Arms Wide Open
15- One Last Breath
16- My Sacrifice
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