"O Guns N' Roses não é mais banda que o Barão Vermelho", disse Frejat em 1991
Por João Renato Alves
Postado em 18 de novembro de 2024
Um dos protagonistas da edição inaugural do Rock in Rio, em 1985, o Barão Vermelho estava escalado para a segunda, seis anos mais tarde. À época, a banda divulgava o álbum "Na Calada da Noite" (1990), sétimo de inéditas na carreira. No entanto, acabou desistindo após desacertos com a produção do evento.
Meses depois, durante participação no programa "Chá das 5", da Rádio Transamérica, Roberto Frejat explicou o que fez o grupo tomar a atitude. A declaração foi resgatada pelo canal do YouTube Midiatorium TV. Disse o vocalista e guitarrista...
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"A gente já fez vários eventos desse tipo, o primeiro Rock in Rio, Hollywood Rock, abertura do Rod Stewart... E a gente sabe que é essencial fazer uma passagem de som para conhecer o palco em que está tocando e também nivelar os volumes de todos os aparelhos que estão sendo usados. Isso é feito por todo mundo, quem não faz é antiprofissional. O Barão é uma banda profissional, tem estrada e sabe utilizar isso bem. Por que teve gente que teve direito a isso e não soube utilizar."
A seguir, o músico revelou ter sido avisado que não teria direito ao soundcheck no Maracanã.
"Quando fomos avisados, a gente se recusou a participar. Eles ficavam o tempo todo argumentando que era promoção, que a gente ia ganhar muito... Eu acho o seguinte: se você faz uma grande cagada, todo mundo sabe que você fez uma grande cagada. Nesse momento da carreira, as pessoas sabem que o Barão é uma banda que faz parte do primeiro time do rock brasileiro. Não é o Rock in Rio que vai promover a gente a isso ou não."
Frejat também não se furtou de comentar o tratamento diferente a atrações estrangeiras e nacionais – crítica que segue ocorrendo nos dias atuais.
"Eles tratam tão mal os artistas nacionais, acho que podiam fazer um evento só com os estrangeiros. Acho ótimo, a gente ia lá e ninguém se aborrecia. Houve uma falta de cortesia com os artistas nacionais e eu acho até uma coisa chata, porque são pessoas que trabalharam com vários artistas nacionais e como agora estão deslumbrados com esse contato com os artistas internacionais, tomam esse tipo de atitude. Vão ficar fadados a só poder trabalhar com artistas internacionais. Vão cair no desagrado dos artistas brasileiros."
Questionado se faria o mesmo caso a oportunidade aparecesse novamente, o músico não pestanejou na resposta. E aproveitou para citar uma das bandas mais esperadas pelo púbico no segundo Rock in Rio.
"Tomaríamos a mesma decisão. Nunca tomamos uma decisão tão certa. Todo mundo que teve problemas, como o Alceu (Valença), Lobão, (Gilberto) Gil e vários shows que tiveram som horroroso foram a prova do que a gente tá dizendo. Íamos tocar na mesma noite do Guns N’ Roses. Eu admiro o Santana, é um cara que escuto desde que tinha 10 anos. Gosto do Guns N’ Roses. Eles têm a minha idade. O Guns N’ Roses não é mais banda do que o Barão Vermelho. Eles trabalham lá fora, têm um mercado muito maior, cantam em inglês, vendem muito mais discos... Agora, em termos de qualidade de trabalho, eu acho que são duas bandas de nível. Então, não sei por que eu vou ter menos direitos no meu país, ainda por cima, de ter estrutura que o Guns N’ Roses. Não tem por quê."
O Guns N’ Roses foi headliner de duas noites do Rock in Rio II. Dia 20 de janeiro se apresentou com Billy Idol (que havia tocado na noite anterior e fez um show extra após o cancelamento de Robert Plant), Faith No More, Titãs e Hanói-Hanói – esta última justamente quem substituiu o Barão Vermelho.
Em 23 de janeiro de 1991, o grupo de Axl Rose protagonizou a "noite do metal", junto a Judas Priest, Queensryche, Megadeth, Lobão (que foi expulso do palco pelo público) e Sepultura.
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