Machine Head: São Paulo tremeu em noite histórica
Resenha - Machine Head (Via Funchal, São Paulo, 14/10/2011)
Por Durr Campos
Postado em 15 de outubro de 2011
Primeiro show de turnê costuma ser um verdadeiro laboratório onde, na maioria das vezes, a cobaia são os fãs. Canções desencontradas, perdidas em um repertório irregular compõem o fator mais corriqueiro nas estreias de bandas que resolvem colocar o pé na estrada. Caro leitor, com o MACHINE HEAD aconteceu o exato oposto! A banda californiana, que atualmente promove o sensacional álbum Unto the Locust (2011), esteve em São Paulo nesta sexta-feira e promoveu um verdadeiro pandemônio, no melhor sentido que esta palavra pode gerar. Afiadíssimos, executaram com perfeição uma coleção de hinos e novos artefatos que fizeram o Via Funchal parecer um campo de guerra. Para auxiliá-los na maratona, ninguém menos que o SEPULTURA e os paulistanos do THREAT.

Texto: Durr Campos/ Fotos: Leandro Anhelli (www.anhelli.com.br)
Pouco se passava das oito da noite quando o quinteto composto por Guizão Menossi (vocais), Andre Curci e Wecko (guitarras e vocais), Fábio Romero (baixo e vocal) e Edu Garcia (bateria) entraram mostrando muito serviço. Para quem ainda não se ligou, o Threat é uma banda de thrash core que nos remete àquele crossover perpetuado pelo D.R.I., adicionado ao punch de nomes como Suicidal Tendencies, Biohazard e do próprio Machine Head, mas cheio de personalidade e aquele groove que só os brasileiros conseguem manejar. Tocaram com garra e domínio palco, provando que não é a toa o reconhecimento que estão conquistando.


Eu aguardava com certa ansiedade pelo show do Sepultura, confesso. Primeiro porque faz anos que não os vejo ao vivo e segundo por conta da curiosidade que sempre predomina os concertos dos caras. Isto é, sempre rola aquela pergunta: "Vão tocar apenas os clássicos da fase Max Cavalera ou realmente promover o disco de trabalho?" Pelas 19(!) canções apresentadas posso dizer que o set foi bem balanceado. Para o meu gosto pessoal, no entanto, poderia ser melhor, mas justiça seja feita e, para registro, Andreas Kisser, Paulo Jr., Derrick Green e Jean Dolabella fizeram um tremendo show!


O início com o duo "Arise" e "Refuse/Resist" já ganhou a plateia, que parecia ensandecida pela massa sonora emanada dos PAs. A partir dali foram mesclando material recente como "Kairos" e os covers – interessantes, por sinal – do Ministry ("Just One Fix") e Prodigy ("Firestarter"), além dos clássicos do naipe de "Dead Embryonic Cells", "Attitude" (versão matadora!), "Troops of Doom", "Sepctic Schizo" e "Escape to the Void". Kisser estava em noite inspirada e mostrou toda sua técnica e malícia nas seis cordas. Outro destaque é o Jean. Suas batidas nos lembram do Igor Cavalera dos bons tempos. Finalizaram com "Territory" e "Inner Self", retornando em seguida para fazer o encore com a óbvia "Roots Bloody Roots", sempre festejada.


Era então chegada a hora tão aguardada. Ver o Machine Head pela primeira vez no país certamente tirou o sono de muitos seguidores da banda, mas saber que dali a pouco estariam diante dos seus ídolos já arrancava lágrimas de alguns, como pude perceber minutos antes da entrada dos norte-americanos.
Com 20 anos exatos de carreira (nota do redator: O grupo foi formado no dia 12 de outubro de 1991), o Machine Head veio comemorar como seus fãs brasileiros. Porque o que presenciei no palco do Via Funchal foi uma verdadeira celebração ao amor a música pesada. A paixão com que tocou o líder, guitarrista e vocalista Robb Flynn foi tamanha que mesmo os que não conheciam tanto o som deles ficaram estupefatos. O quarteto, que é formado hoje pelo outro membro original – além de Robb – Adam Duce no baixo, o guitarrista Phil Demmel, do Vio-Lence (nota do redator: Banda original de Flynn na Bay Area de São Francisco, Califórnia) e pelo incrível Dave McClain, baterista que empresta seu talento ao Machine Head desde 1995, quase um ano após o lançamento do debut "Burn My Eyes".

O massacre teve início com "Imperium", faixa que abre o quinto disco Through the Ashes of Empires (2003), seguida da fabulosa "Beautiful Morning", do celebrado The Blackening (2007). Robb parecia muito satisfeito com o retorno do público e a recompensa foi ainda mais fôlego agregado às músicas que, por si só, segurariam tranquilamente a empolgação geral. "Locust", do mais recente e supracitado Unto the Locust e "The Blood, The Sweat, The Tears", única tocada do The Burning Red, álbum que segundo a própria banda é o mais vendido até hoje, só adicionaram mais potência e causaram alguns dos coros mais belos que já pude ouvir. Na verdade, não houve um momento sequer em que isso não acontecesse, mas enfim, eu precisava mencionar de algum modo.

"I Am Hell (Sonata in C#)", outra das novas, é um show a parte e foi tocada em seus três atos, a saber: I. Sangre Sani (Blood Saint); II. I Am Hell; e III. Ashes to the Sky. Os quase nove minutos de execução passaram como se fosse apenas um. Uma obra-prima que já nasceu com cara de clássico. Os duetos de guitarra entre Flynn e Demmel são de fazer muitos ditos ases do instrumento corarem de inveja. Exagero? Procure por algum vídeo dela pela Internet ou escute a versão de estúdio. Quem conhece sabe do que eu estou falando e pode falar melhor do que eu aí embaixo na parte dos comentários. "Bulldozer", do mediano Supercharger (2001), deu espaço ao hino "Old", do registro de estreia, seguida de uma de minhas favoritas do The Blackening, "Aesthetics of Hate". Peso absoluto, só amenizado pela majestosa "balada" "Darkness Within", que traz linhas de violões muito bem colocadas. Em tempo, destaco também os vocais de Flynn, que se mostram cada vez mais diversificados. "Tem Ton Hammer", do segundo e ótimo The More Things Change (1997) encerrou o set regular.

O retorno não demorou e, após agradecer efusivamente aos fãs pela dedicação e paciência na espera em vê-los, emendou duas que levantariam até defunto: "Halo", um primor, e o primeiro grande sucesso do Machine Head, a essencial "Davidian", ensurdecedora com seu refrão cantando em uníssono. Uma noite histórica encerrava-se ali. Senhoras e senhores, São Paulo tremeu!
Set-list do Machine Head:
1. Imperium
2. Beautiful Mourning
3. Locust
4. The Blood, the Sweat, the Tears
5. I Am Hell (Sonata In #C)
6. Bulldozer
7. Old
8. Aesthetics of Hate
9. Darkness Within
10. Ten Ton Hammer
Encore
11. Halo
12. Davidian
Set-list do Sepultura:
1. Intro
2. Arise
3. Refuse/Resist
4. Kairos
5. Just One Fix (Ministry cover)
6. Dead Embryonic Cells
7. Convicted in Life
8. Attitude
9. Choke
10. What I Do!
11. Relentless
12. Firestarter (The Prodigy cover)
13. Troops of Doom
14. Septic Schizo / Escape to the Void
15. Meaningless Movements
16. Seethe
17. Policia (Titãs cover)
18. Territory
19. Inner Self
Encore:
20. Roots Bloody Roots
Outras resenhas de Machine Head (Via Funchal, São Paulo, 14/10/2011)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda que Angus Young chamou de "Led Zeppelin de pobre"
Foo Fighters abrirá show do AC/DC logo após o Rock in Rio
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
Papangu aparece na lista de melhores discos de 2026 da Metal Hammer
Accept procurou Udo Dirkschneider para o disco de 50 anos e não obteve resposta
Connie Burton, irmã de Cliff Burton (Metallica), morre aos 66 anos
As cinco músicas eternas que completaram 60 anos, segundo Regis Tadeu
As duas faixas do "The Number of the Beast" que Bruce Dickinson e Steve Harris detestam
O lendário rockstar que já foi babá do ator Keanu Reeves
As 10 músicas mais rápidas do Metallica pela média de batidas por minuto
Quando Andre Matos quase morreu afogado e precisou ser resgatado de helicóptero
A canção de metal que é a "melhor música do mundo" de acordo com Jack Black
Children of Bodom é anunciado como atração do Summer Breeze 2027
A música do Foo Fighters que Dave Grohl parou de tocar por causa dos fãs
A faixa que não foi incluída em álbum dos Beatles após ser rejeitado mais de 100 vezes
Joey Ramone: em 1989 falando de Metallica, AC/DC e Guns N' Roses


De Black Sabbath a Babymetal, 50 músicas que formam a playlist definitiva do heavy metal
As 10 melhores músicas do Machine Head, segundo a Metal Hammer
Vídeo do Machine Head é citado pela Louder como um dos melhores da história do nu metal
Como o Celtic Frost influenciou o som do Machine Head, segundo Robb Flynn
Robb Flynn não imaginou que o Machine Head fosse durar tanto tempo
Robb Flynn teve overdose na noite em que assinou com a Roadrunner
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985



