Judas Priest & Whitesnake: sorriso no rosto dos fãs no RJ
Resenha - Judas Priest e Whitesnake (Citybank Hall, Rio de Janeiro, 11/09/2011)
Por Marcelo Prudente
Postado em 18 de setembro de 2011
No ditado popular é falado, e quase provado, que raio nunca dá o ar da graça duas vezes no mesmo lugar, mas tal afirmação foi por terra no último domingo, dia 11. Digo isso para os desavisados ou para quem passou os últimos tempos em Marte e não sabe que Whitesnake e Judas Priest fizeram uma turnê conjunta por aqui em 2005, e que foi um dos shows mais interessantes daquele ano no País.
E como a dobradinha deu o que falar na primeira visita, nessa segunda dose não poderia ser diferente com o Whitesnake defendendo o novo álbum, o "Forevermore", e o Judas Priest no intento da "Epitaph Tour" que os integrantes juram de pé junto ser a despedida da banda dos grandes palcos e longas turnês.
Whitesnake
A festa começou com o pessoal do Whitesnake na responsabilidade de fazer o ‘esquenta’ da noite e levar para bem longe qualquer ameaça de frio. Em quase uma hora e meia de show, a banda desfilou 11 canções, sendo algumas delas o bê-á-bá do hard rock, ou seja, a diversão era a principal certeza da noite.
É fato que hoje o vocalista David Coverdale, perto dos seus 60 anos, não consegue manter o registro alto como em tempos atrás e sua voz mostra sinal de cansaço. Mas com esperteza, o chefão da banda CobraBranca colocou os holofotes na década de 1980, onde estão seus discos multiplatinados; as canções de maior destaque e apelo comercial e, lógico, onde está a certeza da participação do público.
Com o álbum "Whitenake" (1987) Coverdale & Cia arrancaram suspiros das moçoilas com a açucarada "Is This Love"; assim como em "Here Go Again" e "Still Of The Night" que são em essência canções pra lá de adocicadas só que embrulhadas numa pegada mais energética. "Give Me All Your Love" fez muito marmanjo rememorar as propagandas de cigarro. Os álbuns "Slide It In" e "Good to be Bad" mostraram suas garras com "Love Ain’t No Stranger e "Best Years", respectivamente. E não pense que o novo disco ficou esquecido ou renegado a papel de coadjuvante. "Steal Your Heart Away", "Love Will Set You Free" e "Forevermore" mostraram que mesmo se apoiando na muleta da breguice com temas de amores incondicionais a banda consegue fazer render o assunto e criar canções até legais.
Não é novidade para ninguém que Coverdale sempre fez questão de trazer para seu lado músicos gabaritados e com grande experiência, mas nunca é tarde para lembrá-lo que é chato pacas solos individuais, salvo, claro, em raras exceções. Os momentos ‘esfria’ ficaram por conta do suposto duelo entre os guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich e o solo de bateria de Brian Tichy - completa a banda o baixista Brian Ruedy e o tecladista Brian Rudey. Não há segredo também que esses momentos são para tio David repousar o gogó, mas cá entre nós: bem que poderia ter tocado duas músicas no lugar desses solos individuais, não é?
"Soldier of Fortune", cover do Deep Purple, é cantada à capela arrebatando os corações sensíveis, mas a canção do Purple que fez o caldo voltar a entornar foi a ótima e esperada, "Burn". E com direito ao ‘insert’ de "Stormbringer", encerrando de forma satisfatória a parte hard rock do domingo.
Judas Priest
Com um repertório de 21 canções, o Judas Priest deu uma pincelada em grande parte de sua discografia, relembrando desde o primeiro registro, "Rocka Rolla" (1974), até ao mais recente, o conceitual "Nostradamus" (2008). Como esta turnê será, pelo menos em teoria, a última grande excursão da banda, os músicos não fizeram por menos, e trouxeram uma boa produção de palco, com direito a lasers, labaredas de fogo, jatos de fumaça, correntes, telão e backdrop referente à canção e o cantor Rob Halford incorporando as divas pop numa incessante troca de modelitos.
Parece uma coisa tola, mas funciona de verdade. Para saber se um show foi bacana, é só reparar se você esqueceu a existência de seu celular ou algum outro brinquedinho eletrônico que você carrega para cima e para baixo. Se a resposta foi positiva, você esqueceu esses pertences, tenha certeza que a banda fisgou pra valer sua atenção. E a apresentação dos britânicos foi tão boa assim: mais de duras horas de show que passaram como num piscar de olhos.
Num ‘catadão’ de toda carreira vieram temas indispensáveis como a maravilhosa "Victim of Changes"; "Hell Bent for Leather" com direito entrada da motocicleta; a indefectível "The Hellion/Electric Eye" e a grata homenagem ao Brasil em "You’ve Got Another Thing Coming" com o cantor enrolado à bandeira nacional. Poucas canções carregam consigo teor 100% heavy metal, mas "Painkiller" parece superar esse número, passando a ser, se não, melhor definição do estilo. Do mesmo álbum, "Painkiller, "Night Crawler" é certeira com seu clima soturno e pesado. Vale comentar a boa sacada da banda em expor no telão a capa do álbum respectivo à canção, além de algumas explicações mais detalhadas do vocalista, Rob Halford, situando no tempo e espaço os não muito afoitos pela banda.
Não faltam predicados para o álbum "British Steel", afinal, foi um dos influenciadores / motivadores do movimento NWOBHM, mas talvez a principal de todas suas virtudes resida no fato do disco ser um dos pilares do rock pesado. Não há dúvida que poucas bandas / álbuns chegam a tal patamar. A contra-lei "Breaking the Law"; a festiva "Living After Midnight" unem forces à "Metal Gods" e "Rapid Fire", e assim criam a tempestade perfeita com público cantando cada verso.
Infelizmente a reticência ao show foi a ausência de K.K. Downing, que numa crise existencial a lá pseudo-estrelas pops, abandonou o barco nos 45 do segundo tempo. Seu substituto, Richie Faulkner, fez o dever de casa e toca cada linha escrita pelos mestres Downing e Glenn Tipton. Mas fica a pulga atrás da orelha: porque escolher o reserva se o titular era com sobras melhor? É bom deixar claro, mais uma vez, que Faulkner não depreciou a apresentação da entidade metaleira, mas o brilhantismo da formação mais importante da banda foi arranhado - completa a banda o baterista Scott Travis e o baixista Ian Hill.
A noite pode ter sido cansativa para muitos que tinham que madrugar no dia seguinte e ir para o trabalho, mas a sensação e o sorriso no rosto provava que tinha valido cada centavo e tempo investido. Aguardamos ansiosamente que muitos raios do calibre de Whitesnake e Judas Priest dêem o ar da graça pelas bandas de cá, e nesse caso, torcemos para sermos atingidos em cheio.
http://rockonstage.blogspot.com/
http://www.territoriodamusica.com/shows/?c=1107
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música que Ian Gillan considera a melhor de sua carreira, acima dos clássicos do Deep Purple
A banda influenciada pelo Iron Maiden que Bruce Dickinson elegeu como sua favorita
A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
Zakk Wylde lembra breve período como guitarrista do Guns N' Roses
Aos 78 anos, Tony Iommi (Black Sabbath) reconhece não ter mais condições de realizar turnês
Por que o Led Zeppelin nunca alcançou a popularidade dos Beatles, segundo John Paul Jones
Nikki Sixx defende performances vocais de Vince Neil em shows do Mötley Crüe
Black Label Society faz show histórico em Belo Horizonte e emociona fãs
O cantor que deixou Robert Plant e John Bonham impressionados; "algum dia seremos assim?"
As 10 melhores músicas do Anthrax com John Bush nos vocais, segundo o Metal Sucks
A notícia traumática sobre o Metallica que Cliff Burton deu a Scott Ian do Anthrax
Nigel Durham, ex-baterista do Saxon, morre aos 61 anos
"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
The Gathering - uma das turnês mais esperadas pelos fãs de vocais femininos
Tony Iommi segue com planos de remixar "Born Again", do Black Sabbath
A banda moderna que para Paul McCartney superava o que ele e John Lennon faziam nos Beatles
Como enviar conteúdo ou se tornar um colaborador do Whiplash.Net?
Por que Lars Ulrich do Metallica nunca vai lançar uma biografia, segundo Andreas Kisser

Os 10 melhores álbuns de metal de todos os tempos, segundo Rob Halford do Judas Priest
Judas Priest lança livro interativo cobrindo período de seus primeiros discos
K.K. Downing se manifesta sobre aposentadoria de Ian Hill (Judas Priest)
De Trivium a Ozzy Osbourne, 150 músicas lançadas nos anos 2020 que merecem sua atenção
Ian Hill e Rob Halford divergem sobre a música definitiva do Judas Priest
KK's Priest divulga vídeo de cover de "Never Satisfied", do Judas Priest
Ian Hill diz que já gravou baixo do próximo álbum do Judas Priest: "Pelo menos vou estar lá"
O recado sincero de Ian Hill ao baixista que vai substituí-lo no Judas Priest
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida



