Judas Priest & Whitesnake: sorriso no rosto dos fãs no RJ

Resenha - Judas Priest & Whitesnake (Citybank Hall, Rio de Janeiro, 11/09/2011)

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Por Marcelo Prudente
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No ditado popular é falado, e quase provado, que raio nunca dá o ar da graça duas vezes no mesmo lugar, mas tal afirmação foi por terra no último domingo, dia 11. Digo isso para os desavisados ou para quem passou os últimos tempos em Marte e não sabe que Whitesnake e Judas Priest fizeram uma turnê conjunta por aqui em 2005, e que foi um dos shows mais interessantes daquele ano no País.

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E como a dobradinha deu o que falar na primeira visita, nessa segunda dose não poderia ser diferente com o Whitesnake defendendo o novo álbum, o “Forevermore”, e o Judas Priest no intento da “Epitaph Tour” que os integrantes juram de pé junto ser a despedida da banda dos grandes palcos e longas turnês.

Whitesnake

A festa começou com o pessoal do Whitesnake na responsabilidade de fazer o ‘esquenta’ da noite e levar para bem longe qualquer ameaça de frio. Em quase uma hora e meia de show, a banda desfilou 11 canções, sendo algumas delas o bê-á-bá do hard rock, ou seja, a diversão era a principal certeza da noite.

É fato que hoje o vocalista David Coverdale, perto dos seus 60 anos, não consegue manter o registro alto como em tempos atrás e sua voz mostra sinal de cansaço. Mas com esperteza, o chefão da banda CobraBranca colocou os holofotes na década de 1980, onde estão seus discos multiplatinados; as canções de maior destaque e apelo comercial e, lógico, onde está a certeza da participação do público.

Com o álbum “Whitenake” (1987) Coverdale & Cia arrancaram suspiros das moçoilas com a açucarada “Is This Love”; assim como em “Here Go Again” e “Still Of The Night” que são em essência canções pra lá de adocicadas só que embrulhadas numa pegada mais energética. “Give Me All Your Love” fez muito marmanjo rememorar as propagandas de cigarro. Os álbuns “Slide It In” e “Good to be Bad” mostraram suas garras com “Love Ain’t No Stranger e “Best Years”, respectivamente. E não pense que o novo disco ficou esquecido ou renegado a papel de coadjuvante. “Steal Your Heart Away”, “Love Will Set You Free” e “Forevermore” mostraram que mesmo se apoiando na muleta da breguice com temas de amores incondicionais a banda consegue fazer render o assunto e criar canções até legais.

Não é novidade para ninguém que Coverdale sempre fez questão de trazer para seu lado músicos gabaritados e com grande experiência, mas nunca é tarde para lembrá-lo que é chato pacas solos individuais, salvo, claro, em raras exceções. Os momentos ‘esfria’ ficaram por conta do suposto duelo entre os guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich e o solo de bateria de Brian Tichy - completa a banda o baixista Brian Ruedy e o tecladista Brian Rudey. Não há segredo também que esses momentos são para tio David repousar o gogó, mas cá entre nós: bem que poderia ter tocado duas músicas no lugar desses solos individuais, não é?

“Soldier of Fortune”, cover do Deep Purple, é cantada à capela arrebatando os corações sensíveis, mas a canção do Purple que fez o caldo voltar a entornar foi a ótima e esperada, “Burn”. E com direito ao ‘insert’ de “Stormbringer”, encerrando de forma satisfatória a parte hard rock do domingo.

Judas Priest

Com um repertório de 21 canções, o Judas Priest deu uma pincelada em grande parte de sua discografia, relembrando desde o primeiro registro, “Rocka Rolla” (1974), até ao mais recente, o conceitual “Nostradamus” (2008). Como esta turnê será, pelo menos em teoria, a última grande excursão da banda, os músicos não fizeram por menos, e trouxeram uma boa produção de palco, com direito a lasers, labaredas de fogo, jatos de fumaça, correntes, telão e backdrop referente à canção e o cantor Rob Halford incorporando as divas pop numa incessante troca de modelitos.

Parece uma coisa tola, mas funciona de verdade. Para saber se um show foi bacana, é só reparar se você esqueceu a existência de seu celular ou algum outro brinquedinho eletrônico que você carrega para cima e para baixo. Se a resposta foi positiva, você esqueceu esses pertences, tenha certeza que a banda fisgou pra valer sua atenção. E a apresentação dos britânicos foi tão boa assim: mais de duras horas de show que passaram como num piscar de olhos.

Num ‘catadão’ de toda carreira vieram temas indispensáveis como a maravilhosa “Victim of Changes”; “Hell Bent for Leather” com direito entrada da motocicleta; a indefectível “The Hellion/Electric Eye” e a grata homenagem ao Brasil em “You’ve Got Another Thing Coming” com o cantor enrolado à bandeira nacional. Poucas canções carregam consigo teor 100% heavy metal, mas “Painkiller” parece superar esse número, passando a ser, se não, melhor definição do estilo. Do mesmo álbum, “Painkiller, “Night Crawler” é certeira com seu clima soturno e pesado. Vale comentar a boa sacada da banda em expor no telão a capa do álbum respectivo à canção, além de algumas explicações mais detalhadas do vocalista, Rob Halford, situando no tempo e espaço os não muito afoitos pela banda.

Não faltam predicados para o álbum “British Steel”, afinal, foi um dos influenciadores / motivadores do movimento NWOBHM, mas talvez a principal de todas suas virtudes resida no fato do disco ser um dos pilares do rock pesado. Não há dúvida que poucas bandas / álbuns chegam a tal patamar. A contra-lei “Breaking the Law”; a festiva “Living After Midnight” unem forces à “Metal Gods” e “Rapid Fire”, e assim criam a tempestade perfeita com público cantando cada verso.

Infelizmente a reticência ao show foi a ausência de K.K. Downing, que numa crise existencial a lá pseudo-estrelas pops, abandonou o barco nos 45 do segundo tempo. Seu substituto, Richie Faulkner, fez o dever de casa e toca cada linha escrita pelos mestres Downing e Glenn Tipton. Mas fica a pulga atrás da orelha: porque escolher o reserva se o titular era com sobras melhor? É bom deixar claro, mais uma vez, que Faulkner não depreciou a apresentação da entidade metaleira, mas o brilhantismo da formação mais importante da banda foi arranhado - completa a banda o baterista Scott Travis e o baixista Ian Hill.

A noite pode ter sido cansativa para muitos que tinham que madrugar no dia seguinte e ir para o trabalho, mas a sensação e o sorriso no rosto provava que tinha valido cada centavo e tempo investido. Aguardamos ansiosamente que muitos raios do calibre de Whitesnake e Judas Priest dêem o ar da graça pelas bandas de cá, e nesse caso, torcemos para sermos atingidos em cheio.

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Sobre Marcelo Prudente

Marcelo Prudente, 28 anos, nascido em Volta Redonda/Rio de Janeiro. É profissional da área de Comunicação, trabalha com Publicidade e Jornalismo. Começou a tomar gosto pela música quando criança por influência dos pais e tio. Louco pela carreira do velho madman, Ozzy Osbourne. Curte também Iron Maiden, Kiss, Rammstein, Rob Zombie, Alice Cooper, etc. E já perdeu a conta dos bons shows que já assistiu e dos ótimos discos que tem. Para mais informação: http://rockonstage.blogspot.com/. Long live to Rock n' Roll.

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