Evergrey: Pouco público para excelente show em Porto Alegre

Resenha - Evergrey (Teatro do CIEE, Porto Alegre, 28/07/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Embora possua uma carreira verdadeiramente consistente mundo afora, os suecos do EVERGREY enfrentaram imensas dificuldades a partir de “Monday Morning Apocalypse” (2006). A banda, que recebeu duras críticas dos fãs e da mídia diante do fraco resultado do álbum, ainda viu a sua gravadora fechar as portas e três integrantes abandonarem o grupo. Porém, o ótimo “Glorious Collision” (2011) recolocou o quinteto no mainstream do metal progressivo e ainda trouxe a banda para uma grande turnê em nosso país – com cinco datas marcadas – que iniciou na última quinta-feira na capital gaúcha.

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Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks)

De qualquer modo, esperava-se uma plateia mais consistente. O grupo, mesmo após conviver em meio a instabilidades e incertezas, ainda pode ser apontado como um dos principais representantes do gênero, sobretudo após a boa repercussão de “Glorious Collision” (2011). Por causa dos discos da banda – quase todos disponíveis no mercado brasileiro em versão nacional –, não seria natural esperar a casa com menos da metade da sua capacidade preenchida. O que evidenciou como o público headbanger gaúcho não compreendeu de muito claro a relevância do espetáculo.

A apresentação do EVERGREY iniciou por volta das 22h com um relativo bom número de pessoas em frente ao palco – que abdicou das 420 poltronas disponíveis para assistir a banda de pé – como um verdadeiro show de metal. Embora praticamente desconhecido pelos fãs da música pesada, a casa que recebeu o quinteto sueco esbanja uma das melhores estruturas físicas – inclusive com estacionamento próprio – para eventos na capital gaúcha. Em cena, Tom S. Englund (vocal e guitarra), Marcus Jidell (guitarra), Johan Niemann (baixo), Rikard Zander (teclado) e Hannes Van Dahl (bateria) abriram os trabalhos com “Leave It Behind Us”, aproveitando muitíssimo bem o potente som do Teatro do CIEE. Os fãs do grupo misturavam um ar animado a um estado mais contemplativo diante do quinteto, que evidenciava muita tranquilidade para executar o repertório que abordou a sua discografia completa.

Entre aplausos e gritos com o nome da banda, o EVERGREY emendou na sequência “Monday Morning Apocalypse” e “As I Lie Here Bledding”, provavelmente uma das músicas mais animada da noite – e por que não – da carreira do conjunto sueco. Por mais que o jet lag de uma longa viagem como a enfrentada pelos caras seja um contratempo para qualquer artista europeu em nosso continente, os suecos não mostraram abatimento, apesar da voz de Tom S. Englund falhar e se mostrar um pouco cansada em momentos de maior exigência. Na sequência, “The Masterplan” contou com o público cantando o refrão praticamente sozinho. Outras músicas do famoso “In Search of Truth” (2001) vieram e na sequência e destacaram a importância do disco para os fãs. Porém, “Rulers of the Mind” não empolgou a plateia tanto como “Mark of the Triangle”, uma das “baladinhas” do EVERGREY.

Depois de distribuir palhetas e agradecer ao público que compareceu, Tom S. Englund comandou as palmas durante “Wrong”, outra música retirada do recente “Glorious Collision” (2011). O frontman do EVERGREY mostrou um bom humor ímpar sempre que interagiu com os fãs, mesmo após comentar a longa viagem desde a Suécia e a noite praticamente passada em claro por todos da banda. O show, que tinha perdido um pouco do seu ritmo inicial, deu uma melhorada considerável a partir da próxima faixa. Do álbum “Recreation Day” (2003), “Blinded” pode ser apontada como outro destaque do espetáculo, que retomou boa parte de sua agressividade a partir desse momento. No entanto, a retomada dos clássicos de “Solitude, Dominance, Tragedy” (1999) trouxeram ainda mais peso ao repertório. De um lado, “Solitude Within” contou com o acompanhamento das palmas dos presentes. De outro, “Nosferatu” intercalou velocidade com momentos cadenciados – sem abrir mão da boa resposta da plateia de outrora.

Em seguida, Tom S. Englund pediu para que as luzes do palco fossem redirecionadas para a plateia. Com o apoio das vozes de praticamente todos os presentes, a banda executou uma versão de “I’m Sorry” de arrepiar, sobretudo pela intensidade de seu refrão cantado quase que em uníssono pelos gaúchos. A música, que é uma das melhores de “Recreation Day” (2003), antecedeu o encerramento do espetáculo com “Frozen”, a terceira e última música do novíssimo “Glorious Collision” (2011). De certo modo, a maioria do Teatro do CIEE apenas acompanhou performance com os olhos – enquanto que apenas os mais fanáticos cantavam junto com o vocalista do EVERGREY.

De volta para o bis, os fãs conferiram a dramática e exótica “When the Walls Go Down” – executada em boa parte com samplers – antes de músicas como “Recreation Day” e “Broken Wings”, a única que homenageou o controverso “Torn” (2008). Porém, o encerramento do espetáculo foi com a famosa e conhecida “A Touch of Blessing”, uma das mais imponentes de todo o repertório. Os suecos do EVERGREY deixaram o Teatro do CIEE extremamente extenuados após 1h40 de show. Os fãs, por outro lado, pouco puderam reclamar. De modo claro, tudo funcionou perfeitamente bem – da performance ao vivo dos caras aos detalhes técnicos de som e de palco. Porém, os mais fanáticos podem questionar duas escolhas arbitrárias do quinteto: as faixas “The Great Deceiver” e “More than Ever” – mesmo pedidas diversas vezes durante o show – ficaram de fora do repertório.

Por fim, a simpatia e o carisma dos cinco integrantes do EVERGREY é uma coisa que merece ser – mais uma vez – destacada. Os músicos atenderam todos os fãs na saída do Teatro do CIEE para fotos e autógrafos, mesmo exibindo todo o esgotamento da viagem do norte europeu ao nosso país em seus rostos. Não há duvidas de que os (poucos) fãs gaúchos que compareceram ao espetáculo não se arrependeram. O ótimo show, juntamente com a oportunidade de ficar frente a frente com o grupo, certamente pagou com folga o valor cobrado pelo ingresso. Porém (e infelizmente), nem todo mundo compreendeu o tamanho – e até mesmo a importância – desse espetáculo.

Set-list:

01. Leave It Behind Us
02. Monday Morning Apocalypse
03. As I Lie Here Bleeding
04. The Masterplan
05. Rulers of the Mind
06. Mark of the Triangle
07. Wrong
08. Blinded
09. Solitude Within
10. Nosferatu
11. I’m Sorry
12. Frozen
13. When the Walls Go Down
14. Recreation Day
15. Broken Wings
16. A Touch of Blessing

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Post de 31 de julho de 2011


Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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