Guns N' Roses: só foi preciso um pouco de paciência

Resenha - Guns N' Roses (Apoteose, Rio de Janeiro, 04/04/2010)

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Por Gabriel Costa
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Quase um mês depois da frustração causada pelo cancelamento do aguardado show do GUNS N' ROSES na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, o dia marcado para a nova apresentação começou nublado, o que já trouxe uma nova dose de apreensão aos fãs da banda de Axl Rose. Afinal, a chuva fora a grande responsável pelas três longas semanas de espera.

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Foto da chamada: Marcelo Rossi (T4F)

Desta vez, porém, São Pedro pegou leve, e o temporal não teve força para trazer mais decepção aos cariocas. Com pouco papo e muitos clássicos, Rose e um grupo de músicos competentíssimos, que detratores e saudosistas teimam em classificar como "anônimos", garantiram que os fãs deixassem o local do show com largos - e cansados, é verdade - sorrisos no rosto. Para usar o inevitável clichê, só foi preciso um pouco de paciência.

A noite começou com uma performance apenas correta da banda carioca MAJESTIKE, uma espécie de cruzamento de PITTY com EVANESCENCE, que buscou inovar com uma versão de "Poker Face", da cantora pop LADY GAGA. Valeu a tentativa, mas, em termos de ousadia, a original ainda ganha, apesar da distorção adicionada pelo grupo brasileiro.

A espera pelo próximo show não foi longa, e logo o eterno ex-SKID ROW SEBASTIAN BACH estava agitando no palco com energia ímpar. É curioso perceber que, enquanto em entrevistas o cantor tenta se distanciar de sua antiga banda, ao vivo a história é diferente. Bach chegou até mesmo a puxar um coro de "Skid Row!" em determinado momento.

Não obstante, embora o público tenha de fato mostrado mais empolgação em "18 and Life", "In a Darkened Room" e "I Remember You"; canções do álbum solo "Angel Down", de 2007, como "(Love Is) A Bitchslap" e "Stuck Inside" mostram respeitável poderio ao vivo, bem como o belo cover de "Back In The Saddle", do Aerosmith. Infelizmente, o som durante o show de Bach começou bastante baixo, e subiu até um nível apenas razoável durante a apresentação.

E eis que, com o fim da apresentação de Bach, começa a "esperada espera" por Mr. William Axl Rose. Depois da primeira hora, sem sinais de que o show fosse começar e com o som mecânico já repetindo diversas músicas, o público começou a ficar impaciente, com seguidas sessões de vaia. A verdade, no entanto, é que é fato conhecido que Rose só sobe ao palco quando quer, e, consequentemente, atrasa o início de TODAS as apresentações, desde os tempos da formação clássica do GUNS. Esperar o contrário é, no mínimo, ingenuidade, por mais que se tratasse de uma madrugada de domingo para segunda-feira.

Para azar dos que foram embora mais cedo, por volta da uma da manhã Axl e sua trupe adentram o palco com a faixa título do tão-aguardado-que-acabou-passando-meio-em-branco "Chinese Democracy", seguida pela clássica e esmagadora tríade de introdução composta pela unânime "Welcome To The Jungle", a punk "It's So Easy" e a pesada e dançante "Mr. Brownstone"; não por acaso as mesmas do polêmico e inesquecível show no Rock In Rio III, em 2001. Se durante a introdução e primeira música ainda havia aqueles que insistiam em xingar a banda pelo atraso, essa trinca vinda direto do álbum "Appetite for Destruction", de 1987, ganhou o público.

Em seguida, numa escolha talvez um pouco equivocada para o set list, veio a lenta "Sorry", do último disco, um inequívoco e típico "momento de ir pegar uma cerveja". O clima voltou a esquentar com "Better" e, após o guitarrista Richard Fortus fazer um breve solo com citação ao tema do agente 007, James Bond, "Live and Let Die", seguida pela bela "This I Love", em uma versão ligeiramente diferente da presente em "Chinese Democracy".

Nesse ponto do show, durante a irresistível "Rocket Queen", já era possível atestar a qualidade dos supostos "anônimos" de Axl. O baixista Tommy Stinson (ex-THE REPLACEMENTS), um dos únicos remanescentes da formação que veio ao Brasil em 2001, junto aos tecladistas Dizzy Reed e Chris Pittman, se não tem o carisma de um Duff McKagan, continua um escudeiro digno e fiel para o dono da festa. Os guitarristas Richard Fortus, Ron "Bumblefoot" Thal e Dj Ashba (que toca com Nikki Sixx, do MÖTLEY CRÜE, no SIXX: AM) formam um time mais homogêneo que os guitarristas contratados anteriormente e, mesmo que Ashba exagere nas referências a SLASH, os três mantêm a potência guitarrística do GUNS. E o baterista Frank Ferrer, ou "Ed Motta", pode não ter a pegada punk de Steven Adler, mas não deve nada a um Matt Sorum, por exemplo.

A banda é entrosada, e em diversos momentos parecia abrir espaço para Axl falar com o público, mas o vocalista permaneceu peculiarmente calado até o fim do show, exceto nos momentos em que apresentava algum membro da formação.

"Street of Dreams" deu prosseguimento à noite, e em seguida vieram a demolidora "You Could Be Mine", talvez o ponto alto do show, e a açucarada "Sweet Child O'Mine", deleite dos fãs "ocasionais" do GUNS - se é que ainda havia algum na Apoteose àquela altura da madrugada -, sempre cantada em uníssono por plateias em qualquer lugar do mundo.

Uma breve jam em cima de "Another Brick In The Wall", do PINK FLOYD, deu lugar a uma sequência de arrebatar corações, com as sempre emocionantes "November Rain" e "Knockin' On Heaven's Door", e o solo de Bumblefoot e suas citações à música tema da Pantera Cor-de-Rosa. Depois de duas baladas com grande participação da plateia, só mesmo "Night Train", sabiamente encaixada como última música do set principal, poderia aumentar novamente o nível de adrenalina.

A pausa até o bis foi breve, e "Madagascar" provou-se a última do "Chinese" a ser executada, para a decepção dos que esperavam canções como "I.R.S", "Scraped" ou "There Was a Time". Mas não houve tempo para refletir a respeito, pois, com o fim iminente do show, só nos restava curtir "Whole Lotta Rosie" (do AC/DC), "Patience" e a magistral "Paradise City" como se não houvesse amanhã, uma vez que, com toda a excentricidade característica de Mr. Rose, é impossível saber quando - e se - o GUNS N' ROSES voltará ao Brasil.

E, afinal, "amanhã" era segunda-feira.

Set List:
1. Intro/ Chinese Democracy
2. Welcome To The Jungle
3. It's So Easy
4. Mr. Brownstone
5. Sorry
6. Better
7. Solo Richard Fortus / Live And Let Die
8. This I Love
9. Rocket Queen
10. Solo Dizzy Reed / Street Of Dreams
11. You Could Be Mine
12. Solo DJ Ashba (Ballad Of Death)/ Sweet Child O' Mine
13. Solo de piano de Axl Rose / Another Brick On The Wall / November Rain
14. Solo Ron "Bumblefoot" Thal (Tema da Pantera Cor-de-Rosa)/Knockin' On Heaven's Door
15. Night Train

Encore:
16. Madagascar
17. Jam instrumental / Whole Lotta Rosie (AC/DC cover)
18. Patience
19. Paradise City

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Sobre Gabriel Costa

Carioca, jornalista por profissão e roqueiro de nascença, Gabriel teve o primeiro contato direto com o rock and roll ao ouvir o álbum de estreia do Black Sabbath em um velho vinil de seu pai. Garoto do século 20, nascido em 1984, é absolutamente fascinado por tudo o que envolve o estilo, da música à mitologia. Canta na banda Six Pack Wonder, escuta de Backyard Babies a Strapping Young Lad, ama The Wildhearts e segue fielmente os ensinamentos de Lemmy e Danko Jones. Escreve no Twitter em http://twitter.com/gabrielccosta.

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