Glenn Hughes: review e fotos do show em Florianópolis
Resenha - Glenn Hughes (Floripa Music Hall, Florianópolis, 18/12/2009)
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 22 de dezembro de 2009
Ainda que aos poucos, parece que Florianópolis (SC) vem começando a receber artistas de Rock´n´Roll com mais frequência. No dia 18/12/2009 o inglês Glenn Hughes tocou na cidade pela segunda vez, desta feita na excelente casa de shows Floripa Music Hall, de acesso bastante fácil em uma cidade que teve o caos imperando pelo trânsito de sua região central por boa parte do dia.
Fotos: Luiz Antônio Menegotto e Ben Ami Scopinho
De qualquer forma, não foi isso e nem a chuva que impediu que o público rock´n´roller da região comparecesse. Pouco antes das 22:00h, o Immigrant, uma das mais conhecidas bandas cover da região, subiu ao palco e iniciou seu repertório de rock clássico sempre muito bem selecionado, com Led Zeppelin, Pink Floyd, Jethro Tull, etc, novamente conseguindo, canção após canção, levantar um público que ainda chegava ao local.
E foi às 23h30min que se anunciou o nome daquele que é conhecido como ‘The Voice Of Rock’, que está em turnê de divulgação do álbum "Funk Underground Nuclear Kitchen", de 2008 e disponível no mercado nacional. Glenn Hughes, que deu a volta por cima de problemas envolvendo drogas e álcool, está com 57 anos e excelente forma física. O vocalista e baixista estava acompanhado por Soren Andersen (guitarra, Superfuzz), Anders Olinder (teclado) e Matt Goom (bateria), que, mesmo sendo músicos desconhecidos do grande público, não poderiam ser menos que excelentes.
Tendo um público estimado em 700 pessoas – um número razoável em se tratando de Florianópolis – Hughes e Cia iniciaram o set com a pesadíssima "Stormbringer", do álbum homônimo liberado pelo Deep Purple em 1974. Como esperado, a platéia se inflama de imediato, ficando plenamente receptiva para mais três do Purple, "Might Just Take Your Life", "Sail Away" e "Mistreated", todas do álbum "Burn" (74).
Com uma perfeita qualidade de áudio, a interação com a platéia é constante e a agitação de Hughes com o simpático dinamarquês Andersen é excelente, percorrendo todos os cantos do palco. A esta altura, já era hora de alguma composição de sua carreira solo... "Crave", do próprio "F.U.N.K.", foi a escolhida e bem recebida por um público das mais variadas gerações, que tinham algo em comum: aquele sorrisão estampado nos rostos suados.
E aqui vale um parêntese... É tradição fazer uso de frases de efeito para definir algum artista ou obra, mas, ainda que isso seja algo corriqueiro, não quer dizer que sempre corresponda à realidade. No caso de Glenn Hughes, o termo ‘The Voice Of Rock’ também não consegue expressar corretamente sua atuação sobre um palco. Certamente a atitude é totalmente Rock, mas a aparente facilidade com que brinca (literalmente!) com sua voz resulta em algo tão impecável que ultrapassa os limites do que seria normal em termos deste estilo musical.
Vale mencionar a decoração do palco. A coisa toda foi extremamente discreta, onde somente o nome ‘Glenn Hughes’ estava ao fundo, com duas pequenas gravuras de temática hindu pelas laterais. Mais nada. E a iluminação também seguiu este padrão de simplicidade... Ou seja, quem estava na platéia tinha como real foco o desempenho de uma ótima banda de Rock Pesado, com atitude e talento de sobra, divulgando sua arte, sem o complemento de exagerados artifícios. Somente a Música.
E, continuando com a música, houve até mesmo a ‘mezzo’ desconhecida "Getting Tighter", inicialmente um simples bônus que saiu em território nipônico quando o Deep Purple lançou "Come Taste The Band" em 1975. A partir daí, alternam-se faixas desta banda com a fase solo de Glenn Hughes: "Don´t Let Me Bleed" (ô baixo cheio de efeitos!), "Holy Man", "Steppin´ On" e "You Keep On Movin´, estas duas últimas com grande participação do público.
O pessoal sai e retorna rapidamente para o bis, tendo na excelente "Soul Mover", do álbum de mesmo nome lançado em 2005, um Glenn Hughes realmente se divertindo com o público. Para fechar com chave de ouro, um dos maiores clássicos do gênero: "Burn!", de vocês-sabem-quem (ou não?!?).
É claro que, na ativa desde o final da década de 1960 e tendo participado de bandas importantes como Trapeze ou Deep Purple, uma carreira solo respeitável e inúmeros outros projetos consistentes, há uma infinidade de ótimas composições. Então, naturalmente, a sensação geral é que faltou muita coisa de sua vasta discografia.
A apresentação de Hughes cronometrou pouco mais de uma hora e meia, mas o tempo parece ter passado muito rápido. Entre a diversidade de público, estavam muitos músicos da região, vários obviamente admirados com a resistência e atuação do vocalista. É mais ou menos como Tony, vocalista do Monttana, disse após o show... "Glenn Hughes canta com a alma".
E quem lá esteve dificilmente poderá discordar...
Tracklist:
- Stormbringer
- Might Just Take Your Life
- Sail Away
- Mistreated
- Crave
- Getting Tighter
- Don´t Let Me Bleed
- Holy Man
- Steppin´ On
- You Keep On Movin´
Bis
- Soul Mover
- Burn!
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