Sepultura e Angra: em nome do prestígio do metal brasileiro

Resenha - Sepultura e Angra (Master Hall, Curitiba, 16/10/2009)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por André Molina
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.









Os admiradores de heavy metal brasileiro que presenciaram a apresentação em conjunto do Sepultura e do Angra no Curitiba Master Hall no dia 16 de outubro (sexta-feira) saíram satisfeitos do evento. As duas maiores bandas do metal brasileiro revisaram a carreira em quase três horas e meia de show. A diversidade do público também chamou a atenção. A maioria masculina se apresentou com camisetas do Sepultura e a feminina estava “uniformizada” de Angra. Gostos a parte, todo mundo se entendeu.

Fotos: Karil Soar

Quem teve uma surpresa indesejável foram os jornalistas e profissionais de imprensa encarregados de fazer a cobertura do evento. A maioria dos fotógrafos reclamou de não ter recebido resposta da produtora do show para fazer o credenciamento. Alguns só entraram bem depois do início da apresentação.

O espetáculo começou após a abertura da banda Dharma Khaos, que surgiu em Minas Gerais e reside em Curitiba. O Angra subiu ao palco e iniciou o show com as canções “Carry On e “Nova Era”, unindo as fases André Matos e Edu Falaschi em uma genial versão, que até poderia ser lançada em compacto. Por não ser um show de lançamento de álbum, o grupo de heavy metal melódico expôs um repertório com canções de todos os trabalhos. As músicas que se destacaram foram “Carolina IV” e “Silence and Distance” do álbum Holy Land, “Angels Cry” do primeiro CD, “Lisbon” do Fireworks, e “Rebirth” do primeiro disco com Edu Falaschi nos vocais. Após quase uma hora e meia de apresentação, a banda finalizou com “Nothing to Say” (Holy Land) e “Spread Your Fire”, do CD “Temple Of Shadows”.

O destaque do show foi o baterista Ricardo Confessori, que retornou ao Angra substituindo Aquiles Priester. Como não poderia deixar de ser, ele fez malabarismos entre as viradas e se sentiu bem à vontade já que a maioria do set list envolveu canções da fase André Matos (época em que Confessori administrou as baquetas). No geral, nada foi muito diferente. O que pautou mais o show foram o duelo de guitarras entre Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt e a simpatia do vocalista Edu Falaschi. O baixista Felipe Andreoli também não ficou para trás, se destacando na canção “Carolina IV”.

Após uma rápida pausa (10 minutos aproximadamente), houve a troca de baterias e uma breve passagem de som para a entrada da banda mineira Sepultura. Ao subir ao palco, percebeu-se que a qualidade do som e o jogo de luzes fez a diferença em relação ao Angra. Como anunciado anteriormente, o Sepultura aproveitou a apresentação para divulgar o ótimo álbum “Ale-x”, inspirado na obra “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess. A introdução instrumental criou um clima que lembra a trilha sonora do filme que Stanley Kubrick dirigiu sobre a obra. Em seguida, as canções “We’ve Lost You”, “What I Do”, entre outras vinhetas instrumentais, traduziram de maneira perfeita a atmosfera violenta de Laranja Mecânica.

O que mais surpreendeu foi o entrosamento da banda. O guitarrista Andreas Kisser liderou bem o grupo no palco e cantou “Escape To The Void”, do álbum Schizophrenia. O criticado vocalista Derick Green está bem a vontade e demonstrou que atualmente é peça fundamental no estilo que o Sepultura desenvolveu após a saída de Max Cavalera. O baterista Jean Dolabella substitui com competência Igor Cavalera. O novo integrante “desceu a lenha” e exibiu estilo com uma levada segura, principalmente nas canções de A-lex (primeiro álbum com sua participação).

Além de executar boa parte do novo CD, o Sepultura também fez uma retrospectiva de sua carreira. A banda tocou a “pré-histórica”, “Troops of Doom”, do álbum Morbid Visions de 1986, “Inner Self” do “Beneath The Remais”, as clássicas “Arise” e “Dead Embrionic Cells” do “Arise” e “Territory” e “Refuse Resist” para celebrar o consagrado disco “Chados AD”. Da fase Derrick Green, a banda apresentou a bem recebida “Sepulnation”, considerada o hino do grupo. No final, a clássica “Roots Bloody Roots” fechou o show com a despedida de Derick Green. “Esta é a última. Sepultura do Brasil!”, disse quase sem sotaque.

Em resumo, o fator mais positivo foi a celebração dos fãs das duas bandas. Mesmo sendo de estilos diferentes, houve muito respeito entre os admiradores.

Após muita gente deixar o Master Hall por acreditar que o show tinha acabado, as duas bandas retornaram ao palco para uma Jam Session. Entre brincadeiras com riffs de Back in Black (AC/DC) e Seek and Destroy (Metallica), os músicos executaram “The Number of The Beast” (Iron Maiden), “Smoke and Water” (Deep Purple) e “Paranoid” (Black Sabbath), que contou inclusive com participação especial do vocalista da banda Dharma Khaos. O clima de falta de ensaio e de compromisso ficou explícito nos vocais de Derick Green, que praticamente improvisou a letra de Paranoid e de Edu Falaschi, que chegou a esquecer algumas partes em “The Number”. Já em Smoke on The Water, quem cantou foi Rafael Bittencourt. A união das bandas no mesmo palco foi mais uma brincadeira. Seria mais interessante se os grupos executassem as próprias canções juntos. A possibilidade de ouvir Edu cantando “Roots”, por exemplo, e Derick soltando os vocais em “Carry On” causa mais curiosidade.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

AngraAngra
Rafael comenta nova fase, novo álbum e legado da banda (vídeo)

849 acessosAngra: Fabio Lione tem poderes! (making of do novo álbum)1941 acessosLione: "Nos últimos anos não vi novas bandas com ideias legais"601 acessosAngra: Fabio Lione queria ser Médico? Zoólogo?0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Angra"

Kiko LoureiroKiko Loureiro
Foto pagando mico em karaokê com Dave Mustaine

Kiko LoureiroKiko Loureiro
Em vídeo, debulhando no solo de "Tornado of Souls"

AngraAngra
Assista matéria antiga e equivocada na TV Globo

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Sepultura"0 acessosTodas as matérias sobre "Angra"

Capas de álbunsCapas de álbuns
30 das piores artes da história

Dave NavarroDave Navarro
Conheça a filha atriz pornô do músico

MetallicaMetallica
James Hetfield explica suas tatuagens preferidas

5000 acessosEnquete: Os 10 melhores shows do Rock In Rio 20155000 acessosDinho Ouro Preto: "É assustador ver todo o rock ficar de direita"5000 acessosFotos de Infância: Yngwie Malmsteen4648 acessosSlayer: Confira Angel of Death tocada no banjo5000 acessosTed Nugent: Uma polêmica opinião sobre Pantera e Dimebag Darrell5000 acessosTalento: pra quem tem, a idade é apenas um detalhe

Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

Mais matérias de André Molina no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online