Resenha - Joe Lynn Turner (Master Hall, Curitiba, 27/06/2008)

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Por André Molina
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Existem fatos que só acontecem em Curitiba. O cancelamento do show de Tony Martin é um deles. Estava tudo preparado para o evento que seria dividido entre Martin e o cantor Joe Lynn Turner na casa de espetáculos Curitiba Master Hall. O show seria realizado na última sexta-feira, 27 de junho. O desentendimento entre a produtora “In Concert Tour Agency” e a gerência da casa foi o motivo do cancelamento.

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Fotos: André Molina

A venda insuficiente de ingressos se tornou o obstáculo principal para a realização dos shows. A produtora do evento alegou que a venda necessária seria de mil ingressos. Com o excesso de apresentações de heavy metal em Curitiba, Martin e Turner conseguiram vender somente 300 entradas. Para não ter prejuízo, a casa pediu um valor adicional à produtora, que se recusou a pagar. “O aluguel era de R$ 4.500. A casa passou a pedir R$ 6.000. Não tínhamos esse dinheiro. Afirmamos que na hora venderíamos mais entradas para atingir o número necessário, mas não houve negociação”, declarou a produtora.

A solução encontrada para realizar o show foi a transferência para o Hangar Bar. Tudo parecia estar resolvido até Tony Martin, Geoff Nicholls e banda chegarem até o local para passar o som. A estrutura não agradou os músicos. “A parte mais triste é ter seis meses de preparação e no dia não estar pronto. Fiz a minha parte. Estive no local e no horário. Por mim não cancelaria. Adiaria. A estrutura é boa. O problema é o equipamento”, justificou Tony Martin.

O ex-vocalista do Black Sabbath não ficou satisfeito com a quantidade de canais da mesa de som. Segundo ele, era necessária uma mesa com recursos suficientes para realizar o show. “Não podemos comprometer a qualidade do show por causa do equipamento”, disse Martin.

É importante mencionar que o Hangar Bar ficou sabendo da mudança do show poucas horas antes do início. A casa não teve muito tempo para conseguir o equipamento exigido pelos músicos.

Salvador da pátria

Tudo parecia estar perdido no momento em que a produção avisou ao público, que fazia uma grande fila em frente ao bar, que o espetáculo estava cancelado.

Para amenizar a situação, os músicos, que já tinham voltado ao hotel Rochelle, decidiram ir ao Hangar Bar para fazer uma sessão de autógrafos.

Um dos representantes da produtora afirmou ao público: “O cantor Joe Lynn Turner está aqui para explicar a situação e dar autógrafos. Ele ama vocês”, disse.

Sem entender direito, os fãs voltaram ao bar e fizeram uma outra fila para falar com Turner e Tony Martin. Entre uma caipirinha e outra, Joe Lynn Turner decidiu fazer uma surpresa aos fãs curitibanos. O ex-vocalista do Rainbow se juntou à dupla de músicos da Casa, denominada “Space Trucking Duo”, para fazer uma espécie de “pocket show”. Ninguém parecia estar acreditando, mas todo mundo gostou da idéia.

Após cumprimentar os músicos, Turner iniciou a intimista apresentação com “Hush” e seguiu cantando Deep Purple, com as canções “Space Trucking” e “Smoke On The Water”. Ele demonstrou que não veio a Curitiba para ficar somente no hotel remoendo frustrações por não se apresentar. Turner estava mesmo a fim de cantar. Após a sessão Purple, o cantor apresentou versões do rock mundial sem muito compromisso. Entre os clássicos, ele cantou “Roxanne” (The Police), “Rock ‘n’ Roll” (Led Zeppelin), “Born To Be Wild” e “Blues Suede Shoes” (Elvis Presley).

Depois de tomar posse do violão e se sentir à vontade, Turner chamou Tony Martin para fazer uma parceria. Na ocasião, as duas lendas dividiram o microfone para cantar “All Right Now”, do ídolo Paul Rodgers. Martin cantou com competência, mas preferiu se reservar e não prosseguir com a apresentação, abandonando o “palco” após o encerramento da canção. Já Turner demonstrou que iria prosseguir com seu improvisado “unplugged” e, depois de alguns blues, tocou a clássica “Stone Cold”, do Rainbow.

Ao identificar a canção, a platéia começou a pedir mais canções do grupo fundado por Ritchie Blackmore. Para não deixar esfriar, Turner cantou “Street Of Dreams” e ganhou a noite, que parecia estar perdida. Muitos fãs que ficaram decepcionados com o cancelamento demonstraram certa satisfação ao presenciar Turner em um ambiente tão íntimo.

Após o encerramento da inesperada apresentação, o ex-Rainbow permaneceu no público, conversou com fãs e desfrutou de mais caipirinhas. A produção teve que insistir para ele deixar o Hangar e voltar ao hotel. O ex-Rainbow não queria ir embora.

Nos bastidores

Enquanto Lynn Turner fazia seu show informal, Tony Martin aproveitou para pedir pizzas, cervejas e alguns petiscos. O ex-vocalista do Black Sabbath preparou um happy hour para membros da produção, imprensa e alguns fãs em seu camarote.

Tarde de autógrafos

Tanto Tony Martin como Joe Lynn Turner realizaram sessão de autógrafos em Curitiba. O ex-Black Sabbath encontrou os fãs na Classic Laser e Turner na Let’s Rock. O problema é que muitos fãs que foram até o local não encontraram os ídolos. O motivo foi a mudança de horário. A sessão de Martin estava marcada para iniciar às 16h e foi transferida na última hora para 14h. Já o encontro com Joe Lynn Turner seria às 17h e mudou para 16h.

O mais prejudicado foi Martin, que deu autógrafos para pouco mais de meia dúzia de pessoas. Na segunda sessão tinha mais gente porque a Classic Laser informou os fãs que chegaram às 16h no local.

Acabou no Ramones

Ironicamente a apresentação de Tony Martin, que não aconteceu, foi encerrada com show da banda curitibana Magaivers, que fez tributo ao Ramones. O Hangar tinha marcado o evento antes da transferência de última hora. O grupo subiu ao palco após o encerramento do “unplugged” de Joe Lynn Turner.

O set list que seria apresentado por Tony Martin

I Witness
Headless Cross
Eternal Idol
The Shining
Lawn Maker
When Death Calls
Devil e Daughter
Raves Ride
Scream
The Hand That Rocks The Cradle
Breathe

O set que seria apresentado por Joe Lynn Turner

Death Alley Driver
I Surrender
Power Of Love
Stone Cold
Losing You
Can’t Let You Go
Keep Tonight
King Of Dreams
Power
Prelude Lendlessly
Blood Red Sky
Street Of Dreams
The Race Is On
Deja vu
Spotlight Kid
Burn

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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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