Helloween e Gamma Ray: Um espetáculo de eficiência em São Paulo

Resenha - Helloween e Gamma Ray (Credicard Hall, São Paulo, 20/04/2008)

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Por Júlio Verdi, Fonte: Rock-RP
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Um domingo chuvoso em São Paulo. As tradicionais tardes cinzentas e o trânsito movimentado misturavam-se a grande expectativa que quase toda a cidade vivia por conta da decisão da semifinal do paulistão entre Palmeiras e São Paulo (onde a equipe verde se deu melhor). Até então eventos comuns para a maior cidade brasileira. Mas para os aficcionados em heavy metal aquele domingo seria especial. Afinal as duas talvez maiores bandas de metal melódico da história do estilo se apresentariam na cidade, e juntas, numa das melhores casas de espetáculos, o Credicard Hall.

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Foto da Chamada: Rodrigo Simas (show do Rio)

Os portões da casa se abriram às 18 horas e uma incrível tranqüilidade tomou conta do local. Nada de filas, nada de transtornos ou atrasos. Tudo parecia um prelúdio pra noite histórica que se aproximava. Aos poucos, fãs de todas as idades e estilos iam tomando conta das dependências da casa. A expectativa crescia quanto mais se aproximava o início do show de abertura (se é que se pode chamar assim) do Gamma Ray, marcado para as 20 horas. E, sem atrasos, a banda de Kai Hansen adentra ao palco sob aplausos e gritos proferidos pela grande maioria dos presentes. Aliás, esse foi apenas um dos pontos em comum. Ambas as bandas tiverem igual recepção, igual adoração e uma forma exatamente igual de serem ovacionadas, mostrando que são admiradas e respeitadas da mesma maneira por todos ali presentes.

“Into the Storm”, faixa do ultimo disco do Gamma, abre o show. Um grande espetáculo começava e outro ponto de destaque foi o palco. Um pano de fundo sensacional estampava o conceito de “Land of the Free II”, e nem mesmo a bateria do Helloween, escondida por um pano preto atrás da banda tirou a qualidade estética de sua apresentação. Kai Hansen dominou e cativou a grande assistência. Sua experiência e carisma são velhas conhecidas do público brasileiro. Na condução dos maiores sucessos da carreira de quase 2 décadas da banda, como “Heaven Can Wait”, “Somewhere Out of Space”, “No World Order”, ou “Land of the Free”, uma banda coesa e precisa agitou e despejou no público um espetáculo metálico agradável e certeiro.

Desde a energia de temas agressivos como “Fight” à cadência empolgante de “Heavy Metal Universe”, Hansen mostrou porque carrega a fama de ser um dos criadores deste estilo melódico de metal. Os pontos altos (se é que existiu algum inferior) da apresentação ficaram por conta da tão esperada “Ride the Sky” (de seus tempos de Helloween), aclamada e interagida pela platéia e claro, em seu maior clássico, “Rebellion in Dreamland”. Essa música tem um poder incrível ao vivo e mostra que nunca pode faltar num show do Gamma Ray.

Uma apresentação perfeita, sem falhas. Uma banda empolgada e feliz com a reação da platéia. Acredito que esse tenha sido talvez o melhor show da banda por aqui, mesmo que em datas passadas sua condição tenha sido de headliner.

Meia hora de intervalo separou os 2 shows. Muito se comentava entre alguns presentes ali que o Helloween teria que se esforçar bem para fazer uma apresentação que não ficasse ofuscada pela magnitude expressiva que foi o show anterior de seus conterrâneos. Um festival de luzes apresentava a decoração de palco, obviamente inspirada também no conceito do último disco. Uma pintura muito linda, com o boneco da abóbora de cartola destacado numa placa no palco. No canto de cima do pano de fundo, o logo da banda sempre iluminado, mesmo nos momentos escuros, era o destaque. Visual perfeito, vamos à parte musical.

Não era surpresa para quase ninguém, pois com a internet, o set list de qualquer banda já é disseminado dias antes do show. Mas foi realmente interessante a banda abrir essa tour com a faixa “Halloween” e seus longos minutos de duração.

A exemplo do Gamma Ray o som de palco estava num estado máximo de perfeição, característica essa costumeira da casa.

Os fãs, novos e antigos, entraram em delírio com músicas que embalam sua cultura metálica há mais de 20 anos. Tanto temas novos como “As Long as I Fall” e “The Bells of the 7 Hells” (do ultimo disco), “The King for a 1000 Years”, quanto clássicos do passado como “Eagle Fly Free” e “March of Time” (essa, apesar do receio muito bem conduzida por Deris), foram cantadas em uníssimo por quase todo o público. Falando em Deris, o vocalista mostra-se que a cada dia, se transforma num dos melhores frontmans do estilo. Muito se discute (inutilmente, diga-se de passagem) mesmo hoje após 15 anos de sua entrada na banda, suas diferenças para Michael Kiske. Mas o cara tem um carisma e uma competência pra compor que pode-se dizer que hoje ele é tão Helloween quanto Michael Wektah por exemplo. Sua simpatia e sua perícia de comandar temas do passado que exijem muito de sua técnica, fazem com as músicas ganhem versões que funcionam sem aquele gostinho de “está faltando alguma coisa”.
E em suas composições de sua era então a coisa flui geometricamente, como em “If I Could Fly” ou “Sole Survivor”. No final um questionável (para qualquer banda em minha opinião) medley com “Perfect Gentleman”, “Power” e um trecho pequeno de “Kepeer of the Seven Keys” termina o set da banda, abrindo espaço para a já esperada jam com membros do Gamma Ray.

A despeito de boatos sobre uma possível briga entre as bandas no show de Curitiba, a execução de “Future World” (com a bela troca de vocais de Deris e Hansen) e “I Want Out”, mostrou as 2 bandas bem tranqüilas no palco. Evidente que são profissionais e poderiam com tranqulidade focar a musica acima de qualquer vaidade ou diferenças ocorridas naquele show, mas parecia sim que estavam num clima de amenidades.

E assim terminou essa noite histórica, que vai ficar marcada na memória dos fãs das 2 bandas. Uma noite onde tudo funcionou. A precisão e a eficiência imperaram em todos os sentidos. Mesmo o mais exigente dos consumidores de metal vai ter que esforçar e muito para encontrar algo ponto negativo na apresentação das 2 bandas. Qual foi melhor? Em minha opinião as duas foram as melhores. Gana, vontade, carisma, experiência, competência. Não faltou nada a nenhuma das duas bandas.

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Sobre Júlio Verdi

Júlio Verdi, 45 anos, consome rock desde 1981. Já manteve coluna de rock em jornal até 1996, com diversas entrevistas e resenhas. Mantém blogs sobre rock (Ready to Rock e Rock Opinion) e colabora com alguns sites. Em 2013 lançou o livro ¨A HISTÓRIA DO ROCK DE RIO PRETO¨, capa dura, 856 páginas, trazendo 50 de história do estilo na cidade de São José do Rio Preto/SP, com centenas de fotos, mais de 250 bandas, estúdios, bares, lojas, festivais e muitos outros eventos. Curte rock de todas as tendências, em especial heavy metal e thrash metal.

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