Alice Cooper: Todo o mise en scène que é marca de suas apresentações
Resenha - Alice Cooper (Credicard Hall, São Paulo, 12/06/2007)
Por Fernão Silveira
Postado em 14 de junho de 2007
"Cara, nós assistimos a uma peça de teatro hoje à noite!" Pois esse comentário, proferido por um fã sentado numa das poltronas da pista (!) do Credicard Hall, resumiu muito bem o que foi o show de ALICE COOPER em São Paulo, nesta terça-feira à noite. O veterano roqueiro norte-americano, pai do "rock horror" e um dos pioneiros do heavy metal, usou seus 100 minutos de espetáculo para mostrar o que tem de melhor em sua obra, que é abrangente ao ponto de transcender a música.
Além do hard rock envolvente, de melodias marcantes e letras deliciosamente juvenis, ALICE COOPER ganhou a platéia com todo o mise en scène que é marca de suas apresentações. Mesmo quem já conhece o roteiro do "rock horror show" de Alice se surpreende com as peripécias desse velho e inigualável frontman.
Impossível não se ver envolvido com o teatrinho mambembe protagonizado por ALICE COOPER e seus coreógrafos, comandados atualmente pela jovem atriz e bailarina Calico Cooper (filha do astro). E o mais legal é prestar atenção na simplicidade amadora dos esquetes executados durante o show. ALICE COOPER troca de jaqueta no palco mesmo, sem frescura, fantasiando-se de caubói (para cantar "Desperado") ou de mosqueteiro (para "Billion Dolar Babies"), de mágico ("Welcome to My Nightmare") ou de louco preso na camisa-de-força ("Dead Babies/Dwight Frye"). Isso sem falar na imensa forca colocada no palco para executar ALICE COOPER, após o cruel ritual de infanticídio praticado por ele durante "Dead Babies". Um show de encher os olhos!
E é de encher os olhos – e os ouvidos – a qualidade musical da banda de ALICE COOPER. Experiente que é, o veterano roqueiro tratou de cercar-se de jovens muito talentosos, que nitidamente valorizam a oportunidade de contracenar com um papa do heavy metal. São eles: os guitarristas Kerri Kelly e Jason Hook, o baixista Chuck Garric (que, pelo visual e pela atitude, lembra muito o saudoso Jerry Only, dos MISFITS) e o baterista Eric Singer, que dispensa maiores comentários.
Pensando bem, como não comentar a atuação memorável de Eric Singer, o novo "Catman" do KISS? Parceiro de longa data de ALICE COOPER, Eric Singer é a segunda maior atração do palco, um coadjuvante perfeito para o teatro de terror ao som de heavy metal. O solo de bateria executado por Singer quase levou alguns fãs na platéia às lágrimas. Sem exagero.
O set list também foi bastante generoso. Esbanjando energia, ALICE COOPER emendou hit atrás de hit, tirando o fôlego da galera. O sprint inicial começou com "It's Hot Tonight" e foi parar em "Be My Lover", passando por "No More Mr. Nice Guy" (cantanda em coro pelo Credicard Hall), "Under My Wheels", "I'm Eighteen", "Is It My Body", "Woman of Mass Destruction" (o mais novo sucesso dele) e "Lost in America".
Também não faltaram performances memoráveis para "Public Animal", "Halo of Flies" (esta como uma verdadeira encenação, com trilha sonora de primeira), "Welcome to My Nightmare", "Cold Ethyl", "Only Women Bleed" (incrementada pelo balé de Calico Cooper) e "School's Out", para decretar o final de uma verdadeira "aula de rock".
Para o bis, a banda reservou três grandes pérolas: "Billion Dolar Babies", "Poison" (um dos maiores sucessos da carreira do astro) e "Elected", uma grata surpresa, executada com grande euforia pela banda – ALICE COOPER, de bandeira brasileira em punho, até ensaiou um discurso e pediu votos aos fãs, enquanto seus coreógrafos zanzavam pelo palco com placas dizendo "Vote no rock!", "Um homem problemático para tempos problemáticos!", "Eu não dou a mínima!" e por aí vai.
Não se preocupe, Alice, pois os votos do público brasileiro são seus faz tempo! Aliás, ALICE COOPER no Credicard Hall desponta como fortíssimo candidato na eleição de melhor show de 2007. E vai ser difícil dar segundo turno...
Outras resenhas de Alice Cooper (Credicard Hall, São Paulo, 12/06/2007)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Fãs de Angra piram: Rafael Bittencourt confirma que Edu Falaschi vai ao Amplifica em 2026
O melhor disco de heavy metal de 2025, segundo o Loudwire
Dave Mustaine fala sobre "Ride the Lightning" e elogia Lars Ulrich: "Um excelente compositor"
Para Mikael Akerfeldt (Opeth), o rock/metal progressivo virou regressivo
O maior cantor de todos os tempos para Steven Tyler; "Eles já tinham o melhor"
3 gigantes do rock figuram entre os mais ouvidos pelos brasileiros no Spotify
175 figuras ligadas ao rock/metal que morreram em 2025
Loudwire escolhe parceria feminina como a melhor música de heavy metal de 2025
O cantor sobre o qual Roger Daltrey e Pete Townshend discordavam; "me deu vontade de vomitar"
Os 5 discos de rock que Regis Tadeu coloca no topo; "não tem uma música ruim"
O que Max Cavalera não gostava sobre os mineiros, segundo ex-roadie do Sepultura
A banda que fez Jimmy Page passar vergonha; "eu não queria estar ali"
A única banda de rock brasileira dos anos 80 que Raul Seixas gostava
A música do Black Sabbath que merecia maior reconhecimento, segundo Vernon Reid
Wolfgang Van Halen diz que as pessoas estão começando a levar seu trabalho a sério
Quando Paul Stanley enfureceu Slash por querer mudar uma música clássica do Guns
João Gordo se arrepende de bater no Cazuza por homofobia: "Dei tapa e joguei sapato"
O pior solo de guitarra do rock de todos os tempos, segundo a Far Out

As 50 melhores músicas de 2025, segundo a Classic Rock
Os melhores álbuns de 2025, segundo João Renato Alves
Os 50 melhores álbuns de 2025 na opinião da Classic Rock
A banda que Joe Perry quase escolheu no lugar do Aerosmith; a proposta parecia fazer sentido
Com mais de 160 shows, Welcome to Rockville anuncia cast para 2026
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



