Resenha - Alice Cooper (Credicard Hall, São Paulo, 12/06/2007)

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Por Bruno Sanchez
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Ufa, por muito pouco os fãs brasileiros não ficaram sem ver a titia Alice pela quarta vez. Para quem tem boa memória, o roqueiro foi pioneiro em trazer shows internacionais ao país em sua primeira vinda, em 1974, num show histórico no Anhembi, em São Paulo, para 80 mil pessoas (na verdade, foram duas apresentações, com a segunda mais “VIP”). Isso em uma época onde os gringos pensavam que só encontrariam macacos e índios passeando pelas nossas ruas.

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Bom, não que essa visão tenha mudado muito 33 anos depois, mas o veterano artista repetiu a dose em 1995 (no saudoso Monsters Of Rock, que também trouxe Ozzy Osbourne) e em 2000, acompanhando o British Rock Symphony e cantando alguns de seus sucessos, mas o foco principal eram hinos do Rock dos anos 60 e 70.

A turnê original – anunciada oficialmente em Abril - cobriria cinco shows no Brasil, mas em cima da hora e sem maiores explicações, duas datas foram canceladas e as duas restantes, acabaram adiadas.

Para desespero deste que vos escreve, o show em São Paulo foi reagendado para o Dia dos Namorados, 12 de Junho, uma Terça-Feira, na casa de shows mais mal localizada da cidade: o Credicard Hall, longe para ir de carro e quase inacessível de ônibus ou metrô. Independente dos problemas logísticos, a estrutura do lugar é – de fato - muito boa, com um palco amplo o suficiente para toda a teatralidade de Mr. Cooper.

O ingresso original marcava o início do show (que seria em um domingo) para 20h, mas com o adiamento, todos ficaram perdidos: o site do Credicard Hall não entrava, a página da Ticket Master no dia 12 tirou as informações do ar (até o dia anterior constava o início para 21h30). Ninguém sabia se teríamos bandas de aberturas e muitos ainda temiam pelo fantasma do cancelamento em cima da hora.

O Credicard recebeu um bom público, mas não estava lotado como se poderia imaginar. Muito provavelmente em função do adiamento e toda confusão causada nos bastidores. A variedade de pessoas que circulavam nas suas dependências era assustadora e muitos preferiram assistir a apresentação sentados nas cadeiras logo atrás da pista. Tínhamos desde o headbanger tradicional até os posers do Hard Rock, dezenas de indivíduos com maquiagem e pessoas com roupas sociais, vindas diretamente de um dia burocrático no trabalho. Lógico que os “tiozões roqueiros” também estavam por lá e contavam alegremente da epopéia que foi a apresentação de 1974 e como quase morreram pisoteados (imagina a organização de um show na época). Ah sim, alguns famosos como o Supla, também compareceram.

Por volta das 21h40, as luzes se apagaram e o espetáculo começou. O setlist foi exatamente o mesmo de Curitiba e uma pequena batida de olho comprova que nosso amigo Vincent Damon Furnier, um senhor quase sessentão, sabe mesmo como fazer um show e toca todos os seus clássicos.

É lógico que para alguém com quase 40 anos de carreira e mais de 20 álbuns nas costas, alguma coisa fica de fora mesmo (ouvi reclamações pela falta de "Black Widow" e "Hey Stoopid"), especialmente o material mais leve dos anos 80 e 90, mas tudo o que eu queria ouvir, com grande predominância para os sucessos dos anos 70, estava lá.

O show começou com "It´s Hot Tonight" e emendou sem papo "No More Mr. Nice Guy", "Under My Wheels" (que costumava fechar os shows até um ano atrás) e "I´m Eighteen". Todos clássicos absolutos da carreira da banda e depois de um começo desses, meu amigo, o jogo estava ganho, o que prova para muitos novatos por aí, que abrir uma apresentação com vários clássicos em seqüência é muito mais inteligente do que tentar enfiar novos sons e não ganhar a empatia dos presentes logo de cara.

Das composições mais recentes (e digo de 15 anos para cá), as únicas que deram as caras, foram "Woman Of Mass Distraction" e a ótima "Lost In America".

É interessante notar como as músicas ganharam versões ao vivo bem mais pesadas do que no disco ("I´m Eighteen" ficou sensacional) e, exatamente como no Motörhead, não tivemos muito papo com o público: um clássico era despejado atrás do outro, sem nem anunciar seus nomes, intercalando com o tradicional circo de horrores que todo fã espera. Alice jogou dinheiro para a platéia com uma espada, esfaqueou um bebê, regeu a banda com uma batuta, espancou uma noiva, fugiu de uma camisa de força e terminou enforcado (no final de "Dwight Frye"), tudo com a devida ajuda da filhota Calico Cooper que incorporou diversos personagens (enfermeira, gueixa e noiva) ao longo do show.

Quer mais clássicos? Pense em alguma música legal de Alice Cooper e ela provavelmente estava no set: "Is It My Body", "Welcome To My Nightmare", "Steven" (com gritos guturais de Alice), "Dead Babies" entre outras menos conhecidas, mas igualmente legais.

O eterno hino do Rock, "School´s Out", logo após a execução de Alice, fechou o set normal com o público em polvorosa e sem longas demoras para o bis (o cara não tem frescuras, é um showman legítimo), Alice e sua banda já estavam de volta para "Billion Dollar Babies", "Poison" (que riff animal!) e o clássico de 1973, "Elected" para encerrar a apresentação e deixar muito marmanjo chorando de emoção e isso é sério, acho que nunca vi tanta gente chorando em um final.

Por falar no público, para variar mandamos bem, mas sinto que de alguns anos para cá, as coisas têm sido menos especiais. Lembro, por exemplo, no show do Grave Digger em 2003, onde os fãs deram um espetáculo à parte cantando tudo a plenos pulmões, tanto que o vocalista Chris Boltendahl escolheu o Brasil para gravação do disco ao vivo em comemoração aos 25 anos dos alemães.

De lá para cá, não vi maiores empolgações por parte da platéia, nem mesmo no show do Iron Maiden no começo de 2004. Parece-me que de certa forma, a chama latina apagou e os fãs estão com um comportamento mais frio. No caso do Alice Cooper, todos cantaram, a banda foi muito aplaudida, mas faltou aquele algo mais que tanto nos marcava. Mais da metade do público sentado nas cadeiras do Credicard Hall enquanto a pista estava “tranqüila” foi algo desanimador e, antes que você me xingue, esse tipo de percepção, só tem quem fica mais para trás. Se você chegou à grade, lógico que a empolgação era enorme.

Não tivemos maiores confusões, brigas ou rodinhas de porrada também. Tirando um cidadão do meu lado que perdeu um dente em um evento bem estranho, o comportamento de todos foi exemplar, o que serve de exemplo para a molecada que adora perturbar quem quer ver o show numa boa, apenas curtindo o som.

Tia Alice também cumpriu muito bem a sua parte. É verdade que ele já não tem mais a mesma movimentação nos palcos de 25 anos atrás (por motivos óbvios), mas o cara sabe como fazer um show inesquecível e se cercou de grandes músicos. O excelente baterista Eric Singer, todo mundo conhece pelos tempos de KISS e Black Sabbath. Nas guitarras, temos Keri Kelli e Jason Hook e, completando o time, o animado Chuck Garric no baixo. Todos com o típico visual Hard Rock, bem no estilão Mötley Crüe atual e com uma boa presença de palco. Digamos que eles entraram no espírito do que é ser músico da banda de Alice Cooper com um visual Dark e participando da brincadeira.

Para se ter uma idéia de como o show foi atípico, até o solo de bateria, com a participação dos dois guitarristas arriscando batidas com as baquetas, foi curto e divertido (viu Sr. Mike Terrana? Isso é diversão e não 15 minutos de massagem de ego).

No final, tivemos um show histórico, inesquecível para os fãs, com absurdas 25 músicas (contando o medley "Devil´s Food" / "Killer" e "I Love The Dead" como apenas uma) e muita diversão, uma lição que deveria ser aprendida, especialmente por algumas bandas finlandesas que tocam no máximo uma dúzia em shows de 1 hora e olhe lá.

Danem-se as hipocrisias, se "Elected" fosse levada a sério (e quem é que leva alguma coisa a sério nesse país?), Alice Cooper já estaria eleito para o trono dos imortais há muito tempo. Mas já que vivemos em um mundo imperfeito, pelo menos para a minoria sortuda que pôde presenciar a aula de Rock ´n´ Roll em pleno Dia dos Namorados, Alice mostrou o que é SER um ídolo inesquecível e não o “QUERER SER” de muitas bandinhas farofa por aí.

Set-List:
It's Hot Tonight
No More Mr. Nice Guy
Under My Wheels
I’m Eighteen
Is It My Body
Woman Of Mass Distraction
Lost In America
Be My Lover
Raped & Freezin
Long Way To Go
Muscle Of Love
Public Animal
Desperado
Halo Of Flies
Welcome To My Nightmare
Cold Ethyl
Only Women Bleed
Steven
Dead Babies
Dwight Frye
Devil's Food / Killer / I Love The Dead
School's Out

Bis:
Billion Dollar Babies
Poison
Elected

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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