Edguy: Estamos diante de um coma profundo no metal melódico
Resenha - Edguy (Claro Hall, Rio de Janeiro, 04/11/2006)
Por Rafael Carnovale
Postado em 07 de novembro de 2006
LADIES AND GENTLEMAN, WELCOME... TO THE FREAKSHOW! Se bem que o show não foi de horrores, apesar do começo tímido de destruição capilar do vocalista Tobias Sammet e do visual a lá "Wander Taffo 2006" do batera Felix Bohnke. Mas até chegarmos nesse assunto, ainda há muita água pra rolar dentro do que foi o bom show carioca dos alemães do Edguy (pela terceira vez no Brasil e primeira no Rio de Janeiro), com a abertura quase surpresa dos gaúchos do Scelerata (a divulgação de seu show foi mínima), para um Claro Hall não muito cheio (cerca de 1000 a 1500 pessoas), mas altamente vibrante.
Algumas conclusões podem ser tiradas após assistir estes shows, a mais interessante delas é que estamos diante de um coma profundo no metal melódico, tendendo à morte. Porque digo isso? Simplesmente porque o metal melódico está saturado. Saturado porque a cada dia surge uma nova banda dentro do estilo, e muitas que surgem só fazem reciclar (e não muito bem, diga-se de passagem) a fórmula já existente. Por isto nomes que antes eram defensores do melódico como Stratovarius, Gamma Ray e Edguy partem para diferentes frentes, inserindo fortes doses de outros estilos em seu som. No caso do Edguy, fica latente a pegada hard de algumas músicas mais novas, contrastando com a melodia e o tom speed metal de números mais antigos. Percebo uma tendência perigosa para o melódico, a não ser que os expoentes a surgirem procurem antes de tudo reciclar-se e beber de outras fontes... caso contrário podemos fechar o caixão e enterrar o defunto.
Voltando ao show, é curioso observar como o público carioca reclama de barriga cheia: os shows estão aparecendo (em menor dose do que seria o ideal, mas estão sim) e a galera não aparece... está certo, não me esculachem, o preço do ingresso ainda está acima do ideal, mas a melhora tem ocorrido e mesmo assim o público não aparece de maneira adequada. Vamos celebrar a vibração dos que compareceram, esses sim merecedores de um bom espetáculo, e de fato isso ocorreu neste dia.
A falta de divulgação do show de abertura (muitos só souberam que isso ocorreria ao entrarem no Claro com a banda no palco) fez com que perto das 21:30 apenas 500 pessoas assistissem o show do Scelerata, promovendo seu primeiro CD, "Darkness And Light" (cuja capa compunha o "backdrop"). Mas a galera, ansiosa por tocar pela primeira vez no Rio de Janeiro, não perdeu a chance e mostrou força e garra. Abrindo com "Holy Fire" e seguindo com "Eminence" tivemos cerca de 40 minutos de um prog-metal mais pesado, com boas guitarras, e um vocalista na linha Michael Kiske (talvez seu único defeito, pois em alguns momentos sua atuação soava forçada). Os caras não paravam de agradecer ao público pela presença, e na base da vontade foram conquistando os presentes (todos os CD’s da banda disponibilizados no merchandise do evento foram vendidos), com "Wings To Fly" e um cover matador para "Master Of Puppets" (onde o vocalista Carl Casagrande usou um tom mais agressivo e rasgado na voz, com excelente resultado... uma tendência que se mantida deixará sua performance em altíssimo nível). O único senão fica pelo fato de estarem ainda muito ligados ao melódico, estilo que realmente já saiu do ponto, já cansou para muitos ouvintes. Por mais que sejam competentes, que agitem, que tenham técnica e emoção, a sensação de "já ouvi isso antes" ronda nossos ouvidos todo o tempo. A banda tem capacidade (seus momentos prog mostram que sim) de trabalhar seu estilo em busca de uma sonoridade única e pessoal, e com certeza o fará em seu próximo trabalho. De qualquer modo os caras fazem um bom show, o vocal tem presença e foi um bom aquecimento.
Um curto intervalo (aonde os fãs chegaram em maior número) para que o pano de fundo do Scelerata fosse removido e ficasse totalmente exposto o do Edguy (o logo da banda em um fundo escuro), juntamente com os elevados próximos a bateria (que seriam usados pelo vocalista e pelos guitarristas/baixista), que o próprio vocalista definiu como a produção de palco usada na turnê em algumas entrevistas. As luzes se apagam e Tobias surge no som mecânico gritando "LADIES AND GENTLEMAN, WELCOME... TO THE FREAKSHOW!". Quem esperava a execução de "Mysteria" dançou, pois a abertura coube à boa "Catch Of The Century" (confesso que eu preferia a anterior, mas tudo bem), seguida de "Sacrifice" (ambas do novo CD, "Rocket Ride"). Pausa para o sempre carismático (e pré-careca) Tobias brincar com a platéia, usando uma bandeira brasileira (que ele teve a ousadia de perguntar se era a dos Estados Unidos, mas acabou se desculpando dizendo que a mesma era tão bonita quanto a da Alemanha), para depois emendar "Babylon" (com um som emboladíssimo e muita fumaça no palco, contrastando com o bom jogo de luzes), seguida da ótima "Lavatory Love Machine" (e a tradicional brincadeira "que todas as bandas de metal fazem" segundo Tobias, estimulando o público a cantar e o dividindo em dois), para a lenta "Land Of The Miracle" (boa, mas em péssima hora, deviam jogar um som mais pesado).
Em seguida a banda emenda "Fucking With Fire (With The Hair Force One)", evidenciando o contraste hard/metal que ronda o som do Edguy. Infelizmente a música não rendeu o esperado (e olha que é uma de minhas favoritas no CD novo), ficando bem fraquinha. Era hora do solo de bateria de Felix Bohnke, de longe o melhor músico da banda (os guitarristas Jens Ludwig e Dirk Sauer são bons e o baixista Tobias Exxel é razoável, mas todos agitam bem, escorados pelo alto carisma de Mr Sammet, o dono da banda), que só pecou pela sua longa duração (como no show de 2004 em SP ele incluiu o "Tema Da Armada" de Star Wars, com direito a diálogos e tudo mais), emendada com a ótima "Superheroes" (um dos melhores momentos do show), "Save Me" e "Tears Of Mandrake" (mais heavy, e aclamada por todos).
Vale citar que o Edguy é uma banda extremamente funcional, mas sem músicos virtuosos. Todos cumprem bem seu papel, e tirando algumas coreografias um tanto quanto abichalhadas por parte de todos (não só de Tobias), o show é bem legal. Já Toby é carisma puro (mesmo comparando os shows de SP e RJ, como todos o fazem quando tocam nas duas cidades). Agita como poucos, tem a galera na mão e só peca por exagerar demais nos agudos e por forçar sua voz além do normal (o que compromete parte de sua performance), mas se formos pesar, ta na média e a galera aprovou com mérito. Seguiu-se "Avanthasia" (ótimos backings da banda, suprindo os vocalistas convidados), mostrando que o projeto de Tobias é definitivamente superior à obra de sua banda, e a derradeira "King Of Fools" (aonde Toby fez um discurso sensacional sobre os reality shows "Popstar" e "Ídolos", dizendo que seus vencedores não duram nem três meses, enquanto o Iron Maiden passa dos 25 anos e o Edguy passará dos 15, segundo ele), para delírio do público. A título de curiosidade, "Mysteria" e "Out Of Control" (que vinha encerrando os shows) ficaram de fora (ambas foram tocadas em SP, aonde foi gravado o DVD), e a despedida da banda, agradecendo, jogando palhetas, baquetas e o que pudesse ser jogado, foi ao som the "The Spirit Will Remain", totalizando uma hora e meia de show.
No final sobraram elogios para o Edguy e muitos se impressionaram com o Scelerata. Um show bem divertido, mas que enfatiza um ponto forte: o Edguy vem, desde o CD "Mandrake", promovendo uma mudança em seu som e atitude no palco, sendo mais hard e rocker... qual será o resultado? "Rocket Ride" foi o passo intermediário dessa transição, e o que será da banda em seu próximo lançamento? Tal fato iremos conferir quando eles voltarem, já que esse retorno foi prometido enfaticamente. Mas quem curtiu, curtiu... e metal melódico está indo pro buraco... será?
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