Resenha - Dio (Claro Hall, Rio de Janeiro, 14/07/2006)

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Por Rafael Carnovale
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Ronnie James Dio num palco é garantia de heavy metal e de um bruta show. Independe se o mesmo irá divulgar um CD novo de estúdio, se ele está divulgando um CD/DVD ao vivo (no caso o excelente “Holy Diver Live”) ou se o baixinho simplesmente resolveu sair em turnê. Cada show que o mesmo faz é uma celebração ao estilo, e a prova de que o metal ainda tem muito a oferecer, mesmo com os 63 (?) anos de idade do vocalista...

Fotos: Rodrigo Scelza.

O Claro Hall não estava lotado, mas os presentes não fizeram feio. Embora não tenham sido divulgadas informações oficiais até o presente, estimou-se um público presente de 2 mil a 2500 pessoas, que aguardavam ansiosas o começo do show de Dio, aquecidas por um bom repertório que vinha rolando no som mecânico da casa. A galera entrava aos poucos e ia conferindo passo a passo os detalhes da turnê: o “Holy Diver” não seria tocado na íntegra, e o “set” do show de Curitiba (ocorrido dois dias antes) resgatava músicas bem interessantes, criando uma boa expectativa de como seria este show.

Passavam das 22h30 quando as luzes se apagaram, e Rudy Sarzo (baixo), Scott Warren (teclados), Craig Goldy (guitarra) e Dio entraram no palco executando “Children Of The Sea”. Confesso que a escolha desta música para a abertura do show me surpreendeu, pois não esperava que a mesma fosse funcionar tão bem como primeira música (clássico ela o é, e não se discute). A galera cantou junto com o vocalista, que emendou “I Speed At Night” (do álbum “The Last In Line”) e a excelente “One Night At The City”, um começo diferenciado, mas matador.

Mesmo com o público nas mãos, Dio resolveu trazer de volta o que chamamos de seu show normal: músicas do “Holy Diver”. “Stand Up And Shout”, “Holy Diver” e a excelente “Gypsy” (como esse baixinho está cantando!) foram executadas para delírio da platéia e emoção do vocalista, que recebeu cartazes do público, e um balão com o mascote Murray (o demônio de “Holy Diver”, que por sinal compunha o pano de fundo) desenhado. Dio, que não é bobo nem nada, fez o famoso sinal dos chifres no balão. O show, que já começou ganho, ganhou ares de celebração metálica.

Para não dizer que o show foi perfeito, Simon Wright executou um solo de bateria (já disse o quão acho chatos esses momentos?). Por mais que Simon esteja dominando a bateria como poucos, o solo foi muito extenso. Nem mesmo a inclusão de um tema clássico (como ele já fizera em 2004 no mesmo local) salvou seu solo. Para recuperar a adrenalina, Dio e banda executam “Sunset Superman” (do álbum “Dream Evil”) e duas pedradas: “Don’t Talk To Strangers” e “Rainbow In The Dark”.

Como Simon tinha feito um solo, era a hora de Craig executar o seu (juntamente com uma jam com Scott e Rudy), e novamente vimos um Craig Goldy sem inspiração (o que acontece com o guitarrista?), errando solos, e até mesmo demonstrando certa má vontade (há quem diga que durante o solo de Simon ele e Dio discutiram de maneira áspera no backstage). Não tenho nada contra o guitarrista, que tem uma técnica muito boa e cuja pegada heavy metal se encaixa ao estilo do vocalista, mas numa banda com o performático e habilidoso Rudy Sarzo dividindo o palco, Craig não mostrou ser digno de ocupar o espaço que lhe foi dado.

Voltando ao show, “I” (do álbum “Dehumanizer”, do Black Sabbath – “um dos melhores CD’s da história do metal segundo Dio) foi executada, e em seguida mais uma pérola foi resgatada: “All The Fools Sailed Away”, para dar sequência ao tradicional “medley” de “Man On The Silver Mountain”, ”Catch The Rainbow”, ”Long Live Rock And Roll”, que mesmo com levada mais lenta do que o normal, deixou o público louco e insano.

Para o bis foram reservadas as excelentes “Heaven And Hell” (cantada por todos de tal maneira que fez o vocalista repetir seu começo para ouvir o pessoal cantando alto e em bom tom), “We Rock” e a excelente “The Last In Line”, que fechou cerca de 100 minutos de um grande show, em que pese a fraca performance do guitarrista Craig Goldy, destoando de Rudy e Simon (excelentes), Scott Warren (preciso) e do magistral Dio.

Ao final sobrou ao público a certeza de termos visto um grande show, que este redator considerou bem superior ao de 2004 (muitos podem discordar, é opinião pessoal) e que ratificou a excelência da voz do baixinho (para quem dizia que ele não dava mais conta do recado, devido a diferente performance em “Holy Diver Live”). Grande espetáculo, heavy metal de primeira... precisa falar mais alguma coisa?

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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