Dream Theater: Uma das bandas mais amadas e odiadas no Brasil
Resenha - Dream Theater (Claro Hall, Rio de Janeiro, 09/12/2005)
Por Rafael Carnovale
Postado em 11 de dezembro de 2005
Oito Ou Oitocentos! Não há melhor maneira de definir o sentimento dos fãs brasileiros em relação aos norte americanos do Dream Theater: ou você ama o metal progressivo executado por James La Brie (vocal), John Myung (baixo), John Petrucci (guitarra), Mike Portnoy (bateria) e Jordan Rudess (teclado), ou odeia. Não existem os mais-ou-menos fãs. Tanto que meses antes da banda se apresentar no Brasil (uma turnê muito aguardada, já que passaram 7 anos desde a última visita do quinteto a nosso país), alguns fãs brasileiros arrumaram uma "briga" com o baterista Mike Portnoy no fórum da banda, pois o mesmo pensava em tocar um álbum clássico do metal inteiro (como a banda fizera anteriormente na Europa) em alguns shows da turnê sul-americana. Mas este é o reflexo de sete anos sem shows do Dream Theater no Brasil, e da grande produção do grupo, que neste período lançou quatro CD´s de estúdio e três ao vivo nesses mesmos anos.
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Fotos: Antônio César.
Chegamos ao Via Parque Shopping (aonde localiza-se o Claro Hall) por volta de 19 horas, e vários fãs já estavam presentes. Ao entrarmos na casa (por volta de 21h30), muitas pessoas já se espremiam em frente à grade, lotando a casa, e provando que banda cresceu muito, além do que se poderia imaginar, nesse período de ausência em nossas terras.
Por volta de 22h30 as luzes se apagaram, mas agora eu abro um parêntese para uma crítica a atitudes absurdas da banda e de sua produção. Quando vieram ao Brasil pela primeira vez (e já tinham prestígio suficiente por aqui), a banda esbanjava humildade e simplicidade, chegando a conceder uma tarde de autógrafos de 3 horas em nossa cidade. Agora, os mesmos transpareciam arrogância, e isso culminou na expulsão dos fotógrafos do recuo em frente ao palco, sem uma razão aparente. Vários membros da produção impediram o trabalho de profissionais que estavam ali para divulgar o show da banda. Uma atitude reprovável e repudiável. Parabéns aos fotógrafos que se esforçaram de maneira hercúlea para poderem fazer seu trabalho.
Aos poucos a banda foi entrando no palco, e executou "The Root Of All Evil" e "Panic Attack", de seu mais recente CD, "Octavarium". O público pulou como louco e cantou intensamente, e todos ficaram malucos quando a banda desencavou "A Fortune In Lies" (do primeiro CD, "When Dream And Day Unite") e "Under A Glass Moon". Falar que o Dream Theater ao vivo é quase perfeito é dizer que macaco gosta de banana, mas a frieza de John Petrucci é algo que chega a irritar. James La Brie foi a grande surpresa: um vocal controlado, bem dosado, afinado e competente, com uma performance soberba.
O show seguiu com "Peruvian Skies" e "Strange Deja Vu", com direito a palhinhas de "Wherever I May Roam do Metallica e "Wish You Were Here" do Pink Floyd", para a execução da lenta "Through My Words". Este foi o grande pulo do gato da banda: a boa dosagem do set-list, executando números mais acessíveis em meio a músicas mais experimentais, sem cansar a platéia, que estava com a adrenalina ao máximo. Seguiram-se "Fatal Tragedy", a semi-acústica "Solitary Shell" (com aplausos emocionados dos presentes) e o final da primeira parte do show, com "About To Crash (Reprise)" e "Losing Time/Grand Finale".
Neste momento algum leitor que não conheça a banda pode perguntar: "Primeira parte, o que é isso?". A banda dividiu seu set em duas partes de 1h20, com 20 minutos de intervalo. Essa prática, muito comum em shows de longa duração, ainda é um tanto desconhecida do público brasileiro, e notou-se claramente que a galera deu uma esfriada na segunda parte, iniciada de maneira agressiva com "As I Am" (com Mr. Myung arrebentando no baixo e se mexendo mais do que o normal) e uma versão forte de "Endless Sacrifice" (com uma palhinha de "Where Eagles Dare" no final). A galera, apesar de mais fria e cansada, ainda cantava cada momento, só que com mais calma.
A banda ainda apresentaria a modernosa "I Walk Beside You" e a boa "Sacrified Sons", para executar em seguida a cansativa "Octavarium", com seus vinte e tantos minutos de duração. Particularmente acho que esta música poderia ser trocada por outras mais interessantes, como "Take The Time" por exemplo. O bis trouxe para os extasiados fãs a excelente "The Spirit Carries On" e um "medley" fantástico de "Pull Me Under" e "Metropolis", que re-energizou a galera... prova de que um show mais curto e sem intervalo seria muito melhor.
Ao final a banda despiu-se de sua frieza no palco (exceto La Brie, que se mostrou um "frontman" de destaque) e agradeceu a todos pelo espetáculo proporcionado. Mas este show, bem executado e bem tocado, tem contra si uma banda profissional no palco e arrogante fora dele, e o fato de que, se você não for um músico, pelo menos 1h30 do que vimos nesta sexta feira foi pura chatice. Mas valeu a pena e espero que eles não demorem a voltar, pois o que seria do metal sem o Dream Theater? (alguém me contesta no fórum?)
Obrigado a Anna Beatriz (Claro Hall) pelo apoio a todos nós, e um grande abraço ao Sr. Ray (integrante da equipe da banda) pela sua doce arrogância com os profissionais da imprensa e do Claro Hall, sem esquecer do forte abraço aos fãs, que foram fantásticos.





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