Resenha - The Musical Box (Canecão, Rio de Janeiro, 04/10/2005)

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Por Rafael Carnovale
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O grupo canadense “The Musical Box” nos propiciou uma noite nostálgica numa terça feira quente, típica do clima carioca. Com um misto de teatro, música e cinema em algumas partes, a banda recriou com perfeição extrema a clássica turnê de divulgação do disco “The Lamb Lies Down on Broadway” do Genesis, que seria a derradeira excursão de Peter Gabriel à frente do grupo (1977). Phil Collins assumiria os vocais nas próximas obras, e pouco a pouco o Genesis perderia o caráter progressivo que marcou sua história, culminando em mais uma banda “pop”, para alguns apenas um projeto extra de Phil Collins.

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Como não sou grande conhecedor desta obra do Gênesis, procurei conhecer alguns detalhes, ver fotos... ou seja, entrar no clima do espetáculo que iria assistir. Vendo algumas fotos em “websites”, pude notar que estávamos diante de um forte clima audio-visual, com uma banda particularmente inspirada, como que sentindo que esta turnê seria marcante... e isso acabou por gerar uma dúvida cruel, que martelava minha cabeça enquanto me dirigia para o Canecão: será que um grupo que se formou nos anos 90 seria capaz de incorporar toda a complexidade da obra criada por Peter Gabriel e seus asseclas, sem abusar da tecnologia, usando os mesmos “slides” de palco e instrumentos da época? Será que não estaríamos apenas presenciando mais uma banda “tributo” ao Genesis se aproveitando de músicas clássicas para faturar uns trocados em cima de fãs de rock progressivo?

Ao chegar na casa essa dúvida aumentou, porque muitos fãs (inclusive músicos famosos) lotavam as dependências do Canecão (com mesas, como se deve no show em questão). Por volta de 22 horas, as luzes se apagaram e eis que o Ge... quer dizer, Musical Box entra no palco, ao som de “The Lamb Lies Down on Broadway”, com “slides” no fundo e efeitos de luz simples, mas eficientes.

“Fly On a Windshield” e “Broadway Melody of 1974” impressionam pela fidelidade: os membros procuram adotar uma postura IGUAL à da banda a que prestavam tributo, e o vocalista literalmente era um clone de Peter Gabriel! Sons como “Back in NYC”, “Hairless Heart” e “Counting Out Time” só ressaltavam tal fidelidade, que chegava a ser assustadora (não precisamos citar o uso das mesmas guitarras de Steve Hackett). Se o vocalista era perfeito, o que dizer do batera, que usava a mesma barba que Phil Collins ostentava há 28 anos atrás? E ainda fazia os mesmos “backings”!!!

Nesse meio tempo a obra prima do Genesis ia embasbacando os presentes: não bastasse a execução perfeita de “Anyway”, “Carpet Crawlers” e “Ravine”, os discursos de Peter “clone” Gabriel eram os mesmos do original, mantendo inclusive a conotação sexual que ostentava a obra. O mesmo ainda se deu ao luxo de aparecer fantasiado como um peixe (“Slipperman”) saído de dentro de uma bolha, durante “The Colony of Slippermen”, e estar envolto em uma misteriosa cortina cilíndrica em “Riding the Scree”. Se eu, que estava me familiarizando aos poucos com a obra do Genesis estava embasbacado, imaginem como estavam aqueles que já a conheciam de cabo a rabo... o Canecão estava em transe.

O final apoteótico com “It” foi impressionante. O público parecia não acreditar no que via... afinal os caras conseguiam reproduzir uma obra complexa, cativante e instigante com perfeição. Para deixar o público mais boquiaberto, o grupo voltou para a execução de “The Musical Box” e a surpresa: uma versão de “Foxtrot” que fez algumas lágrimas escorrerem das faces de vários presentes.

Antes de dizer que foi um grande show, devo afirmar: foi um espetáculo digno de estar na Broadway. Não é à toa que Phil Collins se declarou amador perto deste grupo, que Peter Gabriel levou seu filho para vê-los, afinal era a única maneira decente do garoto saber o que o pai fez no passado. Para fechar a matéria, fico com uma declaração de Carlos Lopes, ex-Dorsal Atlântida, atual Mustang, que ao acender das luzes exclamou: “É caso de internação!”.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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