Resenha - Tuatha de Danann (Volkana, S. B. do Campo, 14/06/2003)

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Por Leandro Testa
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Em agosto próximo, completa-se exatamente cinco anos que eu, pela primeira vez, presenciei uma performance destes exóticos mineiros em Santo André (SP), abrindo para o Blind Guardian junto ao Symbols, num tempo (parece pouco, porém não é) em que ambas eram praticamente desconhecidas da massa metálica, mas que, todavia, já mostravam grande potencial para crescer.

Tenho pouquíssimas lembranças (muito vagas, por sinal) acerca dos arranjos, da formação, mas uma coisa é fato, logo de cara ela chamava muita atenção pelo cunho pitoresco, tanto pelo nome estranho como pela presença de instrumentos medievais (a exemplo do violino que apresentou alguns problemas, falhas ou algo assim, no meio do espetáculo), o que parece nem mesmo ter sido suficiente para uma publicação de grande porte se render, na época, aos seus encantos, feitiços, magias ou sei lá o que mais...

Depois de tantas primaveras e festivais Brasil Metal Union perdidos, cresciam os comentários e, por conseguinte, a minha curiosidade também. Mas bem se sabe que quando se espera muito de algo, quando há uma expectativa razoável, geralmente é fácil quebrar a cara e voltar pra casa com um sentimento de vazio, remoendo efusivamente o nosso cérebro...

E foi justamente isso que - NÃO – ocorreu, porque começar escutando a alegre "Brazuzan (Taller than a Hill)", bastante energética, acompanhada pelas palmas de um público apaixonado é começar com o pé direito. E deve ser fácil tê-los na mão, quando se emenda com uma obra tensa do calibre de "The Dance of the Little Ones".

Já dava pra perceber que o Tuatha é um baita exemplo de quem consegue se superar, superar as condições da casa, do som deficiente (que nos intervalos continuava a ser modelado para consertar a eficiência dos microfones ou evitar chiados que, insistentes, voltavam a aparecer), e ainda assim nos proporcionar um resultado muito superior ao de estúdio, pois de um lado temos a garra, a espontaneidade, a experiência de tê-las tocado inúmeras vezes e do outro, as produções que costumavam ser comprometedoras.

Mas, prosseguindo, difícil é descrever a sensação de ouvir um coro de duzentas pessoas, repetindo continuamente "Tan Pinga Ra Tan" (música presente num CD intitulado Tingaralatingadum – e isso me faz pensar que tais belas palavras só perdem em misticismo para o "Pó de Parangaritmirruaru" em alusão a um episódio com duendes do Chapolim), tanto que o vocalista, flautista e homem das seis cordas, Bruno Maia se mostrava visivelmente feliz com a resposta em uníssono dos presentes.

Apresentaram em seguida uma canção ainda sem título a ser inclusa no próximo disco, que parece manter o estilo já conhecido dos "bardos do infinito", e por falar neles, emendaram com a impiedosa "The Bards of the Infinity", e com "Battle Song", uma das melhores, senão a melhor criação do grupo até hoje.

Na folclórica "Us" (de conteúdo bastante normal, mas indiscutivelmente atraente, para dar ainda mais variação), o baixista Giovani assumiu também um violão e em "Inrahma" o baterista Rodrigo Abreu veio à frente do palco com um pandeiro na mão para interagir melhor, ficando em seu cargo o tecladista Rafael Castro. Talvez essa seja a única deles que em parte não me agrada, pois, para mim, tem algumas bases estridentes e parece ter sido uma idéia coletada, bastante inspirada pela maravilhosa "Suite Sister Mary" do Queensryche (e isso não se faz).

Tal quebra de ritmo foi, felizmente, derrubada pela versão constante no EP The Delirium Has Just Began... para a pesadíssima "The Last Pendragon", rememorando o passado mais agressivo e, por fim, chegava a mais pedida da noite, "Finganforn", na qual o guitarrista Rodrigo Berne (ótimo, aliás) deixou de lado os urros guturais e fez aquela fala engraçadíssima do personagem-tema. É ver pra crer.

Uma que eu aguardava com afinco era "The Last Words", muito provavelmente a mais conhecida do quinteto até hoje, só que não sei se os oitenta minutos de show naquele calor todo já refletiam o cansaço, mas sei que nessa, eles ficaram devendo um pouco.
Fecharam da melhor forma possível, com um cover de Rockin’ in the Free World (Neil Young), enquanto o ‘frontman’ curtia e dançava, deixando a melhor das impressões.

São todos jovens, com um futuro brilhante pela frente, e se eles estiverem de passagem por aí, perto da sua cidade, e o leitor quiser investir bem seu dinheiro, espere a oportunidade, e sinta-se no mínimo intimado para agarrá-la caso queira uma noite que é quase uma festa; pois se os cinco fizeram isso naquele lugar, típico dos bares em beira de estrada nos filmes hollywoodianos (em que o conjunto demonstra muita vontade e fica dentro duma jaula), imagine o que não devem fazer em circunstâncias mais apropriadas... só faltou mesmo o tal do anão de quem tanto falam, mas dada a proporção do evento, eu já sabia que o mascote não viria... quem sabe numa próxima... assim eu me divirto ainda mais.

Eu vi gnomos, ha - ha - ha - ha - ha - haá (e não pago direitos autorais).

Foto da chamada por Marcelo Dischinger
(retirada do site Oficial da banda)