Resenha - Angra (Shibuya-AX, Tokyo, Japão, 20/07/2002)

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Por Naomi Ohno e Masaki Fukuda
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(Publicado na revista “Burrn!” de agosto de 2002)

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Antes do início da primeira apresentação do Angra no Japão com sua formação renovada, era possível divisar na platéia torcedores da seleção brasileira com a camisa canarinho, e também bandeiras brasileiras, aumentando o calor da expectativa. Às 20:23 horas, da mesma forma que em “Rebirth”, o primeiro álbum do renascido Angra, começa a soar “In Excelsis”, provocando vibração e aplausos e concentrando olhares entusiasmados sobre os membros que vão aparecendo no palco. Então começa “Nova Era”, e depois “Acid Rain”. A presença de palco imponente do Angra, que é muito mais popular e célebre no Brasil do que imaginam os fãs japoneses, conseguiu conquistar instantaneamente os olhos e os ouvidos da platéia.

A voz fluida e com grande alcance de Edu Falaschi, a técnica diáfana e ímpar de Kiko Loueiro e Rafael Bittencourt, a movimentação ágil de Felipe Andreoli no seu baixo de seis cordas, a estabilidade de Aquiles Priester batendo compenetrado e poderosamente a bateria, tudo demonstra essa fase atual do Angra. A banda, que superou o risco de acabar-se para reiniciar a sua jornada, já superou o Angra que existia antes da divisão, e já começa a demonstrar de maneira ainda mais generosa a originalidade dessa banda de Heavy Metal.

O crescimento do Angra, e a união dos membros ficam claros não em músicas representativas do início da carreira como “Angels Cry”, nem em músicas como “Metal Icarus”, tão simples que não parece integrar o repertório de uma das bandas que demonstrou desenvolvimento mais evidente e se tornou uma das bandas com o maior espírito musical dentre as que estão em atividade. Essas características ficam nítidas quando o “antes” passa de uma só vez a ser “atual”, em momentos como este: Rafael, após ter cantado Reaching Horizons, a “música que há muito tempo atrás, foi a primeira a ser gravada pelo Angra” e assumido os seus vocais, passa o microfone na última frase da música para Edu, que aparece sutilmente por trás dele. O desenvolvimento da banda fica também nítido no vocal de Edu, pleno de confiança, cantando com emoção acompanhado unicamente pelo piano de Kiko .

Acima de tudo, porém, a personalidade do Angra fica evidente na introdução da de “Hunters And Prey” e na própria música em si, quando todos os membros tocam instrumentos de percussão. O ritmo da percussão latina, que faz o corpo balançar expontaneamente, bem como a identidade da banda, que é transmitida para o ouvinte acompanhada de largos sorrisos, estão vivos e pulsantes. O “groove” delicado proporcionado pelas síncopes, o dinamismo que literalmente é composto de várias partes que, se entrelaçando-se, formam um fluxo único que atinge diretamente o corpo humano, também estão presentes de uma maneira que chega a ser emocionante.

Creio que não são poucos os fãs que perceberam que o ritmo do Angra, não só em composições como “Unholy Wars” e “Hunters And Pray”, mas em todas as músicas, sobretudo ao vivo, apresentam um “groove” diferente das outras bandas. Não foi a primeira vez que todos os membros apresentaram-se com instrumentos de percussão, e certamente muitos fãs vieram ver essa performance. Afinal, o Angra, banda de músicos que nasceram, cresceram e se aprimoraram no Brasil, hasteando com orgulho ideais musicais elevados, é a banda que fascina esses seus fãs.

Naturalmente a dramaticidade, evidente em “Running Alone”, e o respeito pelo Heavy Metal tradicional em músicas nas quais é impossível ficar sem cantar junto, são parte importante da abordagem musical do Angra.

Todavia, não podemos esquecer o fato de que o potencial dessa banda chamada Angra e seus cinco músicos, constantemente tem superado as expectativas e previsões dos fãs. Esse potencial embasado pela busca incessante da originalidade foi um dos fatores que provocaram o racha na banda e, ao mesmo tempo, proporcionou um foco ainda mais nítido dos ideais musicais para o Angra pós-cisão.

Depois de encerrada a apresentação, os membros desceram até o pit dos câmeras para chegar o mais próximo possível dos fãs. Não satisfeitos, Kiko e Edu fizeram stage diving sobre a platéia, que os apoiou. Os fãs sustentam Angra em seus corações, vivem a mesma época que eles vivem, compartilham com a banda os momentos do show, sentem no Angra de hoje o fascínio e as características únicas que fazem essa banda se impor sobre as demais. Sem sombra de dúvida esses fãs continuarão a apoiar o Angra. Sem sombra de dúvida, segurarão em seus braços a banda de Rock que supera todas expectativas e previsões, orgulho do Brasil.


(Publicado na revista “Young Guitar” de agosto de 2002)

A Lenda retorna à ativa

Os relacionamentos pessoais negativos que minavam a banda nos últimos anos vieram à tona e provocaram a divisão no Angra que, com a entrada do cantor Edu Falaschi, do baterista Aquiles Priester e do baixista Felipe Andreoli, literalmente renasceu com o álbum “Rebirth”. As novas forças da banda, que preencheram o requisito de conhecerem a música do Angra e seus conceitos – banda de Heavy Metal que incorpora elementos de música clássica e brasileira -, não demonstraram qualquer insegurança em relação a outro atributo fundamental do Angra, que é a parte técnica. Levando em conta que trouxeram ar bom e puro para a banda, podemos dizer que o Angra se tornou uma banda muito mais criativa do que antes.

Porém, acho que Kiko e Rafael, que são o núcleo da banda, devem ter pensado que não seria possível conhecer o verdadeiro potencial da banda sem colocá-la no palco. A turnê japonesa foi uma oportunidade ideal para constatar isso.

O maior destaque foi a personalidade e a estabilidade vocal de Edu. A presença de palco como a que tinha seu antecessor Andre Matos deve ir aparecendo naturalmente no futuro. Mais importante do que isso, no estágio atual, são dons como a habilidade e o carisma, elementos nos quais ele fez notar que é um enorme talento. O cantor, acima de tudo, é o rosto da banda. Por esse ponto de vista, pode-se dizer que o Angra fez uma escolha sábia e sem igual.

Com relação ao que interessa ao leitor - os guitarristas, a técnica do Kiko continua absurda. Muitas pessoas devem ter ficado boquiabertas com o DVD encartado na edição de janeiro, mas quando ele toca para valer em palco, não há nada mais a fazer senão gritar em assombro. Durante o show, até deu uma canja (?) no teclado e, no geral, demonstrou tranqüilidade e imponência em tudo que fez.

Quem mais supreendeu, porém, foi Rafael. Sua habilidade repentinamente aprimorada em “Rebirth” já havia chamado a atenção; desta vez, ele demonstrou na prática que ele realmente é bom. Para ser sincero, não achava que ele fosse um guitarrista tão bom... perdão!

Em pleno mês de junho, quando o arquipélago japonês estava mergulhado de cabeça na Copa do Mundo, o Angra, tal qual outra seleção canarinho acompanhando a marcha irrepremível do futebol brasileiro, fez perceber de maneira concreta todo o potencial da banda. A impressão que fica é que este é o verdadeiro começo.

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