Resenha - Thalion e Allegro (Ballroom, Rio de Janeiro, 20/08/2004)
Por Rafael Carnovale
Postado em 20 de agosto de 2004
Vamos deixar alguns aspectos bem claros antes de prosseguir com este review:
- O Thalion é uma banda nova, que está começando seus shows com cd na mão.
- Ninguém tem a obrigação de soar perfeito, mas tem a obrigação de mostrar esforço.
- Divulgação massiva e quase absurda em alguns casos ajuda, mas joga em cima da banda uma responsabilidade enorme. Ela passa a ter que corresponder ao tanto que foi investido. É justo? Nem tanto. Mas é o preço que se paga.
- Ninguém na WHIPLASH! puxa saco, "paga pau" ou facilita as coisas para qualquer banda. Louvamos o esforço e o trabalho daqueles que acreditam no som que fazem e se dedicam, dando apoio e criticando quando necessário. Desejamos o sucesso de todas as bandas nacionais que podemos acompanhar, mas criticamos sim o que achamos que precisa ser melhorado. Não somos os donos da verdade, mas seria ridículo deixar de emitir nossa opinião.
- A amizade entre membros da equipe e integrantes de bandas surge naturalmente, porque convivemos em shows, eventos, e entrevistas. Ser amigo de uma banda não quer dizer que ela vai ser sempre bem falada em qualquer veículo.
Estas afirmações são dedicadas a todos que passaram os meses de agosto e setembro fritanto o WHIPLASH! Rocksite e este redator em particular, apenas por uma nota de um parágrafo comentando o citado show.
Vamos agora ao show propriamente dito:
O Thalion alcançou rapidamente o "status" de revelação do ano, com o lançamento de seu primeiro cd, "Another Sun". Formou-se uma legião de fãs da banda, e a mesma parte agora para divulgar seu cd, afinal o bom trabalho de "Another Sun" precisa ser mostrado ao vivo, para que a banda possa fazer jus ao título que vem recebendo. E foi com entusiasmo que os cariocas receberam a notícia que a banda viria ao Rio de Janeiro para uma apresentação no Ballroom, tendo a banda carioca Allegro como convidada. Melhor de tudo, o show foi marcado numa sexta feira, numa iniciativa brilhante da organização.
Cerca de 400 pessoas compareceram ao Ballroom, e novamente, como acontecera no show do Dr. Sin, o atraso foi bem grande. O Allegro entrou no palco as 23:40, com o baixista convidado Cláudio Alves (ex-Dust from Misery), executando "Third Millenium". A banda estava parada há alguns meses, devido a mudanças na formação, e a falta de entrosamento foi perceptível. Mas os cariocas não deram o braço a torcer e seguiram com muita garra, apresentando músicas de seu primeiro cd, como "Stormy Nights", "The Betrayer’s Song", alguns sons novos como "Humans" (bem progressiva"), "Human Zoo" e a pesada "No Truth" (que mostra que o novo cd virá bem diferente). O baixista convidado deu um show a parte e a banda acertou em cheio ao executar um "medley" acústico, com "We Can Work It Out" dos Beatles", "Keeper of the 7 Keys" do Hellowen, "Mama I’m Coming Home" de Ozzy e "Tears of the Dragon" de Bruce Dickinson. O vocalista Ílton Nogueira esteve perfeito e Lula Washington continua um puta guitarrista.
Para finalizar nada melhor que o excelente cover de "The Show Must Go On" do Queen e mais uma música do primeiro cd, "Enigma" que coroou 65 minutos de um belo show. Bom retorno! A criticar só o som, que estava absurdamente alto, além dos limites do insuportável.
Alguns minutos se passaram e as cortinas se abriram para a intro "Atmospheres" e o "Boa Noite Rio de Janeiro" de Alexandra Liambos, que literalmente soou como uma arara sendo violentada a pancadas. O Thalion começou seu "set" com "Follow the Way", "Wait for Tommorrow" e um cover para "Nemo" do Nightwish.
O som, que estava alto, ficou baixo, e nitidamente estávamos vendo no palco uma banda muito nervosa e insegura, que pecava pela total falta de peso, entrosamento e até mesmo empolgação. Rodrigo Vinhas parecia apenas estar fazendo pose com sua guitarra e o baixista David Shalom ficava apenas agitando a cabeça. Ninguém poderia exigir que a banda soasse perfeita, mas realmente ficou tudo bem aquém do esperado.
O show contaria com convidados, sendo que um destes era Fábio Laguna, do Angra, que ficou responsável pelos teclados. Renato Tribuzy foi chamado ao palco para a execução da balada "The Eoncounter", aonde o mesmo executou muito bem as vozes de Michael Kiske. Neste momento a banda pareceu bem mais segura em palco, e o destaque passou a ser o bateria Giancarlo, que nitidamente toca muito bem.
Outro convidado seria Hugo Mariutti, guitarrista do Shaman, que participaria de um cover de "No More Tears" (curiosamente sua guitarra estava bem alta). Porém a execução foi um desastre. A voz de Alexandra, que não consegue segurar o tom em nenhum momento, não se encaixa nos agudos proferidos pelo "Madman" Ozzy, e novamente a falta de peso nas guitarras e a oscilação do som prejudicaram o show. Músicas do primeiro cd iam sendo executadas, e o Ballroom ia esvaziando, permanecendo menos de 200 pessoas no decorrer do show. Hugo voltaria para cantar e tocar "Creeping Death" do Metallica, aonde novamente a banda mostrou segurança. O show foi encerrado com "Solitary World".
Um clima de decepção pairou no ar na saída do Ballroom, mas deve-se dar um crédito a galera do Thalion por estar começando e literalmente estar se conhecendo musicalmente no palco, coisa que requer coragem e vontade mesmo de crescer. Os erros cometidos são normais, e a banda certamente fará shows muito melhores, afinal o potencial de "Another Sun" é notável. Mas que fica ua sensação de que tanto marketing está afetando as cabeças dos caras fica sim. O jeito é sair tocando e mandar brasa. Se há talento, e ao que parece sobra isso na banda, é tudo uma questão de tempo.
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