A eterna discussão: Metaleiro ou Headbanger?
Por André Stanley
Fonte: Blog do André Stanley
Postado em 06 de maio de 2020
Certa vez, ouvi uma música do DETONATOR - personagem cômico de Bruno Sutter - cuja letra dizia: "Se quem nasce no Brasil é brasileiro, quem nasce no Metal é o que?" "Metaleiro!" (Todos cantam em coro). O interessante é que ele faz sua música com trechos do hino nacional brasileiro, criando um nacionalismo escrachado. Ainda tem o grito de guerra típico das torcidas de futebol com os dizeres "Ah eu sou metaleiro, com muito orgulho com muito amor." A intenção do músico e comediante é justamente o escárnio com estereótipo do fã radical de Heavy Metal, o que ajuda a dar um carácter irônico ao termo. Em outra parte da letra ele diz: "Headbanger é na Inglaterra e em todas as nações que falam a língua do inglês." Apesar de ser uma música de zueira, ela trata de um tema polêmico entre o público de Metal
Dentro da cena Heavy Metal, sempre houve uma discussão a respeito de qual seria a forma mais adequada para se denominar o músico ou o fã de Heavy Metal. O termo "metaleiro" foi muito usado nos anos 80s para designar tais indivíduos. Com o tempo, este termo foi se desgastando e se tornando sinônimo de "porra loca," vadio, vagabundo, gente sem serventia, muitas vezes associado à "maloqueiro" e "maconheiro" pela semelhança fonética. Então num ato de pura estratégia linguística, a imprensa especializada, que outrora também se utilizava largamente desta denominação, começou a usar um termo em inglês, para dar um carácter mais universal - segundo eles - para substituir o "metaleiro".
Acho interessante essas sacadas dos especialistas - sem sarcasmo - mas headbanger, a meu ver, tampouco me parece adequado. Quem olha para um cara cabeludo chacoalhando a cabeça em um show ou simplesmente ouvindo um som dentro do carro, pode ter a impressão que aquele cara só sabe fazer aquilo. Que o único propósito da música que ele ouve é balançar a cabeça (Headbanging - em inglês) feito um louco. E sabemos que rodar a cabeleira é apenas um efeito catártico causado pela agressividade dos riffs de guitarra, semelhante a histeria coletiva que ocorre dentro das igrejas evangélicas, onde vemos pessoas pulando, rolando no chão e se jogando uns nos outros. Ou seja, ficar neste estado não é o único propósito do Metal. Há outros elementos envolvidos, como apreciar as melodias do vocal, o que nos faz cantarolar juntos, ficar intrigado com a técnica de certos músicos, o que nos faz estudar feito loucos para atingir uma fração daquela técnica, se interessar pela letra de um música ao ponto de começar a pesquisar tudo a respeito e se tornar especialista em um determinado assunto.
Enfim, é por essa simplificação semântica que me simpatizo mais com o antigo termo, "metaleiro". Essa nomenclatura está mais ligada a genealogia do termo "Heavy Metal". O cara toca, ouve ou vive o Metal, portanto, "metaleiro" ele é.
Se levarmos em conta o gênero musical que deu origem ao Heavy Metal, faz todo sentido usar o termo "metaleiro", afinal, quem ouve rock sempre foi e será "roqueiro." Mas como a língua portuguesa é mesmo um luxo, podemos ter um conflito lexical, já que aqueles caras que tocam instrumento de metal (trompete, saxofone, e coisas afins) mesmo que nunca tenham ouvido uma única música do Iron Maiden, são também, chamados de "metaleiros". Segundo algumas fontes o profissional que faz panela também é chamado de metaleiro.
Mas se até mesmo o próprio dicionário da língua portuguesa "Michaellis" define "metaleiro" como fã ou músico de Heavy Metal, e o "Aurélio " diz que "metaleiro" é "aquele que, sendo músico ou não, é adepto do heavy metal e se veste da maneira característica deste estilo musical." Para que discutir com as definições oficiais?
O que eu quero dizer, é que o termo "metaleiro" se tornou pejorativo em algumas ocasiões, no entanto, o termo "Headbanger" já nasceu pejorativo. Pois se o fã de Metal, já é visto por grande parte da sociedade como um nada, um doente "batedor de cabeça" (Headbanger), esse termo em inglês vem bem a calhar para os detratores do Heavy Metal.
Acho até mais apropriado o termo "Metalhead" (Cabeça de Metal), usado majoritariamente na Europa para denominar os amantes do Heavy Metal, todavia também pode dar margem a duplos sentidos, como cabeça dura, burro, imbecil, sujeito de pouca capacidade intelectual.
No mais, acho que continuarei usando o termo "metaleiro" que já é clássico, pois não posso por um simples capricho retórico, ou para soar mais politicamente correto, usar uma nomenclatura, que apesar de fazer certo sentido, não condiz com tudo que a música de Metal representa para um fã. Afinal se o ato de ficar girando a cabeça enquanto ouvimos uma música pesada é praticamente uma reação natural do nosso corpo, não creio que seja essa característica tão estereotipada que deva denominar toda uma tribo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Astro de Hollywood, ator Javier Bardem fala sobre seu amor pelo Iron Maiden
Dez músicas clássicas de rock que envelheceram muito mal pelo sexismo da letra
O mito sobre Kurt Cobain que Dave Grohl hoje já não banca com tanta certeza
O vocalista que recusou The Doors e Deep Purple, mas depois entrou em outra banda gigante
Ricardo Confessori quebra senso comum e diz que clima no Angra no "Fireworks" era bom
A contundente (e ríspida) opinião de Kerry King sobre o Korn
Guns N' Roses encerra turnê no Brasil com multidões, shows extensos e aposta em novos mercados
O clássico do Sepultura que traz a mesma nota repetida inúmeras vezes
Adrian Smith revela que Bruce Dickinson voltou ao Iron Maiden antes
O riff simples que tirou Max Cavalera do sério e o fez quebrar guitarra
Por que Ricardo Confessori foi ao Bangers e não viu o show do Angra, segundo o próprio
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
Metallica divulga gravação ao vivo de "The Memory Remains" registrada em 1997
Fabio Lione publica mensagem emocionante de despedida do Angra: "Para sempre!"
Falar mal do Dream Theater virou moda - e isso já perdeu a graça há tempos
Como a nova era dos festivais está sufocando os shows menores
Megadeth, "Risk", "Dystopia" e a dificuldade em aceitar a preferência pessoal alheia
Você está realmente emitindo sua opinião ou apenas repetindo discursos prontos?
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Vamos admitir sem hipocrisia: não há banda nova que preste


