A eterna discussão: Metaleiro ou Headbanger?

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Por André Stanley, Fonte: Blog do André Stanley, Tradução
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Certa vez, ouvi uma música do DETONATOR - personagem cômico de Bruno Sutter - cuja letra dizia: "Se quem nasce no Brasil é brasileiro, quem nasce no Metal é o que?" "Metaleiro!" (Todos cantam em coro). O interessante é que ele faz sua música com trechos do hino nacional brasileiro, criando um nacionalismo escrachado. Ainda tem o grito de guerra típico das torcidas de futebol com os dizeres "Ah eu sou metaleiro, com muito orgulho com muito amor." A intenção do músico e comediante é justamente o escárnio com estereótipo do fã radical de Heavy Metal, o que ajuda a dar um carácter irônico ao termo. Em outra parte da letra ele diz: "Headbanger é na Inglaterra e em todas as nações que falam a língua do inglês." Apesar de ser uma música de zueira, ela trata de um tema polêmico entre o público de Metal

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Jay Wennington @ www.unsplash.com
Jay Wennington @ www.unsplash.com

Dentro da cena Heavy Metal, sempre houve uma discussão a respeito de qual seria a forma mais adequada para se denominar o músico ou o fã de Heavy Metal. O termo "metaleiro" foi muito usado nos anos 80s para designar tais indivíduos. Com o tempo, este termo foi se desgastando e se tornando sinônimo de "porra loca," vadio, vagabundo, gente sem serventia, muitas vezes associado à "maloqueiro" e "maconheiro" pela semelhança fonética. Então num ato de pura estratégia linguística, a imprensa especializada, que outrora também se utilizava largamente desta denominação, começou a usar um termo em inglês, para dar um carácter mais universal - segundo eles - para substituir o "metaleiro".

Acho interessante essas sacadas dos especialistas - sem sarcasmo - mas headbanger, a meu ver, tampouco me parece adequado. Quem olha para um cara cabeludo chacoalhando a cabeça em um show ou simplesmente ouvindo um som dentro do carro, pode ter a impressão que aquele cara só sabe fazer aquilo. Que o único propósito da música que ele ouve é balançar a cabeça (Headbanging - em inglês) feito um louco. E sabemos que rodar a cabeleira é apenas um efeito catártico causado pela agressividade dos riffs de guitarra, semelhante a histeria coletiva que ocorre dentro das igrejas evangélicas, onde vemos pessoas pulando, rolando no chão e se jogando uns nos outros. Ou seja, ficar neste estado não é o único propósito do Metal. Há outros elementos envolvidos, como apreciar as melodias do vocal, o que nos faz cantarolar juntos, ficar intrigado com a técnica de certos músicos, o que nos faz estudar feito loucos para atingir uma fração daquela técnica, se interessar pela letra de um música ao ponto de começar a pesquisar tudo a respeito e se tornar especialista em um determinado assunto.

Enfim, é por essa simplificação semântica que me simpatizo mais com o antigo termo, "metaleiro". Essa nomenclatura está mais ligada a genealogia do termo "Heavy Metal". O cara toca, ouve ou vive o Metal, portanto, "metaleiro" ele é.

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Se levarmos em conta o gênero musical que deu origem ao Heavy Metal, faz todo sentido usar o termo "metaleiro", afinal, quem ouve rock sempre foi e será "roqueiro." Mas como a língua portuguesa é mesmo um luxo, podemos ter um conflito lexical, já que aqueles caras que tocam instrumento de metal (trompete, saxofone, e coisas afins) mesmo que nunca tenham ouvido uma única música do Iron Maiden, são também, chamados de "metaleiros". Segundo algumas fontes o profissional que faz panela também é chamado de metaleiro.

Mas se até mesmo o próprio dicionário da língua portuguesa "Michaellis" define "metaleiro" como fã ou músico de Heavy Metal, e o "Aurélio " diz que "metaleiro" é "aquele que, sendo músico ou não, é adepto do heavy metal e se veste da maneira característica deste estilo musical." Para que discutir com as definições oficiais?

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O que eu quero dizer, é que o termo "metaleiro" se tornou pejorativo em algumas ocasiões, no entanto, o termo "Headbanger" já nasceu pejorativo. Pois se o fã de Metal, já é visto por grande parte da sociedade como um nada, um doente "batedor de cabeça" (Headbanger), esse termo em inglês vem bem a calhar para os detratores do Heavy Metal.

Acho até mais apropriado o termo "Metalhead" (Cabeça de Metal), usado majoritariamente na Europa para denominar os amantes do Heavy Metal, todavia também pode dar margem a duplos sentidos, como cabeça dura, burro, imbecil, sujeito de pouca capacidade intelectual.

No mais, acho que continuarei usando o termo "metaleiro" que já é clássico, pois não posso por um simples capricho retórico, ou para soar mais politicamente correto, usar uma nomenclatura, que apesar de fazer certo sentido, não condiz com tudo que a música de Metal representa para um fã. Afinal se o ato de ficar girando a cabeça enquanto ouvimos uma música pesada é praticamente uma reação natural do nosso corpo, não creio que seja essa característica tão estereotipada que deva denominar toda uma tribo.




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Sobre André Stanley

André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor do blog (Blog do André Stanley). Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys.

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