Luan Santana: a intolerância no metal
Por Herick Sales
Fonte: Herick Sales Guitar
Postado em 26 de setembro de 2017
Ao ler essa notícia eu ri. Achei engraçada, e que obviamente era uma trollagem, então vejo que de fato foi postado e pelo próprio: Luan Santana, vai se dedicar ao gênero que diz amar, o metal. Eu sou músico e professor de guitarra. Sei muito bem que muitos músicos para conseguirem pagar suas contas tocam em bandas de sertanejo, de pop, etc (afinal, é um trabalho), e em paralelo se dedicam aos seus projetos tocando o que realmente os motivam e gostam. Logo ao ler isso, achei interessante e corajoso se for levado adiante.
Com certeza me despertou a curiosidade, pois acostumamos a ouvir (sem querer, cooooom certeza) seu timbre de voz anasalado e malabares em vibratos tão comuns no sertanejo universitário, e veio a pergunta: como soaria essa bodega? Se ele falasse apenas rock, e fizesse algo mais pop rock, ou até mesmo um hard açucarado tipo Bon Jovi, na minha mente seria mais fácil de imaginar, agora metal? Então estou esperando para ver, pois quem sabe não sai um bom álbum do gênero?
Mas aí que reside o fator principal do meu texto: a desunião dos headbangers no Brasil. Uma grande parcela foi postar mensagens de extremo desagrado, dizendo que o mesmo não tem capacidade para isso, talento, que iria desonrar o gênero, etc, etc. Porra! O cara nem fez um acorde sequer, já vem gente crucificando, e o pior: por ele querer fazer o que realmente gosta, que é o metal, que deveria ser um estilo de música (e vida) acolhedor, e não seletivo (seria talvez por isso, que esse sertanejo bem bosta faz tanto sucesso aqui no Brasil, já que querendo ou não, acolhe desde mauricinhos/patricinhas, até os mais humildes?).
Headbanger reclama que não tem metal no RIR, que metal não aparece na TV, que não há união da cena, e que a mesma é ofuscada e deixada de lado, mas quando um músico como Luan Santana, que não precisa disso (o cara é mais do que estabelecido no gênero dele, e mais rico do que 99% dos que leem esse texto), resolve arriscar a carreira em prol da vertente que ama, a grande maioria marreta o cara, sem antes mesmo ver se ele manja ou não dos paranauês. Mal comparando, lembro do Alex Skolnick, guitarrista de Testament, que foi criticado por muitos da área do jazz, quando resolveu abordar e tocar o estilo, simplesmente por gostar muito e querer visitar essa paixão.
Não sou nem um pouco fã das canções do Luan, e nem me agradava o estilo que ele adotou para si, mas torço para que ele seja feliz com essa mudança, passando a fazer o que gosta, e quem sabe isso não traga uma visibilidade para o gênero na TV (Domingão do Faustão?). E quanto aos headbangers mais xiitas, ficou a prova de que o pré-julgamento, o elitismo e desunião são grandes fatores que fazem tal gênero ser tão pífio no Brasil, mercadologicamente falando.
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