Teclados no metal: de proibidos a obrigatórios
Por Ivison Poleto dos Santos
Postado em 03 de maio de 2017
Se existe um instrumento controvertido no mundo do metal este é o teclado. Muito já se discutiu sobre o seu uso pelas bandas de metal até o ponto de Bruce Dickinson, no vídeo "Behind The Iron Curtain" dizer a um fã polonês que ele não poderia ter uma banda de metal com teclados. E queimou a língua! Feio! Hoje o Iron não vive sem teclados.
Dos instrumentos usuais de uma banda de metal, os teclados são os mais caros e os mais difíceis de serem aprendidos. Leva-se anos para aprender a tocá-lo com uma desenvoltura além das churrascarias. Comparativamente com a bateria, outro instrumento caro, esta é a principal diferença. Os estudos de piano clássico, o caminho usual para aprendê-lo, levam pelo menos 9 anos.
As bandas da primeira geração do metal os utilizavam com uma certa desenvoltura. Era o início do gênero e ele estava desenvolvendo suas características. O Black Sabbath utilizou-o em várias músicas, mais notadamente o piano. Geff Nichols foi uma espécie de quinto membro da banda. O Led Zeppelin também fez suas experimentações com John Paul Jones tomando as rédeas do instrumento. Nem é necessário falar do Deep Purple e John Lord.
Foi nos anos 1980 que o instrumento ganhou o status de odiado. Os punks o associaram ao declínio e à elitização da música, principalmente por causa das bandas de rock progressivo que os utilizavam aos borbotões. Os teclados são para o rock progressivo o que a guitarra é para o metal. Talvez por esta razão, as bandas de NWOBHM o deixaram de lado. Mas o grande problema com os instrumento, ao meu ver, foi a sua utilização pelas bandas de pop metal como o Bon Jovi. Aí a maionese desandou. A fórmula foi usada e abusada pelas bandas que queriam ganhar uns cobres a mais e o instrumento teve o seu ápice de saturação. Excetuando o Van Halen, que em 1984 fez um trabalho notável, os teclados viraram sinônimo de música comercial e descartável.
Mas nos anos 1990 a maré mudou. E por ironia do destino, a resposta veio das bandas de metal extremo que passaram a utilizá-lo para dar uma quebrada no peso e para criar atmosferas mais densas às suas músicas. Muitas bandas aproveitaram também para dar mais consistência musical aos seus trabalhos, utilizando os infinitos recursos que o instrumento oferece, pois ele pode soar como teclado, como mais uma guitarra, como instrumentos sinfônicos e muito mais.
Há também uma virada geográfica. Os teclados começaram a aparecer mais quando a Europa tomou a liderança das bandas de metal. No Velho Continente existem mais pianistas por causa da sua tradição clássica e eles passarem ao metal foi somente um passo. E os teclados passaram de proibidos a obrigatórios!
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