Metal: Acha que está morto? É tudo culpa sua!

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Por Rafael Testa, Fonte: TeamRock, Tradução
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Luke Morton, editor da conceituada revista Metal Hammer, fez um desabafo sobre o comportamento retrógrado e nocivo dos headbangers na internet e que não deixa o metal se renovar. Confira a tradução do texto de Luke abaixo.

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Gêneros nunca morrem, você só precisa de uma mudança de perspectiva.

Como qualquer outro compositor com muito tempo livre, eu passo muito desse meu tempo no abismo sombrio que é a comunidade musical na internet, um lugar onde trolls correm livremente em campos de pixels e elitistas desfilam com seus grandes paus digitais balançando. Um lugar que pessoas como vocês chamam de lar. Um lugar em que você é amparado por pessoas que chamam toda banda que tem a faixa de idade menor que 40 anos de 'bichas'.

Vamos, é isso que você faz.

No site da Metal Hammer cobrimos tudo que é considerado metal - de Babymetal à Burzum - mas 90% do tempo as bandas jovens são massacradas nos comentários por terem um corte de cabelo que não foi aprovado pelos Deuses do Metal ou por não recriar Rust in Peace. Bastardos. Tipo, como ousa uma banda em 2016 insistir em soar como uma banda que não seja Megadeth?

Você ainda não pensou sobre isso, pensou? O problema que você criou para si mesmo - sem nenhuma porra de razão - que o metal morreu quando você tinha 14 anos. De acordo com você, tudo que aconteceu depois disso é apenas uma pálida imitação e deve ser ridicularizado no máximo de comentários possíveis no Facebook. Não faz sentido prestar atenção em música nova porque você declarou o metal como morto. Temos sorte em ter você por ai apontando quando entidades não físicas morrem, você deveria trabalhar na NASA ou algo parecido.

Não me entenda mal, não é sua culpa, é o jeito que você foi moldado. A internet em geral tem um fetiche pelo passado, e não é só musicalmente. Dê uma pesquisada rápida nos maiores websites - Buzzfeed, Tumblr, Reddit - e verá incontáveis postagens sobre como eram maravilhosos os anos 90, com gifs do Johnny Bravo ou com dissertações de 10.000 palavras dizendo o quão lindo era o Mega Drive...

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A razão de existirem sonhos nostálgicos na internet é que você tem dificuldades para compreender o futuro, apesar de viver nele.

Lembra quando a internet era uma ameaça para a indústria musical? Lembra do Napster, que ferrou com gravadoras e permitiu que fossem baixadas todas essas raridades e B-sides de graça? Sabemos que você não pagou pelo St Anger, mas apostamos que baixou no Kazaa. Isso foi em 2003. Estamos agora em 2016 e a maior invenção da humanidade está cheia de pessoas relembrando o quão boa era a vida antes desse tipo de invenção existir.

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Você ficou com medo do novo, ficou com medo das mudanças, ficou com medo de bater de frente com qualquer coisa que não tenha encontrado cem vezes e que sabe exatamente como lidar. É por isso que o mundo está inundado com incontáveis bandas tocando seus álbuns de estreia, porque você não quer escutar as músicas novas. É por isso que bandas que uma vez foram consideradas ridículas estão tocando em casas de show com capacidade para 1000 pessoas, é por isso que bandas que lutam no underground são tratadas como algo a ser pisado por 'fãs de música'. Você não quer ver um monte de corajosos caras de 20 e poucos anos sendo a atração principal do Eletric Ballroom, quer? Não, você quer ver o Alien Ant Farm em pleno ano DOIS MIL E DEZESSEIS. Ano passado, a capital da Inglaterra e centro cultural do Reino Unido recebeu Hoobastank, POD e Spineshank pela simples razão de ver caras entres 25 e 35 anos beberem cerveja e relembrarem os tempos de MTV e P-Rock como se tivessem assistindo os Sex Pistols.

Então, como consertar isso? Como reprogramar pessoas como você que vive num mundo onde nada é musicalmente possível e que ainda prefere ouvir os mesmos álbuns de novo e de novo enquanto não dá a mínima para a banda que está tocando no clube na esquina da sua casa? Eu proponho um ponto de corte. Um ponto onde a música não é mais uma opção e as bandas precisam seguir em frente. Um plano de aposentadoria para as bandas que não estão mais produzindo seu melhor material e que estão apenas atravessando o momento com o entusiasmo de seus pais na cama. Como um jogador de futebol velho, fazemos um jantar em suas homenagem, damos um tapinha nas costas e deixamos ele seguir sua vida. Mande as lendas para uma grande fazenda para que relembrem os bons e velhos tempos. Eles amariam isso, não? Poderíamos visitá-los e escutar suas histórias. Coros escolares os visitariam no natal. Que divertido. É uma medida extrema, mas pelo menos a nova geração teria uma chance.

Ok, essa foi uma ideia merda. De qualquer jeito você não deixaria isso acontecer, deixaria? Por que ir no show gratuito que está rolando na sua rua enquanto você pode se sentar no Facebook e escutar Reign In Blood pela quadringentésima vez. Todas as bandas novas são merdas, bichas e emos, certo rapaz? Se o Metallica tivesse surgido nos tempos de Facebook, seriam caras de 20 anos de idade ridicularizados pela internet e seu Bandcamp mal seria escutado.

'Não existe razão para escutar esses caras novos porque eles não vão chegar a lugar nenhum, vou voltar para os meus CDs do Styx', você diria. 'Kill 'Em All é um nome estúpido para um álbum, me dê Virgin Killer qualquer dia', resmungaria. É isso que diz porque você, como a maioria da internet, tem medo de assumir riscos e ainda se queixa do metal estar morto. O metal não está morto, a sua paixão está. Você é o problema. Você é a internet. Você é o futuro. Corrija o sistema!




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Sobre Rafael Testa

Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, tem 23 anos, é estudante de sistemas de informação e torcedor fanático do Vasco da Gama e do Tupi Football Club. Se interessou por rock/metal depois do grande tio Roney mostrar-lhe o Iron Maiden. Tem o gosto musical muito variado, curte do thrash metal do Slayer ao metalcore do All That Remains. Acredita que existem bandas boas atualmente e faz questão de apresentá-las.

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