"Imagine": Utopia só na poesia

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Claudinei José de Oliveira, Fonte: rollandorocha.blogspot
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A música Imagine, de John Lennon, é um atentado à humanidade, não por ser piegas, brega, pegajosa, como, de fato, é, mas, principalmente, por suscitar, em seus versos, condições altamente perniciosas à psiquê: dê ao ser humano o equilíbrio, a satisfação, a segurança e ele, enquanto ser, definha. Aquilo que faz do ser humano, humano, foi resumido pelo velho Schopenhauer da seguinte forma: "dê-lhe a satisfação de um desejo e dois novos surgem no lugar". Não é à toa que todas as experiências históricas de igualdade social só foram garantidas com o uso da violência. Não é à toa que as condições propostas nos versos foram definidas pelos antigos gregos, sábios que só, como utopia: u = não; topos = lugar. Portanto utopia é o "não-lugar", ou "lugar que não existe".

1326 acessosRock: gênero é um trintão decadente, segundo Spotify5000 acessosLegião Urbana: a versão de Renato Rocha sobre a sua saída

Lennon: Jesus Cristo Superstar?!!!
Lennon: Jesus Cristo Superstar?!!!

John Lennon sempre nos ensinou que, dele, podíamos esperar tudo: desde o início dos Beatles se mostrou o "porra-louca" por excelência. Senão, vejamos: o lance dele afirmar que os Beatles seriam maiores que Jesus Cristo. Teve que baixar a franja e, nervosamente, tentar remendar o dito em entrevistas e se, como dizem por aí, Jesus o castigou, foi transformando-o em uma espécie de Cristo de segunda categoria com sua morte. As fotos nuas e o casamento com Yoko Ono dispensam comentários. Se envolveu com drogas pesadas e cantou, em Lucy In The Sky With Diamonds e Cold Turkey, por exemplo, suas experiências. Sabemos que para o bem ou para o mal, música é uma espécie de propaganda. Além de tudo, apoiou a esquerda radical e sabemos, muito bem, do resultado de experiências de governo baseadas no radicalismo esquerdista: extravasar todo o ódio acumulado no ressentimento em não ter sido governo na violência social, garantindo, assim, a "igualdade". No fundo, porém, John Lennon foi apenas um ser humano.

Mas um ser humano que não teve pudor em tornar público os fantasmas que o assombraram. Com isto, se tornou, literalmente, um alvo fácil. Ele próprio se definiu em entrevistas como "um palhaço capaz de rir de si mesmo": pode ser uma citação de Nietzsche mas pode ser, também, um tiro no próprio pé.

O biógrafo Philip Norman narra, no livro John Lennon: Vida, a história de que, no final dos anos 1970, entre vários investimentos, Lennon e Yoko compraram gado leiteiro e, quando o negócio não deu o retorno esperado, uma das pessoas envolvidas foi chamada para prestar contas. Diante de uma inquisição irada, tal pessoa teria, com muita presença de espírito, citado o verso "imagine no possessions", de Imagine, que pode ser traduzido como "imagine que não haja posses". Lennon, bufando de raiva, retrucou: "Isto é só a porra de uma música". Este é o John Lennon fascinante. De verdade.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

VinilVinil
Os dez discos mais vendidos nos EUA em 2017

1326 acessosRock: gênero é um trintão decadente, segundo Spotify392 acessosRingo Starr: novo álbum sai em setembro, e traz Paul McCartney1342 acessosBeatles: Paul McCartney fecha acordo sobre direitos autorais313 acessosSgt. Pepper's: entrevista exclusiva com o Sargento Pimenta0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Beatles"

SpotifySpotify
Os artistas mais ouvidos em 2016 por gênero musical

John LennonJohn Lennon
"Ele não foi um bom pai", diz filho

Rock and RollRock and Roll
NME elege momentos mais controversos

0 acessosTodas as matérias da seção Opiniões0 acessosTodas as matérias sobre "John Lennon"0 acessosTodas as matérias sobre "Beatles"

Legião UrbanaLegião Urbana
A versão de Renato Rocha sobre a sua saída

Veraneio VascaínaVeraneio Vascaína
Uma ácida crítica à polícia na letra do Capital Inicial

Músicas ruinsMúsicas ruins
As 100 piores segundo o Aol Radio Blog

5000 acessosCannibal Corpse: o pescoço gigante de George Fisher5000 acessosComo Conservar e Recuperar Cordas de Baixo5000 acessosMarcelo Maiden: Uma impressionante coleção de ítens do Iron Maiden4238 acessosWhitesnake: Vivian Campbell conta como superou treta com David5000 acessosAnos 80: cinco nomes do metal que se entregaram ao glam metal5000 acessosTom Englund: os álbuns que marcaram o vocalista do Evergrey

Sobre Claudinei José de Oliveira

Claudinei José de Oliveira é graduado em História e aproveita o tempo vago para ouvir, ler e escrever rock´n´roll e conversar com seus cachorros. Criou e mantém o blog rollandorocha.blogspot.

Mais matérias de Claudinei José de Oliveira no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online