Black Sabbath: são os deuses músicos britânicos?
Por Sergio Gattás Bara
Postado em 28 de outubro de 2013
A música para mim é a mais perfeita forma para se chegar a Deus. Uma forma de materializar Deus. Entre tantos iluminados estão Beethoven, Milton Nascimento, Mike Oldfield, Marillion, Fish, Chico, Elis e todos aqueles que fazem arrepiar e emocionar, preenchendo nossas almas. São muitos. Mas uma dos mais especiais, profundos e que tem uma conversa com Deus em cada nota, em cada música é o Black Sabbath. Parece irônico que uma banda que foi - erroneamente - tão perseguida por promover o coisa ruim seja para mim uma forma tão próxima de Deus.
O interessante da minha história com o Sabbath é que ela começa com minha irmã, Nadja, em 1975, quando ela compra o Volume 4 e o Sabotage. Passa também por todos os irmãos. Mário e Alexandre e, em especial, o Zé Eduardo, que, em 1983, me apresenta o Born Again. Até então era radicalmente MPB. Milton, Chico, Beto Guedes etc. e olhe lá!
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Numa noite de 83, ouvindo o então novo disco - com Ian Gillan no vocal - no quarto da Nadja, o Zé Eduardo traduziu uma letra que me tocou profundamente e mudou minha forma de ver a vida. Isso me fez buscar a história da banda. Depois veio Marillion, a carreira solo do Ozzy, Rush e outros. Sem nunca abandonar os nossos brasileiros. Comprei tudo. E em uma época que o Sabbath era motivo de chacota. E foi durante muito tempo. O ressurgimento para o grande público veio com as bandas de Seattle - Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden além de Metallica, Faith No More, Sepultura e tantas outras que tinham no Black Sabbath - e não nos preciosos Led Zeppelin e Deep Purple - sua principal referência.
Saltando da década de 1980 para a data do show mais esperado da minha vida. E ela era simbólica. 13. De outubro. De 2013. O polêmico e místico número do nome do disco de retorno do Black Sabbath. O show foi absolutamente perfeito. De uma simplicidade desconcertante. De um peso e em uma harmonia exemplares. Nenhuma briga. Um astral altíssimo na Praça da Apoteose (Apoteozzy é perfeito mas reduz muito!). Todos cantando em uníssono. Sem firula alguma. Sem pirotecnias. Emocionante em cada música. Um show baseado no som denso e verdadeiro de quatro caras que eram pobres em Birmingham, Inglaterra, que, desde sempre, desde sua origem, quiseram fazer um som que nunca ninguém tinha feito. E fizeram.
Faziam o que acreditavam - e maravilhosamente continuaram fazendo até hoje. As letras são excelentes e inteligentes. Desde 1970 continuam atuais. São ousados. Eles são únicos pois se propuseram a isso. Tony Iommi e Geezer Butler relatam, por exemplo, que os técnicos, quando ouviam o som da guitarra e do baixo separados, falavam que estava errado. E eles explicavam que o só funcionava mesmo, do jeito que eles queriam, juntos.
Fica aqui meu agradecimento, respeito e admiração por esses 4 (o que inclui o genial Bill Ward - fora de corpo - e por motivos de saúde - mas sempre presente de alma) - que me ajudaram tanto a me aproximar ainda mais de Deus.
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