Ceará: por que devemos apoiar as bandas cover?
Por Leonardo M. Brauna
Postado em 30 de junho de 2013
Os fãs de Metal formam um público dos mais fiéis e, portanto muito exigente, a paixão pelos seus ídolos jamais se compara a uma loucura sem sentido que é vista entre a tietagem de modo geral. O ouvinte dos gêneros rock ‘n’ roll não cultiva música de "prateleira", não sofre "febre adolescente" e cada novo registro de seus admirados surge um novo patrimônio. Esse respeito por suas bandas faz travar uma verdadeira batalha ideológica entre as pessoas. De um lado os mais radicais que defendem a questão autoral de se fazer música, do outro, headbangers que além de apoiar as "novidades" ainda valorizam as bandas cover. Mas por que não apoiá-las?
Não é difícil encontrar alguém em nossos ciclos de amizades que possua um discurso contrário a bandas que "copiam" outras, muitas dessas pessoas acham que esses artistas não têm autenticidade e julgam até ferir o trabalho das bandas originais. Mas será que autenticidade é um termo que cabe a uma classificação? Tudo bem, eu até concordo que algumas precisam aprimorar-se, porém a gente enquanto público deve mesmo é que respeitar o trabalho de quem homenageia os grandes ícones. A "má qualidade (?)" de alguns está atrelada não apenas ao grupo, mas em outros fatores como equalização do som, posição de microfones, até mesmo na estrutura dos palcos, então jamais se deve comparar o trabalho do tributo com o do homenageado. Ainda assim profissionais de imenso gabarito se postam a fazer covers, até bandas inteiras se formam e partem em turnês, veja o caso de Dio Disciples, ok, muitos deles já tocaram com o "Deus do heavy metal", mas hoje não deixam de ser cover.
Imaginemos o mundo underground sem estas bandas onde todos os grupos são autorais, um mundo em que tudo que subir num palco for tocar as suas próprias músicas. Seria difícil prender a atenção de todos por todo o tempo do set executando canções que muitas vezes ninguém conhece. Em resumo, as cenas underground seriam uma chatice sem tamanho.
Em Fortaleza (CE) essas bandas têm um valor muito grande e qualquer parte em que tocam, há sempre uma receptividade generosa dos fãs. Apoiadas por alguns bares e casas noturnas elas deixam sempre os espaços lotados e uma galera inteiramente feliz. Com a notória riqueza dessa modalidade, na capital cearense viu-se crescer um grande festival totalmente voltado para esses artistas, o "Coverama", esse evento cultural surgiu em Sergipe em 2006, no Ceará já é promovido desde 2010. Ele é realizado por meio de eliminatórias onde o vencedor ganha até prêmio em dinheiro.
NIGHT ROCK’S (Europe cover):
Integrantes de bandas com projeção nacional, também fazem parte de grupos cover, Renato Filtro (baixo) e Tales Groo (guitarra), por exemplo, quando encontram "brechas" na agenda da Darkside marcam apresentações com a TOTAL ECLIPSE (Iron Maiden cover). O mesmo acontece com Marcelo Falcão (vocal) e Richardson Lucena (baterista), ambos da MAJESTY (Blind Guardian cover). A mesma situação vive membros da Agony, banda clássica do thrash metal cearense. Jerônimo Pires (vocal) e Milson Feitosa (baixo) alegram fãs de Mercyful Fate na BLACK MASSESS enquanto um dos guitarristas, Edi Figueiredo, toca na LOVEDRIVE reproduzindo canções do Scorpions, ainda o baterista Rômulo Albuquerque vive o seu personagem no LOVE GUN (Kiss cover).
BLACK MASSESS (Mercyful Fate cover):
MAJESTY (Blind Guardian cover):
Dois pontos de apoio importantes a esses profissionais em Fortaleza estão sustentados no Bar Rock 80 e Night Bar. Esses lugares vêm mantendo uma acentuada colaboração para os grupos mostrarem seus trabalhos, atraindo assim uma boa clientela que se diverte não apenas ao som das bandas, mas ao reencontro de amigos, e por que não dizer início de grandes paixões? Bandas cover no Ceará são levadas a sério tanto quanto as suas autorais e não é por falta de genialidade, mas por sobra de competência. Nesses dias em que a cena mundial discute o destino do heavy metal, o que seria do futuro se não houvesse pessoas para lembrar os grandes ícones?
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