O rock está em coma
Por Igor Z. Martins
Postado em 14 de junho de 2013
Se você é fanático e se magoa facilmente, eu recomendo que pare por aqui e nem leia o restante do texto. O mesmo se você tem problemas graves para aceitar que nem todo mundo pensa como você.
Não se pode matar o rock n’roll, mas muitos dizem que o mesmo está morto. Eu discordo. Eu acho que está em coma, talvez até coma "induzido". Dizem que a culpa é da mídia, mas eu acho que quem induziu esse coma foi a incompetência e falta de criatividade e peito de grande parte das bandas post-1990.
O último espernear genuíno do rock foi com a explosão Grunge, no final dos anos 1980 e início da década seguinte. Depois, muitas daquelas bandas se venderam, simplesmente. Nada errado com querer ganhar dinheiro, mas isso não muda o fato de que houve venda, sim.
O Pearl Jam hoje é, praticamente, uma banda pop cristã, sem atitude, sem pegada, sem nervos. É só o Eddie Vedder com seu violãozinho fazendo a meninada chorar ao som de "Crazy Mary". Diferente daquela banda que lançou "Ten" (1991) ou "Vitalogy" (1994). O Soundgarden foi pelo mesmo caminho: o Chris Cornell, que, outrora, vestia seus coturnos militares, virou um bom-moço galã à lá James Bond, com seus maquiadores, cabeleireiros e uma carreira solo mixuruca e tediosa. A banda em si saiu dos trilhos depois de "Badmotorfinger" (1991). "King Animal", então, lançado ano passado, é uma monstruosidade, de tão ruim que é. O fato de ser comercial ou vendido não significa, necessariamente, que a obra é ruim. Mas quando é comercial, vendido e ruim, a história muda. O Alice In Chains manteve o peito estufado do início até os dias de hoje. É a salvação do espírito Grunge que pregava a simplicidade, honestidade e espontaneidade. Ora, foram esses caras que apareceram de jeans rasgado e All Star no palco numa época em que os músicos estavam se vestindo de mulher.
Ainda sobre o coma do rock, nós podemos jogar lá no meio dos anos 80 quando surgiu o heavy metal melódico falando de fadas e dragões. Composições perfeitas para animar festinhas infantis. Ovelhas desgarradas sempre existiram. Sempre houve o comercial desde que a indústria fonográfica foi fundada, o problema é que, hoje, isso é paradigma único. Me orgulho de dizer que sou fã de Iron Maiden e que eles resistiram ao Punk em seu primeiro álbum.
O cenário de hoje está aleijado. Não confundam atitude com deixar a barba crescer até o umbigo ou colocar máscaras na cara para tocar. Não confundam espontaneidade com se pintar de prostitutas do inferno e empunhar machados e picaretas. O que mais existe, hoje em dia, são os "wannabes". "The world needs wannabes", diz uma música do The Offpsring. E é verdade. Tem gente em 2013 imitando Axl Rose ou Ian Anderson. Tire essa saia escocesa, faça essa barba e seja você mesmo. Se usar saias faz parte de você, ok, apenas não as use para imitar alguém.
Há uns dois meses, eu fui numa casa noturna de minha cidade e tive o desprazer de assistir a uma banda cujo repertório era focado, basicamente, em hard rock. Se esses guris novos fantasiados de glam rock em 2013 são parte do embrião do futuro do rock, então, eu digo que estou desesperado. Hello-o! O glam rock acabou há quase 25 anos. Nem aqueles que se fantasiavam de mulher nos anos 80 fazem isso hoje, então, por que você está fazendo? Acha que vai pegar mulher assim?
O rock foi criado num espírito de rebeldia e espontaneidade. E rebeldia e espontaneidade são coisas que não se vê em, praticamente, parte alguma do cenário atual. São apenas máscaras. Onde está a inventividade? Você está no rock ou heavy metal por quê? O quanto você pode contribuir se você só copia o que já fizeram antes?
Aí, existem falastrões brasileiros frustrados que reclamam que ninguém compra seus discos e ninguém vai aos seus shows. "Ninguém apoia o metal brasileiro". Eles cospem na mão que os alimentou. Mas se esquecem de que o produto que vendem é tão manjado que ninguém mais está amplamente interessado para sair de sua casa e ir a um show ou gastar R$ 30,00 num álbum. Amigo, o metal brasileiro é o mais "wannabe" do globo, por que eu iria gastar meu dinheiro com você? Você está vendendo areia no deserto, colega!
Se as gravadoras e produtoras montam nas costas dos artistas, é porque, num momento, alguém abriu as pernas, e abrir as pernas virou sinônimo de "é, vamos ter que obedecer eles". Então, hoje, todos querem abrir as pernas. E vai ser assim até que alguém entre com o pé na bunda de algum magnata da mídia e dê o exemplo. Conquiste seu espaço pelos seus métodos e, especialmente, pelo seu brilhantismo.
Se o rock está morto ou em coma, não foi a mídia demoníaca que fez isso. Foram vocês mesmos. Não me venham com chorumelas de que o rock está aleijado porque inventaram a Internet e o download. Essa desculpa não cola mais. E, pra finalizar, se você é tão barato assim, se vende e investe em Sertanejo Universitário, mas pare de reclamar.
E, para frisar, eu não estou falando de TODAS as bandas do mundo. Existem exceções. O novo disco do Phil Anselmo está aí. Vamos conferir.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu explica por que show final do Sepultura foi para um lugar menor
Angus Young (AC/DC) autografa bebê no Canadá
Disco novo do Anthrax tem música que mistura Slayer e Metallica da era "Load"
As bandas que mais inspiraram o lado pesado do Queen, segundo Brian May
Metallica anuncia mais 12 datas da tour M72 para 2027
A canção do Metallica que ainda emociona James Hetfield toda vez que ele a escuta
Regis Tadeu finalmente explica detalhe do Iron Maiden que fãs discutem há 20 anos
O grande problema do show de Roger Waters, segundo Ed Motta
Como a opinião de James Hetfield sobre Lars Ulrich mudou ao longo dos anos
A música do Yes que serviu de inspiração para Dream Theater e Sepultura
Falling in Reverse lança "Joseph", com Corey Taylor (Slipknot) e Serj Tankian (SOAD)
Baixo de James LoMenzo apresenta falha durante intro de "Peace Sells" em show do Megadeth
A canção e álbum dos Beatles que eram os favoritos de Kurt Cobain
A canção da Legião Urbana sobre a qual Dado Villa-Lobos errou em seu livro
As 10 músicas de Elton John que são as preferidas de Zakk Wylde
Black Sabbath: Tony Iommi comenta sobre ser associado ao termo Heavy Metal
A banda de rock de Brasília que empatou com Gil e Caetano em prêmio de melhor do ano

Cinco subgêneros do metal que despertam amor e ódio
De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
Onde vende a régua para medir se uma música é boa ou ruim?
Não gostar do "Black Album" é uma coisa, negar sua importância é outra
O heavy metal continua proporcionando momentos inesquecíveis
A difícil arte de escolher os melhores discos de Heavy Metal
Janick Gers: descartável ou essencial ao Iron Maiden?



