O rock está em coma

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Por Igor Z. Martins
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Se você é fanático e se magoa facilmente, eu recomendo que pare por aqui e nem leia o restante do texto. O mesmo se você tem problemas graves para aceitar que nem todo mundo pensa como você.

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Não se pode matar o rock n’roll, mas muitos dizem que o mesmo está morto. Eu discordo. Eu acho que está em coma, talvez até coma “induzido”. Dizem que a culpa é da mídia, mas eu acho que quem induziu esse coma foi a incompetência e falta de criatividade e peito de grande parte das bandas post-1990.

O último espernear genuíno do rock foi com a explosão Grunge, no final dos anos 1980 e início da década seguinte. Depois, muitas daquelas bandas se venderam, simplesmente. Nada errado com querer ganhar dinheiro, mas isso não muda o fato de que houve venda, sim.

O Pearl Jam hoje é, praticamente, uma banda pop cristã, sem atitude, sem pegada, sem nervos. É só o Eddie Vedder com seu violãozinho fazendo a meninada chorar ao som de “Crazy Mary”. Diferente daquela banda que lançou “Ten” (1991) ou “Vitalogy” (1994). O Soundgarden foi pelo mesmo caminho: o Chris Cornell, que, outrora, vestia seus coturnos militares, virou um bom-moço galã à lá James Bond, com seus maquiadores, cabeleireiros e uma carreira solo mixuruca e tediosa. A banda em si saiu dos trilhos depois de “Badmotorfinger” (1991). “King Animal”, então, lançado ano passado, é uma monstruosidade, de tão ruim que é. O fato de ser comercial ou vendido não significa, necessariamente, que a obra é ruim. Mas quando é comercial, vendido e ruim, a história muda. O Alice In Chains manteve o peito estufado do início até os dias de hoje. É a salvação do espírito Grunge que pregava a simplicidade, honestidade e espontaneidade. Ora, foram esses caras que apareceram de jeans rasgado e All Star no palco numa época em que os músicos estavam se vestindo de mulher.

Ainda sobre o coma do rock, nós podemos jogar lá no meio dos anos 80 quando surgiu o heavy metal melódico falando de fadas e dragões. Composições perfeitas para animar festinhas infantis. Ovelhas desgarradas sempre existiram. Sempre houve o comercial desde que a indústria fonográfica foi fundada, o problema é que, hoje, isso é paradigma único. Me orgulho de dizer que sou fã de Iron Maiden e que eles resistiram ao Punk em seu primeiro álbum.

O cenário de hoje está aleijado. Não confundam atitude com deixar a barba crescer até o umbigo ou colocar máscaras na cara para tocar. Não confundam espontaneidade com se pintar de prostitutas do inferno e empunhar machados e picaretas. O que mais existe, hoje em dia, são os “wannabes”. “The world needs wannabes”, diz uma música do The Offpsring. E é verdade. Tem gente em 2013 imitando Axl Rose ou Ian Anderson. Tire essa saia escocesa, faça essa barba e seja você mesmo. Se usar saias faz parte de você, ok, apenas não as use para imitar alguém.

Há uns dois meses, eu fui numa casa noturna de minha cidade e tive o desprazer de assistir a uma banda cujo repertório era focado, basicamente, em hard rock. Se esses guris novos fantasiados de glam rock em 2013 são parte do embrião do futuro do rock, então, eu digo que estou desesperado. Hello-o! O glam rock acabou há quase 25 anos. Nem aqueles que se fantasiavam de mulher nos anos 80 fazem isso hoje, então, por que você está fazendo? Acha que vai pegar mulher assim?

O rock foi criado num espírito de rebeldia e espontaneidade. E rebeldia e espontaneidade são coisas que não se vê em, praticamente, parte alguma do cenário atual. São apenas máscaras. Onde está a inventividade? Você está no rock ou heavy metal por quê? O quanto você pode contribuir se você só copia o que já fizeram antes?

Aí, existem falastrões brasileiros frustrados que reclamam que ninguém compra seus discos e ninguém vai aos seus shows. “Ninguém apoia o metal brasileiro”. Eles cospem na mão que os alimentou. Mas se esquecem de que o produto que vendem é tão manjado que ninguém mais está amplamente interessado para sair de sua casa e ir a um show ou gastar R$ 30,00 num álbum. Amigo, o metal brasileiro é o mais “wannabe” do globo, por que eu iria gastar meu dinheiro com você? Você está vendendo areia no deserto, colega!

Se as gravadoras e produtoras montam nas costas dos artistas, é porque, num momento, alguém abriu as pernas, e abrir as pernas virou sinônimo de “é, vamos ter que obedecer eles”. Então, hoje, todos querem abrir as pernas. E vai ser assim até que alguém entre com o pé na bunda de algum magnata da mídia e dê o exemplo. Conquiste seu espaço pelos seus métodos e, especialmente, pelo seu brilhantismo.

Se o rock está morto ou em coma, não foi a mídia demoníaca que fez isso. Foram vocês mesmos. Não me venham com chorumelas de que o rock está aleijado porque inventaram a Internet e o download. Essa desculpa não cola mais. E, pra finalizar, se você é tão barato assim, se vende e investe em Sertanejo Universitário, mas pare de reclamar.

E, para frisar, eu não estou falando de TODAS as bandas do mundo. Existem exceções. O novo disco do Phil Anselmo está aí. Vamos conferir.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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