Queensryche e outros: lavação de roupa suja em público

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Por Doctor Robert
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E mais um capítulo da novela Queensryche se desenrola. Desta vez, os demais membros anunciam a demissão (por justa causa?) do vocalista Geoff Tate, e a continuidade das atividades com Todd LaTorre, do Crimson Glory. Isso tudo, claro, depois de muita roupa suja lavada em público, com direito a intervenções de terceiros (a filha do vocalista entrou em cena para proteger os interesses do papai), trocas de farpas em entrevistas (nenhuma novidade nisso, ok?) e até mesmo crises de “Norman Bates” de Tate (para quem não sabe, Bates é o personagem principal do clássico do terror “Psicose”, de Alfred Hitchcock), que ameaçou colegas com uma faca. Como se não bastasse, a “prima-dona” ainda teve a petulância de xingar a plateia presente em sua apresentação no festival Rocklahoma. Fica a pergunta: que tal um pouco de respeito com os fãs?

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Do ponto de vista estritamente comercial, analisemos da seguinte forma: o fã é o seu cliente, ok? Se você tem um estabelecimento comercial e atende mal aos seus clientes, causa-lhe algum desconforto, ou até mesmo o maltrata, você com certeza irá perder aquele cliente, correto? Será que uma obviedade destas não passa pela cabeça da banda? Aonde foi parar o profissionalismo? Bons tempos aqueles em que não havia internet, pois quando alguma banda passava por atritos e turbulências, ficávamos livres de boa parte de toda a briga. Hoje em dia, qualquer coisinha é motivo para um dos membros que se julga prejudicado “vomitar” sua ira no Twitter, Facebook, etc, etc. E aquele grupo que você tanto gostava, alguns até mesmo idolatravam, vai ficando com a imagem manchada, desgastada, até chegar no ponto onde não se suporta mais ouvir seu nome!

Duvida? Relembrando um caso recente, temos outro ícone do metal progressivo, o Dream Theater. Basta lembrar a choradeira que foi quando Mike Portnoy anunciou sua saída, a quantidade de “bullshit” jogada no ventilador, a novelinha à La “Big Brother” para a escolha do novo baterista... tudo beirando o ridículo, servindo apenas para aqueles que já eram detratores do grupo o esculacharem cada vez mais. Se tivesse parado por aí, tudo bem, mas até hoje, em qualquer entrevista, mr. Portnoy ainda solta suas farpas quando cutucado pela imprensa, virando uma espécie de discípulo de Sammy Hagar: ambos estão envolvidos com bandas e discos espetaculares, mas não largam o osso e falam mais de suas ex-bandas. Haja saco!

E o Black Sabbath? Olhando friamente, podemos dizer que o que houve foi o seguinte: estavam todos muito bem enquanto existia o Heaven And Hell e Dio ainda era vivo – ambas as partes continuavam lotando arenas e lançando seus trabalhos (embora os de Iommi e Cia. sejam enormemente superiores aos recentes de Ozzy, mas isso não vem ao caso). Pois bem, infelizmente o carismático Ronnie James perdeu sua batalha para o câncer, e nem bem o defunto esfriou já começaram as especulações da volta do line-up original do Sabbath. E quando o dinheiro fala mais alto, fazer o quê? Para ter Ozzy de volta, após tantas brigas, processos e tudo mais, Tony Iommi teve de engolir seco todas as exigências que pudessem ser feitas por Ozzy, ou melhor, Sharon Osbourne – alguém aí realmente acredita que ainda exista alguma amizade entre eles? E se Iommi e o baixista Geezer Butler cederam, Bill Ward não engoliu o que lhe foi imposto e saltou fora do barco. E aí começam novamente notícias a pipocar daqui e dali no melhor estilo Nelson Rubens (ok, ok, ok!). O que acabou por amenizar um pouco tudo foi o fato de Iommi anunciar publicamente sua doença (câncer também – mais um, meu Deus!). E, por sorte, os membros remanescentes não fizeram o mesmo jogo do batera e foram extremamente discretos e amenos em seus depoimentos. De qualquer forma, uma página triste na história da maior banda do metal...

Não dá pra saber se haverá reconciliação neste último caso, mas nos outros dois acima há alguma dúvida? Portnoy, além de membro fundador e ter, segundo suas próprias palavras, “respirado, comido e cagado Dream Theater nos últimos 25 anos de sua vida”, é compadre de John Petrucci e sua volta é apenas questão de tempo. Já no Queensryche, vai ser aquela velha história: virão algumas turnês e álbuns para satisfazer os egos de ambas as partes, o bolso vai começar a apertar, e tudo acabará no mais batido clichê de uma grande “Reunion Tour”, talvez até com direito a participação do genial Chris DeGarmo (afinal, a banda nunca mais foi a mesma e nem lançou nada decente desde sua saída). Façam suas apostas...

No final fica só a saudade dos áureos tempos de todos eles... e a certeza de que estes tempos nunca mais voltarão - não sinceramente, pelo menos... Triste, muito triste...

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Post de 21 de junho de 2012

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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